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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Proler completa 20 anos com semana de grandes eventos


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Fonte: Boletim da Biblioteca Nacional, n. 236. Data: 14/05/2012.
Em 13 de maio de 1992, o decreto presidencial nº 519 instituía o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler). Com a proposta de promover ações em prol do hábito de ler em todo país e aumentar o número de leitores brasileiros, uma rede foi constituída entre as diferentes esferas governamentais e entidades privadas em favor da leitura. “Em 20 anos, foram muitas as transformações”, avalia positivamente Carmen Pimentel, coordenadora do Proler. Hoje, a iniciativa conta com 74 comitês em todas as regiões do País. Este ano, o Proler terá um orçamento três vezes maior, abrirá mais 10 comitês e formará pelo menos 2.800 mediadores de leitura.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

“Dá-te + à Leitura": Semana da Leitura em Montalegre


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Fonte: Montalegre. Data: 30/04/2012.

URL: http://www.cm-montalegre.pt/showNT.php?Id=1814

Dá-te + à Leitura" decorreu na biblioteca municipal de Montalegre, ação inserida na semana da leitura. Falamos de «uma iniciativa a nível nacional», durante a qual, a nível local, «foram desenvolvidas ações de promoção do livro e da leitura nas diferentes vertentes», afirma Gorete Afonso, responsável pela instituição. A atividade «foi um objetivo conseguido» e reflexo de «um trabalho comunitário, realizado em parceria».

A semana da leitura «é uma iniciativa a nível nacional» que é «promovida pelo gabinete da rede de bibliotecas escolares e que faz parceria com a rede de leitura pública», explica Gorete Afonso, responsável pela biblioteca municipal de Montalegre. No caso particular de Montalegre, no âmbito da semana da leitura, «foram dinamizadas várias atividades», com o propósito de «promover o livro e a leitura». O programa «foi desenhado por todos os intervenientes da semana da leitura, designadamente as bibliotecas municipais e escolares de Montalegre e Boticas».

MATERIALIZAÇÃO

Um leque variado de ações assolou Montalegre durante a semana da leitura. «Cinema, poesia, teatro, oficinas de sabores, entre outros», foram conjugados e «pensados para atingir os diferentes públicos», explica Gorete Afonso, responsável pela instituição bibliotecária. O intuito foi «criar diversas formas de ler» e conseguir «materializar o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no âmbito da rede concelhia de bibliotecas», avança. Neste contexto, «Montalegre conseguir fazer diferentes leituras e envolver os diferentes graus de ensino», com um «programa rico».

PARCERIAS

Gorete Afonso, alerta que «foi graças a um trabalho conjunto e comunitário», promovido «em rede e parceria», que «este objetivo foi conseguido». Nessa linha, sublinha «o apoio e empenho da comunidade educativa, em particular dos professores bibliotecários». Foi desse trabalho em equipa que «resultou a sensibilização abrangente para a importância de ler», conclui.

terça-feira, 27 de março de 2012

Bibliotecas são mais procuradas pelos filmes do que pelos livros


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Fonte: O Mirante (Portugal). Data: 22/03/2012.

URL: http://semanal.omirante.pt/index.asp?idEdicao=540&id=82190&idSeccao=9025&Action=noticia

As estatísticas dizem que se lê pouco em Portugal. O concelho de Benavente é excepção?

Não acho que se leia pouco. Nos últimos tempos temos tido mais procura nas bibliotecas, não sei se será por causa da crise. Temos muitos leitores dos periódicos que até nos dizem que gostariam de ter mais coisas disponíveis. Se tivéssemos mais jornais, teríamos certamente mais leitores.

O orçamento municipal para a compra de livros, jornais e outros materiais para as bibliotecas diminuiu. Chegam ofertas das editoras ou de outras instituições regularmente às bibliotecas?

O ano passado recebemos uma colecção belíssima do Manuel Cintra Ferreira que já está disponível. Há uns dias, um jovem veio doar uns filmes porque disse que não os ia ver mais vezes. Vamos tendo assim algumas doações pontuais. Depois recebemos as edições próprias que algumas câmaras vão realizando.

As bibliotecas estão abertas no horário normal de quem trabalha. Deve ser difícil ter leitores que não sejam estudantes ou reformados.

É verdade que temos muitos estudantes e reformados. Mas também temos muitas visitas de pessoas entre os 35 e 50 anos que vêm à hora do almoço. São leitores que trabalham por perto ou na própria câmara. Muitos até começam a ver um filme que depois ficar reservado para continuarem a ver no dia seguinte.

As mediatecas que começaram a surgir como complemento das bibliotecas ficaram rapidamente ultrapassadas com a vulgarização da internet e da televisão por cabo. Isso não está a acontecer por aqui?

Os filmes têm aqui um empréstimo brutal, talvez mais do que os livros. Temos casais que quando chega a sexta-feira vêm buscar filmes para o fim-de-semana com regularidade. Ou avós com os netos. Os filmes têm proporcionado uma boa dinâmica às bibliotecas.

Qual o peso da literatura infantil e juvenil no conjunto dos livros disponibilizados nas vossas bibliotecas?

Temos mais infantil do que juvenil. No ano passado tivemos uma procura imensa de “Os Lusíadas de Luís de Camões contados às crianças”, de João de Barros. Estava esgotado nas livrarias e os nossos sete exemplares andavam sempre em circulação. Optámos recentemente por separar a área do juvenil e colocá-la numa sala independente, onde também está um computador e uma mesa para os trabalhos de grupo.

Como é que conseguem manter o silêncio na biblioteca com os trabalhos de grupo?

Tentamos desmistificar essa ideia do silêncio. Se as pessoas falarem normalmente, não vão perturbar ninguém. É claro que não aceitamos gritos, mas é preciso encontrar um equilíbrio para que também haja vida nas bibliotecas.

Quem é que aprova as compras de livros para a biblioteca? Qual a política de escolha?

Um dos princípios é sempre a aquisição de livros de conhecimento, em áreas onde temos mais lacunas, mas na grande maioria das vezes esses não são os livros mais procurados. As sugestões dos nossos leitores recaem sempre na área da ficção. Tentamos sempre que possível satisfazer as necessidades dos leitores. No infantil vamos comprando os livros que precisamos para as nossas actividades. Eu apresento geralmente a lista de livros a comprar à autarquia, que não coloca entraves.

Que livros é que têm pedido mais?

Depende das modas. Tivemos a fase do Paulo Coelho e a da Nora Roberts que ainda continua a ser muito pedida. Quando saiu a série dos vampiros Twilight, da Stephenie Meyer, tínhamos uma longa reserva dos livros. Eles entravam na biblioteca e nem tínhamos tempo de os guardar nas estantes.

A biblioteca tem todos os livros da autoria de José Saramago? E do António Lobo Antunes?

Não, não temos todos porque não têm sido muito procurados. Herdámos todo o catálogo excelente da Gulbenkian e a partir daqui vamos adquirindo consoante as nossas possibilidades e necessidades. Não podíamos ter dez pessoas a pedirem-nos um livro e nós comprarmos um Saramago que ninguém pediu. O que queremos é que as pessoas venham.

Não tentam também ajudar a diversificar os gostos, dando novas sugestões?

De vez em quando lá sugerimos alguns livros, mas regra geral os nossos leitores quando vêm à biblioteca sabem muito bem o que querem.

A biblioteca não disponibiliza online uma lista dos livros nem sequer tem um site. É possível a um leitor telefonar a perguntar se está disponível determinado livro?

Sim, pode ligar e nós até o reservamos. Temos também um blog onde vamos colocando as nossas actividades e novidades.

Na era das redes sociais, como é que ainda não têm página no Facebook?

Não temos Facebook porque durante o serviço não temos acesso a esta rede. Não faz sentido criar algo que depois não posso actualizar durante o meu horário de trabalho.

É possível trazer o computador portátil para trabalhar na biblioteca. Há internet wireless acessível?

Só na de Benavente. Em Samora temos o espaço internet no mesmo edifício, mas estamos a tentar resolver o problema porque quem leva o computador portátil está sempre a pedir-nos a internet sem fios.

O escritor Jorge Luís Borges (já falecido) quando foi director da biblioteca de Buenos Aires dizia que ficava feliz quando os funcionários lhe vinham dizer que alguém tinha roubado um livro porque isso significava que era alguém com grande vontade de ler. Ainda há quem roube livros nas bibliotecas?

Estamos agora numa fase de avaliação da colecção e reparamos que falta um ou outro livro, mas nada de alarmante. Nós criamos um “cantinho da leitura” nas escolas do pré-escolar do concelho e todos os anos registamos perdas. Se não tiver nenhuma perda não vale a pena gastar aquele dinheiro porque mostra que ninguém se interessou por eles. É claro que concordo com o Borges, mas é preciso regras senão ficávamos sem livros. Tivemos um senhor que perdeu um livro e trouxe logo três para substituir. Isso para mim é de louvar.

Os “serões na biblioteca” que costumam organizar uma vez por mês não costumam ter mais de meia dúzia de pessoas. Vão continuar a realizá-los?

O que as pessoas querem são pessoas conhecidas. Quando tivemos aqui a apresentação do livro do Manuel Ribeiro, dos UHF, esgotámos os lugares da biblioteca. De resto, costumam vir sempre o mesmo núcleo de pessoas. Não podemos desistir e entregar o ouro ao bandido. Temos de continuar a criar para trazer cada vez mais gente às bibliotecas. Os poucos que vêm merecem sempre o trabalho que realizamos.

Um dia, no futuro, com a difusão do ebook, as bibliotecas públicas vão desaparecer como já desapareceram os clubes de vídeo?

Não acho nada agradável estar a ler num ebook, embora lhe reconheça enormes vantagens. Mas não tem o cheiro do papel, nem é possível marcar. Penso que as bibliotecas vão continuar nos mesmos moldes, mas vão passar a acolher novos conteúdos.

Uma leitora apaixonada pelo tema da saúde pública

Sandra Ferreira, de 37 anos, mora em Benavente, terra onde nasceu. Tirou o curso de História na Universidade de Coimbra e durante um ano deu aulas numa vila de Coimbra. A experiência foi tão forte que ainda hoje recorda com saudosismo muitos dos seus alunos. Mal regressou a Benavente acabou por entrar como directora para as bibliotecas municipais do concelho. Sempre gostou de ler e recorda um livro sobre o Titanic que ia consultar vezes sem conta na antiga biblioteca de Benavente. Quando tem tempo livre gosta de ir ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo ou à Biblioteca Nacional pesquisar sobre a área da saúde pública. Gosta de perceber a evolução e as opções políticas que foram sendo tomadas ao longo do tempo. Destaca o “Eurico, o Presbítero”, de Alexandre Herculano como um dos livros da sua vida. Dos autores mais contemporâneas gosta de Umberto Eco.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Aumenta a leitura dos livros canadenses


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Fonte: Canadian Broadcasting Corporation (CBC Canada). Data: 16/02/2012.

O livro canadense teve um aumento no índice de leitura. Uma recente pesquisa sobre hábito de leitura mostrou que os canadenses continuam a ser havidos leitores, sejam eles livros impressos ou eletrônicos. A Campanha Nacional de Leitura (National Reading Campaign) – uma coalizão que inclui leitores, bibliotecários, editores, escritores, educadores e livreiros – foi a responsável pelo pesq uisa.

Uma das metas dessa Campanha é preservar esta herança – a paixão pela leitura. Durante a coleta de dados a pesquisa descobriu que:

• 3,4 milhões de livros foram vendidos ou circularam (ou cerca de cinco livros por segundo);

• 1,15 milhões de livros impresso foram vendidos pelos livreiros canadenses;

• Foram vendidos 111.053 livros eletrônicos publicados na língua inglesa;

• 2.1 milhões de livros impressos foram emprestados pelos 28 sistemas de bibliotecas (atendendo 13,7 milhões de pessoas);

• 63.196 livros eletrônicos foram baixados dos sistemas de bibliotecas participantes.

O documento aponta ainda os três primeiros na leitura dos livros eletrônicos: Estados Unidos (20% de penetração), Coréia do Sul (14,5 %) e Reino Unido (7 %).

Maiores detalhes no URL:

http://www.cbc.ca/news/arts/story/2012/02/16/reading-book-count-campaign.html

domingo, 27 de novembro de 2011

Evento: Congresso de Leitura do Brasil


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Data: 16-20 de julho de 2012.

Local: Campinas (SP).

A Associação de Leitura do Brasil organiza o 18º Congresso de Leitura do Brasil (COLE), que será realizado de 16 a 20 de julho de 2012, em Campinas (SP), com o tema “O Mundo grita. Escuta?

Maiores informações no URL: http://http://www.18cole.com.br/

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Brasileiro está comprando mais livros


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Fonte: Sindicato Nacional do Editores de Livros (SNEL)

Data: 17/08/201.

O número de exemplares vendidos no País cresceu de 387.149.234, em 2009, para 437.945.286, em 2010, o que favoreceu um avanço de 8,12% no faturamento do setor editorial no ano passado, que ficou na casa dos R$ 4,5 bilhões, como mostra a pesquisa "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro", realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP) sob encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Câmara Brasileira do Livro (CBL). O preço dos livros também continuou em queda, com recuo de 4,42%.

O documento completo pode ser lido no:

URL: http://anl.org.br/web/pdf/pesquisa_setor_livreiro/relatorio_FIPE_2011.pdf

sábado, 2 de abril de 2011

Dia Internacional do Livro Infantil: 2 de abril


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Fonte: International Board on Books for Young People. Data: 1/04/2011.

URL: http://www.ibby.org/index.php?id=1163

A International Board on Books for Young People (IBBY), uma entidade internacional, com sede na Suíça, que tem por objetivo incentivar a leitura entre os jovens, promove desde 1967 o Dia Internacional do Livro Infantil. O Dia Internacional do Livro Infantil é celebrado em dois de abril, em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, nascido nesta data em 1805. Todo ano, um escritório da IBBY é responsável pela comemoração e convida um ilustrador para criar o cartaz da data e um autor para escrever um texto comemorativo. Este ano o país encarregado é a Estônia, o ilustrador é Jüri Mildeberg e o autor é Aino Pervik. O tema deste ano é "The Book Remembers" ["O livro tem memória"].

A YBBT é representada no Brasil pela

Fundação Nacional do Livro do Infantil e Juvenil (FNLIJ)

Rua da Imprensa 16, salas 1212 a 1215

20030-120 Rio de Janeiro RJ

Tel [int. +5521] 22 62 91 30

Fax [int. +5521] 22 40 66 49

E-mail: fnlij@fnlij.org.br

URL: www.fnlij.org.br

domingo, 16 de janeiro de 2011

Leitura em Revista


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URL: http://www.leituraemrevista.com.br/

A LER – Leitura em Revista é um periódico interdisciplinar de estudos avançados em leitura com publicação semestral, em versão eletrônica, da Cátedra UNESCO de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Tem como objetivo divulgar textos originais sobre o eixo temático da leitura que privilegiem pesquisas de natureza predominantemente qualitativas, a fim de contribuir para o desenvolvimento de estudos sobre leitura numa perspectiva crítica, transformadora e interdisciplinar.

O primeiro número incluiu:

Artigos

• Alan Trouvé. A (des)alteração literária.

• Emílio Soares Ribeiro. Leitura como processo semiótico.

• Cássio Eduardo Soares Miranda. Contos de fadas às avessas.

• Fabiano de Oliveira Moraes. O 'medo' em Chapeuzinho Vermelho (da Idade Média à Modernidade).

• Lawrence R. Sipe. Aprendendo pelas ilustrações nos livros-ilustrados.

• Laurence Hélix. Ler o Graal na Idade Média: limites e liberdades do leitor.

Relatos de pesquisa

• Catiane de Araujo Pimentel. Os leitores do século 21.

• Karen Sica da Cunha. Convergência midiática em um jornal popular

• Ivanir Maciel Ortiz & Andréa Vieira Zanella. Constituição do leitor.

• Fernanda Zanetti Becalli & Cleonara Maria Schwartz. Reflexões acerca da abordagem de ensino da leitura no “PROFA”.

Resenha

• Patrícia Aparecida Beraldo Romano. Bianca de Medici: um arminho em busca da liberdade.

Entrevista

• Entrevista com Vincent Jouve, autor de A Leitura

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Crise aumenta pedidos em bibliotecas


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Ok, o motivo não será o melhor mas a verdade é que as pessoas voltam a descobrir as bibliotecas públicas. Eis uma oportunidade para as bibliotecas...

Crise aumenta pedidos em bibliotecas

A necessidade de poupar no orçamento familiar está a levar a um aumento da procura das bibliotecas públicas. Responsáveis das bibliotecas de Aveiro, Feira e Espinho constatam o aumento de procura nas leituras escolares obrigatórias (clássicos), livros técnicos habitualmente mais caros (especialmente para universitários), mas também de autores mais populares.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Família é fundamental na criação do hábito de ler


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Autora: Mariana Mandell.

Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 13/12/2010.

Educadores afirmam que o segredo para despertar o gosto pelos livros nas crianças e jovens está muito mais no comportamento dos pais que nas orientações da escola. “Os pais devem ler junto com os filhos, mantendo o canal de comunicação aberto, sem censurar o que as crianças querem ler”, aconselha José Manuel Moran, diretor de Educação a Distância da Anhanguera Educacional e professor aposentado da ECA-USP. “Ler mostrando o quanto isso pode ser gostoso deve ser encarado como uma tarefa pelos pais”, opina Teresa Ferreira, psicopedagoga da Unifesp. “É mais fácil despertar o gosto pela leitura no jovem dessa forma do que pela imposição que a escola e os vestibulares fazem.”

A importância de incentivarem a leitura formal em casa decorre principalmente do fato de que, hoje, desde muito cedo, as crianças já têm contato com o computador. “Atualmente, os brinquedos são quase todos eletrônicos. Poucos são pedagógicos”, aponta Sylvia van Enck, psicóloga do Programa de Dependência da Internet do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso (AMITI) da USP.

Os livros sempre entraram na casa dos irmãos Dora e Paulo Galvão Amaral, de 14 e 11 anos, respectivamente. Dora passa cerca de três horas por dia na internet e gosta de ler, mas acaba tendo mais contato com as obras que a escola indica. “Se não for livro obrigatório, só vou até o fim se a história me cativar”, conta.

Paulo é um aficionado por letras. “Li duas coleções de livros neste ano e muitos gibis. Também gosto de ler jornal, principalmente quando meu pai me mostra alguma matéria legal de ciências”, conta. “Minha mãe sempre incentivou a gente a ler. É só eu comentar que quero tal livro que ela aparece com ele.”

Adaptações. O dilema entre barrar o uso das novas tecnologias – para evitar distrações – e usufruir das possibilidades digitais já assola o cotidiano das escolas. No Colégio Santo Américo, na zona sul paulista, a direção vai proibir o celular na sala de aula em 2011 – antes a orientação era de não usar. “Percebemos alguns abusos”, conta Cesar Pazinatto, coordenador do ensino fundamental II. “É complicado lidar com tudo isso, porque as novas tecnologias têm um potencial enorme para ser explorado em classe.”

Para o professor da área de educação e ciência da computação da Universidade de Stanford, Paulo Blikstein, o grande desafio da escola é a motivação. “É preciso direcionar o aprendizado para coisas interessantes. Aí entra o papel dos pais e professores: apontar obras e criar condições para que os alunos se interessem de forma genuína”, afirma. “Conversar com amigos pelo celular é ótimo, mas isso não vai necessariamente levar ninguém a ler Machado de Assis.”

Portugal: Um terço nunca lê por gosto


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Fonte: Diário de Notícias. Data: 13/12/2010.

Mais de um terço dos alunos portugueses que participaram no estudo da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) disse que não lê por gosto. Aliás, 22% disseram que só mesmo por obrigação, uma percentagem 8% acima da média da OCDE. Outros 29% acham difícil chegar ao fim de um livro e quase um quinto acha que ler é uma perda de tempo. Este é um lado menos animador do estudo da OCDE, sobretudo quando comparado com a melhoria do desempenho dos alunos portugueses nos testes - foram mesmo os que mais progrediram na leitura, matemática e ciência. Por outro lado, 35% dizem que ler é um dos hobbies favoritos. E, em compensação, 43% lêem e-mails e conversam online várias vezes ao dia

sábado, 18 de dezembro de 2010

Peter Hunt: 'Um bom livro infantil é feito de respeito'


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Autora: Simone Intrator.

Fonte: O Globo. Data: 12/12/2010.

URL: > http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2010/10/21/peter-hunt-um-bom-livro-infantil-feito-de-respeito-334171.asp

Moral da história: livro para criança não tem que ter final feliz. > Precisa, sim, estar cheio de fantasia, ser inovador, diferente, > instigante, subversivo. Quem lista os segredos da boa narrativa é um dos maiores estudiosos mundiais da literatura infantil, o inglês Peter Hunt, fundador e professor da cadeira na Cardiff University, na Grã-Bretanha. Pai de quatro filhas, todas ótimas leitoras, Hunt diz que livro infantil não pode ser igual à comida fast-food, "que satisfaz de imediato mas está longe de ser a opção mais saudável".

No Brasil para fazer uma palestra no auditório American Express da PUC-Rio, durante o seminário Crítica, Teoria e Literatura Infantil no Brasil e no Mundo, em outubro, Hunt aproveitou para logo depois autografar "Crítica, teoria e literatura infantil" (Ed. Cosac Naify). O livro, lançado em 1991, "numa época em que se lutava arduamente para provar a importância de publicações para crianças", focava nesta primeira edição na academia. Agora, revisado, atualizado e ampliado, chega com o objetivo de atingir um público maior e bem mais eclético. Nesta versão há um novo capítulo - sobre livros para crianças e mídias sociais -, um apêndice - em que o autor refina a definição de literatura infantil a partir de opiniões suas que mudaram ao longo destes 20 anos - e várias atualizações, com exemplos mais universais, e não tão britânicos, dos livros citados. Nesta obra, Hunt, que respondeu às perguntas do GLOBO por e-mail antes de pegar o avião para cá, sai em defesa de um maior apuro e mais conhecimento sobre a teoria e a crítica de publicações para crianças. E dá um conselho a todos que querem formar bons leitores: "Um bom livro infantil é um livro que faz todos, adultos e crianças, pensarem. Mas o mais importante é que as crianças estejam sempre em contato com as obras. Quanto mais livros as crianças lerem, maior será a capacidade delas de escolha e de comparação".

O senhor acha que os livros infantis têm características muito peculiares que os distinguem de qualquer outro tipo de literatura que é feito? O que o senhor acha de moral da história, do politicamente correto, da mensagem que se tenta passar para a criança?

É perigoso generalizar sobre "livros para crianças" - provavelmente nunca generalizaríamos sobre (todos) os livros para adultos. Mas uma característica que todos os livros infantis compartilham é a ideia da "criança" ou da "infância". Essa pode ser a ideia do editor sobre o que é ser criança, da cultura de uma sociedade, ou a ideia do autor sobre uma criança real, talvez um ideal da infância, uma memória de criança ou uma memória de quando se foi criança (é bem complexo!). Seja lá o que for essa ideia, isso vai interferir em como será o livro. Alguns autores vão defender que crianças precisam de leveza, novidade e trabalhos experimentais; outros vão achar que crianças são 'simples' e então precisam de livros 'simples'; alguns autores acham que crianças precisam de desafios; há os que pensam que crianças vão precisar ter livros para se acostumarem a eles - para ser como qualquer outra pessoa. Sobre a "moral da história", é verdade: muitos livros infantis têm mesmo uma moral positiva ou um final feliz; e são politicamente corretos, porque seus autores sabem que estão (na maioria das vezes) escrevendo para um leitor menos experiente. Por isso acham que têm a responsabilidade de mostrar um bom comportamento ou uma mensagem boa. O problema que isso acarreta, claro, é que vai depender do que o autor vai acreditar como sendo politicamente correto.

Livros infantis precisam ser didáticos?

Porque há um desequilíbrio de poder nos livros infantis - em que o adulto autor está numa posição em que pode, efetivamente, influenciar o leitor -, é inevitável que autores adultos tentem expressar algum ponto de vista, queiram passar alguma mensagem. (TODOS os livros e TODOS os livros infantis têm alguma posição ideológica). No século passado, qualquer didatismo, ensinamento, posicionamento, tendia a ser disfarçado.

O que caracteriza um bom livro infantil?

Assim como qualquer outro livro, o que vai ser 'bom' vai depender do que você (ou sua cultura) define como 'bom'. Um bom livro, para mim, é desafiador, inovador, diferente (E isso é fácil quando o seu público não é tão experiente). Mas, independentemente de qualquer outra coisa (conteúdo, linguagem etc.), eu acho que um bom livro infantil é feito de respeito: há sempre um abismo entre a experiência do adulto autor e a do leitor criança. Então um bom livro infantil tem que negociar com esta lacuna, e isso só pode ser feito com o respeito, que vai partir do adulto. Um bom livro infantil é um livro que faz todos, adultos e crianças, pensarem. É claro que às vezes não é isso que você quer de um livro - um bom livro para ler no aeroporto ou tarde da noite pode ser apenas para distrair e não para fazer você pensar. E este é novamente o risco das generalizações.

Como o senhor escolhia os livros que suas filhas liam na infância?

Quando minhas filhas eram bem pequenas, os livros eram escolhidos de três maneiras. A primeira: eram livros que nós, como pais, amávamos e lembrávamos desde a nossa infância. A segunda: tentávamos acertar o livro de acordo com cada criança (que penso, e espero, conhecer), visando aos seus interesses e às suas características. Então costumávamos comprar livro que imaginávamos que elas iriam gostar ou livros que as ajudariam a entender o que precisam entender. Erramos muitas vezes - por isso tenho dúvidas de se é verdadeira a ideia de que se você gosta de um livro seus filhos necessariamente gostarão. A melhor lição é que as crianças só gostarão de alguma coisa se a elas for oferecida! E a terceira: deixávamos que elas escolhessem livros sozinhas. Uma vez ou outra, mas raramente, sugeríamos que um livro específico estava além da compreensão delas ou o conteúdo não as interessaria. Mas nunca - como muitas pessoas fazem - interrompemos a leitura das crianças porque não concordávamos com o ponto de vista expressado no livro (embora isso não seja realmente um problema até a adolescência) ou porque apresentava valores com os quais não compactuávamos. O resultado disso é que muitos dos livros preferidos de nossas filhas eram livros que nós achávamos triviais, ou que mostravam claramente que o autor não havia se empenhado bastante, ou que as ilustrações representavam o que achávamos que era o 'pior' de uma publicação comercial. Não acho que isso as tenha prejudicado - porque eram tantos e tantos livros. A mensagem aqui, eu acho, é que, se os pais compartilharem com os filhos seus valores culturais, a escolha dos livros infantis será autorregulada. E mais: quanto mais livros as crianças lerem, maior será a capacidade delas de escolha e de comparação. (Também não tínhamos em casa uma sala de televisão, o que aumentava o tempo dedicado à leitura).

Os livros que o senhor escolheu para sua primeira filha são diferentes dos livros que o senhor escolheu para sua quarta filha? Seu maior conhecimento sobre teoria da literatura infantil fez com que mudasse de opinião sobre os livros?

Não, não acho que houve uma diferença no tipo de livro. A maior diferença foi o número de livros: os livros que as minhas primeiras três filhas leram ainda pertenciam à nossa casa, e elas foram passando livros de uma para a outra. Então a quarta filha tinha uma quantidade muito maior (A caçula é sempre a mais esperta, porque as mais velhas cuidam de sua educação).

Que conselhos o senhor daria aos pais que querem acertar na escolha de livros para seus filhos? O que priorizar nesta seleção?

Este é um conselho fácil de dar e nem tão simples de ser seguido: PENSANDO!!!! Trate desta questão de escolher livros com seriedade. Se for seguir o conselho de outras pessoas (críticos, por exemplo), gaste um tempo avaliando se concorda ou não com a maneira como pensam. Esta não é uma ciência exata, e as pessoas muitas vezes se colocam como autoridades, quando todos, na verdade, têm suas próprias opiniões. Ainda assim, se tiverem experiência com crianças, as pessoas não serão todas as crianças, ou não será a sua criança. Acima de tudo, olhe com atenção, pense bastante e decida o que você quer para o seu filho.

As livrarias brasileiras estão abarrotadas de livros infantis. Este é um mercado rentável? O que move tantos e tantos lançamentos?

O mercado de livro infantil é um dos mais rentáveis, sim, na Europa e em todos os países de língua inglesa, apesar do fato de os romances para as crianças venderem menos exemplares do que os para adulto. Isso ocorre porque normalmente se paga menos a autores infantis, porque o foco de marketing no público infantil é mais disperso (procura-se vender para todas as crianças e para uma faixa etária específica) e porque há dois compradores de livros infantis, os adultos e as crianças. Há duas razões para esta imensa quantidade de lançamentos. A primeira é porque, no mercado editorial de língua inglesa, há cinco ou seis editoras dominantes que competem entre elas em todos os gêneros - e por isso todas as listas de lançamentos se parecem muito. A segunda é financeira: as editoras infantis não mantêm uma lista grande de livros já lançados no estoque. As vendas e o lucro são medidos ano a ano e é preciso ter sempre lançamentos, que vão gerar lucro imediato e depois serão preteridos pelos livros novos.

Ler devia ser proibido


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Nessa boa cruzada pela leitura, a gente vai encontrando batalhadores por todos os cantos. E com as mais variadas "armas". No Youtube, outra bela iniciativa é o vídeo "Ler Devia Ser Proibido", criado e produzido por Luciano Midlej, Filipe Bezerra e Marcos Diniz, baseado no texto da escritora mineira Guiomar de Grammont.

Veja detalhes no vídeo [URL: http://www.youtube.com/watch?v=57hum9zwjZc&feature=player_embedded] , afinal, ler pode tornar as pessoas "perigosamente humanas.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Egito: Táxis oferecem biblioteca ambulante para incentivar leitura


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Fonte: EFE. Data: 6/12/2010.

A última proposta nas caóticas ruas do Cairo é "o táxi do conhecimento", que oferece literatura aos passageiros para ajudá-los a se distrair do barulho e dos engarrafamentos diários, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura em um país com 17 milhões de analfabetos.

"Abrir uma livraria ajuda a divulgar a importância da leitura, mas sabemos que muitos egípcios não a visitarão porque para eles não é natural ler ou comprar livros", revelou à Agência Efe Ismail Elnagar, um dos responsáveis pela livraria que promoveu a iniciativa.

Segundo Elnagar, a principal razão que afasta os egípcios das páginas de um romance é a falta de tempo, "pois são muitos os que perdem até duas horas por dia dentro de um táxi para chegar ao trabalho".

Quando eles resolvem ler acabam optando pelo Alcorão, cuja leitura é bastante comum no metrô e até mesmo nos táxis.

"A única maneira de promover a leitura era fazer com que os livros ultrapassassem as prateleiras das livrarias", disse Elnagar, que afirma que foi a partir desse pensamento que surgiu "a ideia de colocar entre cinco e dez livros dentro de um táxi".

Por enquanto, 50 veículos da capital egípcia já contam com uma pequena biblioteca no banco de trás, mas os responsáveis pelo projeto acreditam que em 2011 será possível disponibilizar o serviço em 2 mil táxis, inclusive em carros de outras cidades do país.

"Os egípcios têm agora a possibilidade de ler em um ambiente agradável e climatizado para esquecer o barulho das ruas e se concentrar no livro até chegar a seu destino", acrescentou.

Um dos primeiros taxistas a adotar a iniciativa foi Abdel Ghany, de 58 anos, que admite ser um "amante e defensor da importância da leitura" e que fuma um charuto enquanto dirige pelas ruas dominadas pelo constante barulho das buzinas.

Em seu automóvel, os primeiros exemplares desta biblioteca ambulante são dois livros do jornalista egípcio Omar Taher, que recorre à sátira para denunciar a política nacional e retratar o desejo de liberdade da nova geração.

"A iniciativa agradou muito às pessoas mais cultas", destacou Ghany, enquanto mostrava com orgulho os livros, cujas capas já estão um pouco deterioradas após um mês à disposição dos passageiros.

Para o taxista, a iniciativa já é "um sucesso" que o levou a solicitar à livraria contos infantis para as famílias que entram em seu táxi, além de guias e mapas em inglês para os turistas.

No entanto, Elnagar admite que encontrar alguém como Abdel Ghany entre os mais de 50 mil táxis que percorrem diariamente o Cairo não foi fácil.

"O primeiro taxista para quem contamos sobre o projeto nos pediu para descer do carro", declarou Elnagar, que ressaltou, no entanto, que muitos motoristas têm nível superior e estão interessados em incentivar a leitura.

Segundo ele, o objetivo do projeto é ajudar a reduzir a taxa de analfabetismo no país, já que apenas 58% dos egípcios adultos sabe ler e escrever.

"Os resultados estão sendo incríveis. Os taxistas estão contentes e sentem que estão oferecendo um serviço muito útil à comunidade", revelou Elnagar. O livreiro afirma que não tem nenhum interesse em que os táxis se transformem em pontos de venda de livros porque "o objetivo não é financeiro".

Enquanto isso, o taxista Ghany está convencido de que proporcionar a leitura a seus passageiros é algo que tem futuro nas ruas da capital egípcia.

"As pessoas estão lendo. E isso é que buscávamos", destacou.

Twitter atrapalha a leitura noturna?


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Fonte: Portal G1. Data: 06/12/201.

Os britânicos estão substituindo a leitura de livros antes de dormir pelo acesso aos seus perfis em redes sociais. Segundo uma pesquisa encomendada pela empresa "Travelodge", 72% dos britânicos conferem as atualizações de seus amigos no Facebook antes de dormir.

O levantamento, que ouviu seis mil pessoas, também revelou que 18% desses usuários enviam, diariamente, um tuíte de "boa noite" para seus seguidores. O tempo médio gasto pelos britânicos nas redes sociais enquanto estão na cama é de 16 minutos.

Porém, a atividade pode afetar o sono dos internautas. Segundo o médico especialista Michael Hastings, a luz emitida pela tela do computador atrasa a disposição do corpo e do cérebro para dormir.

A pesquisa também descobriu que os britânicos fazem suas compras semanais pela internet enquanto estão na cama. Um em cada 10 adultos resolve alguma conta pendente e 35% acompanham as últimas fofocas de celebridades antes de dormir.

Ainda conforme o levantamento, 84% dos entrevistados agora usam seu aparelho celular como despertador.

Ibero-América quer fim do analfabetismo até 2015


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Fonte: France Presse. Data: 04/12/2010.

Os países da América Latina, junto com Espanha, Portugal e Andorra, comprometeram-se nesta sexta-feira a erradicar em cinco anos o analfabetismo no espaço ibero-americano, estabelecendo um plano educacional com investimento superior a 100 bilhões de dólares.

"Realizar a alfabetização plena em todos os países da região antes de 2015", destacou a declaração final da 20ª cúpula ibero-americana na cidade argentina de Mar del Plata, que debateu, entre outras questões, a "educação como instrumento de inclusão social".

Os 16 chefes de Estado e governo e os seis chefes de delegação ibero-americanos presentes em Mar del Plata comprometeram-se a "fortalecer programas existentes e os de emergência" para cumprir a meta de erradicar o analfabetismo até 2015.

A América Latina possui 39 milhões de analfabetos; 110 milhões de adolescentes da região não chegaram a concluir a escola primária, segundo a UNESCO, o organismo de educação e cultura da ONU.

O compromisso é investir 102.824 milhões de dólares nos próximos dez anos.

A cúpula ibero-americana propôs-se também a "incorporar nos sistemas educativos o princípio da inclusão de forma que nenhuma pessoa deixe de ter oferta pertinente e oportuna a suas necessidades pedagógicas", diz a declaração.

A iniciativa quer levar à prática programas de alfabetização que já demonstraram sucesso em outros países da região, garantindo também um proceso posterior voltado para a consolidação da aprendizagem da leitura e da escrita de 4,5 milhões de pessoas na América Ibérica.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Brasileiro lê melhor, mas segue defasado


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Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 08/12/2010.

Autores: Fábio Takahashi, Fabiana Rewald e Larrisa Guimarães.

Os estudantes brasileiros com 15 anos melhoraram em leitura, ciências e matemática nos últimos nove anos. Seguem, porém, entre os mais atrasados do mundo. A constatação é da avaliação internacional chamada Pisa, coordenada pela OCDE (organização de nações desenvolvidas), que analisou a educação em 65 países. O exame avalia as áreas a cada três anos. Nesta edição, a prioridade foi leitura, em que a média brasileira avançou 4%. Essa melhora significa que o aluno de hoje tem um conhecimento equivalente a seis meses de aula a mais do que os de 2000, conforme cálculo da Folha. Para o OCDE, o avanço foi "impressionante". Ainda assim, os brasileiros estão com mais de três anos de defasagem ante os chineses, os líderes da lista, que passaram Finlândia e Coreia. No ranking, o Brasil está na 53ª posição, com nota semelhante a Colômbia e Trinidad e Tobago.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A leitura como ferramenta


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Autora: Caroline Lanhi.

Fonte: Gazeta de Cuiabá. Data: 29/11/2010

A cada 4 brasileiros, um não faz a menor ideia sobre o papel da leitura e apenas 3 acreditam que esse hábito tem um significado positivo, diz a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro. É para mudar essa realidade que um projeto desenvolvido há 2 anos por alunos de psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) vem comprovando que leitura, desde os primeiros anos de vida, não apenas estimula o gosto pelo livro como ajuda os pequenos a interpretar a realidade, superar medos e criar sua identidade. O projeto "Rede de Apoio à Educação Infantil: interfaces com a psicologia, pedagogia e arquitetura" mostra que as crianças respondem muito bem quando colocadas em contato com a literatura, o que reforça os dados de falta incentivo à leitura no país, tanto por parte dos pais quanto dos Governos, pela carência de políticas públicas efetivas. O projeto é executado em 6 creches da Capital, sendo 5 municipais e 1 estadual. Nelas alunos de psicologia da UFMT escolhem uma obra literária que vai nortear os trabalhos da equipe durante um semestre. A obra geralmente tem alguma relação com o nome da instituição e o personagem principal da história se torna o mascote da creche, sobre o qual as crianças realizam diferentes atividades e recontam, elas mesmas, a história.

Exemplo disso é que foi realizado na creche Santa Clara. Lá o projeto se inspira na vida e obra de Maria Clara Machado (teatróloga conhecida por seus livros e peças de teatro infantil). A obra A Viagem de Clarinha foi encenada pelos acadêmicos e a partir dela criou-se a mascote Clarinha, uma boneca do tamanho das crianças, que passa de mão em mão e sobre a qual derivam outras histórias e inúmeras atividades. O público do projeto é formado por crianças com aproximadamente 2 anos que, por causa da curiosidade em conhecer a história, desenvolvem um poder de concentração muito grande. A partir da relação com os personagens da história, a educadora Daniela Barros da Silva Freire Andrade explica que as crianças criam significados, interpretam o que está ao redor delas, aprendem até mesmo a administrar conflitos como o medo do abandono, presente em grande parte delas. O objetivo principal do projeto é criar espaços de narrativa que estimulem os pequenos a criar a própria história com base na leitura.

"Viemos de uma cultura onde que a criança não fala, uma cultura onde não ouvirmos as crianças. Precisamos superar isso e ver que a criança também produz significados e isso se dá a partir da leitura ampliada". A intenção é implantar esse método em outras creches da Capital, mas o desafio ainda maior é fazer com que essa valorização da leitura não fique estagnada somente nas instituições de ensino infantil, mas seja absorvida de modo integral em toda a vida escolar. O que não pode é as escolas colocarem a leitura como obrigação do aluno - fato que infelizmente acontece na maior parte dos casos, lembra a educadora. O ideal é que o jovem continue associando a leitura à produção das suas próprias histórias ou a outros tipos de arte como o cinema, por exemplo, e assim desenvolva por completo o gosto pelos livros.

Inclusão leva as obras até os leitores carentes

Além da falta de incentivo, um dos motivos apontados pela educadora Daniela Freire para a baixa quantidade de leitores no Brasil é a condição socioeconômica. Muitos não compram livros porque simplesmente não possuem dinheiro para isso, pois as contas vêm em primeiro lugar. O produtor cultural Clóvis Resendes Matos percebeu isso há 5 anos, quando trabalhava em uma livraria de Cuiabá, e decidiu fazer diferente. Apostou todas as suas fichas no projeto Inclusão Literária, com o objetivo de levar a literatura a quem não tem condições de pagar. O resultado foi a criação de 3 bibliotecas em comunidades rurais e uma itinerante, esta última com duas utilidades: ponto de leitura e venda de livros usados a um preço acessível.

Desde então, Clóvis atua de modo independente na Capital. Até tentou angariar investimentos, mas não conseguiu o apoio de empresas que poderiam fomentar a ideia. Mesmo sem ajuda, o retorno foi imediato, tanto por parte de doadores de livros quanto daqueles que apreenderam a gostar de ler. O projeto atrai pessoas de todas as idades e mostra que o livro chama a atenção, só faltam oportunidades. Nos últimos meses, Matos também vem estudando uma maneira de estimular o hábito da leitura distribuindo livros nos pontos de ônibus. O projeto ainda está em fase de aperfeiçoamento. A biblioteca itinerante reúne livros que custam de R$ 5 a R$ 10. Ela vai interromper os trabalhos no final de novembro e durante dezembro, mas a partir de janeiro, voltará todos os domingos, ao campus da UFMT próximo ao zoológico.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Presídios federais vão receber projeto de incentivo à leitura


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Fonte: Agência Brasil. Data: 11/11/2010.

Presos e agentes presidiários receberão oficinas de leitura em quatro penitenciárias federais do país. O projeto Uma Janela para o Mundo – Leitura nas Prisões, foi lançado nesta quinta (11) em Porto Velho e estará também nos presídios federais de Mossoró (RN), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR).
A iniciativa é uma parceria entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), os ministérios da Cultura, Educação, Justiça e Desenvolvimento Agrário e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen). O investimento é de R$ 160 mil com a instalação de oito pontos de leitura.
Cada ponto de leitura é composto por um acervo de 650 obras da literatura brasileira e estrangeira, material infantil e juvenil, DVD’s e enciclopédias entre outros. Os participantes do projeto terão acesso a computador e impressora, que ficarão à disposição inclusive das famílias dos internos durante as visitas.
As oficinas serão ministradas por escritores vinculados à UNESCO, que utilizarão livros da própria instituição, com o enfoque especificamente em leitores adultos e jovens em formação. A equipe de tratamento penitenciário dará continuidade ao trabalho iniciado, tornando a atividade de capacitação permanente.
Projetos como o Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Pontos de Leitura, do Ministério da Cultura (MinC), integram esta ação como forma de incluir os internos do Sistema Penitenciário Federal em suas políticas públicas de democratização do acesso ao livro e de incentivo à leitura.

É melhor que shopping Center


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Autora: Maria Luisa Barros.
Fonte: O Dia (Rio de Janeiro). Data: 10/10/2010.

À frente da primeira biblioteca-parque do Brasil, em Manguinhos, Zona Norte, a produtora de eventos Ivete Miloski, 58 anos, tem o desafio de promover inclusão social em região com 17 comunidades e 100 mil moradores. Inspirada na experiência da cidade colombiana de Medellín, que investe em equipamentos culturais para reduzir a criminalidade, a biblioteca carioca ocupa 3.300 m² de antigo depósito do Exército. Tem em seu acervo 25 mil livros, 800 filmes e 3 milhões de músicas e em breve oferecerá um cine teatro. Tudo gratuito. Em um ano de funcionamento, coleciona também boas histórias, como de traficante que retirou romance e devolveu o livro no prazo e em perfeito estado.

O DIA: É a primeira vez que um complexo de favelas ganha uma biblioteca multimídia no padrão dos melhores centros culturais da cidade. Como os moradores receberam esse espaço?
IVETE: No início, liberamos todo tipo de acesso aos computadores para observar o que eles buscavam na rede. Em uma semana, os usuários, a maioria formada por adolescentes, danificaram todos os aparelhos. Eles baixaram programas piratas e conteúdos pornográficos. A rede não suportou.

E o que vocês fizeram?
Passamos a controlar o acesso, filtrando as páginas. Ficamos uns dias sem computadores, que foram para o conserto. Os garotos iam de mesa em mesa, tentando ligá-los, sem sucesso. E a gente na torcida para que eles se aproximassem dos livros. Aos poucos, eles pararam nas estantes e descobriram os exemplares. Eles são curiosos. Se você amplia o cardápio, eles se interessam. Dizer que pobre não gosta de cultura é puro preconceito. Eles têm muita fome de conhecimento. Alguns gostam tanto das obras que nem devolvem. Tem pessoas que chegam de manhã e só saem quando fecha. Teve uma menina que gostou tanto do livro ‘Mururu no Amazonas’, que transcreveu à mão as 82 páginas do exemplar para tê-lo em casa.

Quais são os títulos preferidos pelos usuários?
Os jovens gostam muito de filmes de comédia, de ação e de séries brasileiras. Eles levam vídeos do ‘Tropa de Elite’ e ‘Cidade de Deus’, que retratam a realidade deles. As mulheres preferem romance e filmes de época. No acervo de livros, os mais emprestados são ‘Harry Potter’, Sidney Sheldon, Stephen King e Nora Roberts. Os meninos levam a coleção do ‘Senhor dos Anéis’, ‘Crepúsculo’, e as meninas pegam todos os livros da Thalita Rebouças. Em apenas cinco meses, já temos 2.356 cadastrados e 10 mil livros emprestados desde a abertura, em abril.

As pessoas conservam as obras e respeitam os prazos de devolução?
Na primeira semana, os DVDs vinham danificados, com capas rasgadas. Chamamos as pessoas para conversar e pedimos que comprassem outro original para o acervo. O mais difícil é manter os banheiros limpos. Tem crianças que não sabiam o que era descarga porque moram em casas sem luz ou água encanada. Coisas básicas para nós são novas para eles. Agora estão mais conscientes. Já incorporaram que isso tudo aqui é deles. Os próprios usuários pedem que se fale mais baixo.

As famílias também frequentam a biblioteca?
Crianças e jovens atraem os pais e avós. As mães gostam muito de livros de receitas, que é uma fonte de renda para as famílias. Os universitários têm laptops à disposição para estudos. E os pequenos têm uma brinquedoteca com computadores só para eles. Aos sábados, há cursos de alfabetização digital. Eles têm aqui como a segunda casa.

A senhora sentiu redução na criminalidade, como aconteceu na Colômbia depois da implantação das bibliotecas?
Quando a comunidade ocupa o seu espaço, a violência diminui. Não vemos ninguém armado, mendigos, usuários de crack ou pichações na porta da biblioteca. Estamos fazendo uma revolução que vai atingir todas as famílias. Aqui é um lugar seguro, onde as pessoas se sentem bem. É muito melhor do que ir ao shopping center.

A senhora soube de algum jovem de Manguinhos que largou o tráfico atraído pelos livros?
Ainda não. Mas outro dia, um funcionário me contou que um traficante veio no turno da noite. Não aparentava estar armado. Deu boa-noite e pediu sugestão de livros de suspense. Depois pediu outro título de romance para a esposa. Agradeceu e foi embora. Quando terminaram os 15 dias de prazo, trouxe o livro. É um começo.

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