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sábado, 21 de novembro de 2009

Brasil: 113 mil escolas sem bibliotecas


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Rosely Boschini: 113 mil escolas sem bibliotecas
Fonte: Agência Brasil Que Lê. Data: 18/11/2009.
URL:
http://www.blogdogaleno.com.br/texto_ler.php?id=6732&secao=22
No comando de uma das instituições de maior prestígio no mundo da cultura no Brasil, a editora Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL) pela segunda vez, não têm dúvidas sobre os avanços obtidos no País durante a atual década no que diz respeito ao acesso aos livros e à leitura. Prova disso, diz, é o crescimento dos índices de leitura apontados pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil e os 95 milhões de leitores de livros espalhados pelo território nacional. Mas ela enumera pelo menos dois grandes problemas: a baixa adesão de estados e municípios, em 2009, aos planos estaduais do livro e leitura e, mais grave ainda, a existência de nada menos do que 113 mil escolas sem bibliotecas no País. Some-se a isso, alerta, “os grilhões do analfabetismo”, que atinge um entre cada dez brasileiros.
O Brasil está prestes a completar a primeira edição trienal (2006/2009) do seu primeiro Plano Nacional do Livro e Leitura. Isso é bom para o País?
A iniciativa foi excelente, na medida em que abriu oportunidades para o amplo engajamento do setor público e de instituições da sociedade civil no objetivo de estimular a leitura. No entanto, acredito que a principal meta prevista para 2009 — o fomento à criação dos planos estaduais e municipais — tenha ficado aquém das demandas do País quanto ao livro. É preciso maior proatividade e envolvimento de estados e municípios.O que o País avançou na atual década e, particularmente, nos últimos anos?Creio que seja possível dimensionar essa evolução em termos mais concretos por meio da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, entidade criada pela CBL, Snel e Abrelivros. Em sua última edição, o estudo identificou a existência de 95 milhões de leitores no País. Este público passou a ler, em sete anos, 4,7 títulos por habitante/ano. Este salto ocorreu em várias faixas importantes da sociedade, como, por exemplo, os jovens com mais de 15 anos e um mínimo de três anos de escolaridade (que leram 3,7 livros por ano, contra 1,8 apontado na pesquisa anterior). As estatísticas evidenciam que, em paralelo às indispensáveis políticas públicas, a mobilização da sociedade e do setor privado é imprescindível para inserir de modo pleno o Brasil na chamada sociedade do conhecimento.
O que ainda está por ser feito na área do livro e leitura?
Obviamente, o Brasil ainda precisa avançar muito em termos de inclusão social, distribuição de renda e educação, fatores exponenciais para que mais pessoas possam fazer da leitura um hábito cotidiano. O grande gargalo, contudo, é mesmo a educação, em especial no tocante à qualidade do ensino e estrutura das escolas públicas. Vejam este exemplo: dados do Censo Escolar 2008, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação, indicam que a falta de biblioteca é uma realidade em 113 mil escolas do Brasil. Isto é equivalente a 68,81% da rede pública! O problema não se limita à falta de livros. Em 2009, o orçamento federal para o envio de obras gerais à rede pública é de R$ 76,6 milhões. É um montante apreciável para as aquisições. Em 2008, as escolas receberam, em média, 39,6 livros cada uma, média muito razoável. E isto não inclui o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático). O que mais falta nas escolas é infraestrutura física de acessibilidade aos livros, ambiente adequado para leitura e pessoal capacitado para promoção e divulgação do hábito de ler.Somam-se a esse problema os grilhões do analfabetismo, uma triste realidade para um a cada dez brasileiros. Em números absolutos, são cerca de 15 milhões os maiores de 15 anos que não sabem ler e escrever, de acordo com o IBGE. Mais grave ainda é que 21,6% dos habitantes com mais de 15 anos são analfabetos funcionais, ou seja, indivíduos que não entendem o que leem. Os dados, incompatíveis com um país que almeja o desenvolvimento, explicam em grande parte o porquê de mais brasileiros não lerem. Precisamos eliminar tais obstáculos, que transcendem ao universo do mercado editorial, pois dizem respeito ao quadro socioeconômico do País.
Que papel a CBL enxerga para si como um dos atores sociais de relevância na questão do livro e da leitura no País?
A CBL tem um papel preponderante de incrementar o setor editorial por meio de ações para difundir e estimular a leitura. Para cumprir de modo adequado essa missão, definimos estratégias amparadas no desenvolvimento do negócio do livro, ações políticas que garantam peso institucional equivalente à importância do setor para o País e apoio ao trabalho dos agentes da cadeia produtiva. Nossas responsabilidades estão explícitas, em termos práticos, nas ações que temos desenvolvido em conjunto com as demais entidades do mercado. A primeira evidência desse esforço e contribuição está na oferta de livros. No período 2006/2008, foram lançados 57 mil novos títulos e impressos mais de um bilhão de exemplares, conforme a pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro”, realizada pela Fipe/USP para a CBL e o SNEL. O estudo também aponta significativa redução de preços. Se considerarmos os valores reais, ou seja, já descontado a inflação, de 2004 a 2008 a queda do preço médio efetivo do período foi de 22,4% no segmento de obras gerais, por exemplo. O fato de as entidades do setor terem reafirmado entendimento com o Ministério da Cultura para a criação do Fundo Pró-Livro também foi importante. O mercado editorial, cumprindo compromisso assumido há quatro anos, destinará um percentual de seu faturamento a essa finalidade. Há, ainda, duas iniciativas da CBL que apresentam consistente resultado: a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o principal momento do livro no Brasil, e o Prêmio Jabuti. Este, criado em 1959, chegou em 2009 à 51ª edição, contemplando 21 categorias e atingindo número recorde de inscrições, com 2.574 obras. Como se vê, o trabalho e o empenho são grandes para convertermos o Brasil em um país de leitores.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A leitura dos brasileiros


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Fonte: Correio do Povo (Porto Alegre, RS). Data: 12/08/2009.
Editorial
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) está anunciando que os livros tiveram redução de preços e aumento no número de leitores no país, o que se pode dizer que é uma notícia bastante promissora. A pesquisa foi realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe) de 2004 a 2008.
A diminuição do valor das obras pôde ser constatada tanto em termos reais, descontando-se a inflação, quanto nominais. A aquisição de livros didáticos pelo governo federal movimentou o mercado e, se comparados os anos de 2008 e 2007, houve até um pequeno incremento de valor unitário, por conta das compras para os livros a serem usados no ensino médio. Aliás, diga-se que essa foi uma saudável inovação, pois os alunos desse ciclo passaram a contar com material didático para ser usado em sala de aula, com reaproveitamento no ano seguinte.
O aumento na aquisição de livros por parte da população resultou em tiragens maiores, com a consequente diminuição do preço de capa. A venda total passou dos 2 bilhões de reais, com comercialização de mais de 200 milhões de exemplares. Houve um aumento em torno de 6% na receita das editoras.
Um outro dado significativo é que houve um aumento na média de livro lido por habitante. Em 2001, computava-se 1,8 livro por brasileiro. O levantamento agora indicou 3,7 obras per capita. Mais de 90 milhões de brasileiros afirmaram ter lido um livro no último trimestre. Tudo indica que há uma tendência de melhoria no processo de formação de novos leitores.
Muitos prognosticaram o fim do livro diante de novas mídias, principalmente em função da Internet. Os dados do estudo reafirmam a vitalidade desse instrumento do saber. Também é importante ressaltar que, hoje em dia, é comum encontrar os clássicos brasileiros a preços reduzidos, custando em torno de um dólar, em lojas do varejo. Isso aproxima o leitor do livro e desmitifica essa relação, removendo a ideia de objeto pouco acessível.
Um outro ponto que também deverá manter o mercado editorial em alta é a Reforma Ortográfica. Gramáticas, dicionários, vocabulários ortográficos e obras literárias serão editados na esteira de um maior interesse dos brasileiros pela leitura, melhorando sua formação cultural.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Em defesa do livro


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Em defesa do livro
Fonte: Zero HoraRedação

Numa agitada eleição para a escolha da diretoria que vai comandar a Câmara Brasileira do Livro (CBL) no biênio 2009/2011, na quarta-feira passada, a atual presidente Rosely Boschini foi reeleita com 185 dos 238 votos. A CBL tem 554 associados e promove a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, além de conceder o prestigiado Prêmio Jabuti. Rosely Boschini derrotou o candidato da chapa Mudança & Participação, Armando Antongini Filho, que recebeu 52 votos e acusava a atual diretoria de firmar um acordo irregular com uma empresa de marketing para captação de recursos incentivados pela Lei Rouanet. Houve apenas um voto nulo. Entre as propostas da presidente, que concedeu uma entrevista antes da eleição, está a reformulação da Bienal do Livro e a expansão dos festivais literários.
Pergunta – Como o Brasil pode se tornar um país de leitores?
Rosely Boschini – O Brasil deu passos importantes nos últimos anos. A adoção da Lei do Livro, a desoneração fiscal e a criação do Plano Nacional do Livro e Leitura são alguns deles, e a CBL esteve entre os protagonistas. Os editores, que têm feito do Brasil o oitavo maior produtor de livros do mundo, fazem sua parte, publicando livros de qualidade e procurando, com distribuidores e livreiros, colocá-los ao alcance dos leitores. Mas está na hora de avançar mais rápido. Precisamos de mais investimentos em educação e cultura e de políticas públicas capazes de garantir maior acesso aos livros nas livrarias e nas bibliotecas públicas.
Pergunta – Quais os efeitos da pirataria do livro no país?
Rosely – Autores e indústria editorial perdem, em todo o mundo, bilhões de dólares ao ano, causando prejuízos muitas vezes insustentáveis que inibem novos investimentos. Temos buscado esclarecer leitores, autoridades e universidades sobre as consequências danosas para a sociedade. É certo que é preciso distinguir entre pirataria e o uso comercial abusivo de produtos produzidos legalmente por empresas que pagam impostos, com exceções já previstas nas leis, em especial a Lei de Direitos Autorais. Por isso, a CBL tem defendido uma ação combinada entre educação, repressão pontual com base na legislação e diálogo permanente com as autoridades.
Pergunta – O que a senhora pensa sobre a mudança na lei do direito autoral proposta pelo governo (veja quadro ao lado)?
Rosely – É preciso ter a compreensão de que a propriedade intelectual é um bem jurídico. Receio que a mudança na legislação autoral possa causar insegurança jurídica aos detentores de direitos autorais e prejudicar os investimentos na criação, na produção e na difusão da cultura escrita. Estamos acompanhando as propostas de alteração, ainda sob análise do Ministério da Cultura, e criamos um grupo de trabalho, representativo de quase 30 entidades, para dialogar e defender as posições do setor junto ao governo. Para chegar a uma proposta viável, o Estado deve criar mecanismos que permitam o livre acesso à cultura e resguardem os autores e detentores de direitos autorais.
Pergunta – De que forma a CBL pode participar ativamente da expansão de mercados literários como áudio-livros, e-books etc.?
Rosely – Uma das ações que a CBL tem feito é buscar, por meio da Escola do Livro, a capacitação profissional do setor nessa área. Vamos intensificar a promoção de debates sobre políticas públicas e mercadológicas com especialistas da área e criar uma agenda para discutir temas como a proteção aos direitos autorais no ambiente digital. Ao mesmo tempo, vamos apoiar inúmeras ações pontuais, como a CBL tem feito, por exemplo, com as entidades que investem no audio-livro como meio para democratizar o acesso de portadores de qualquer tipo de deficiência à leitura.
Pergunta – Como se posiciona a CBL diante da apreensão do mercado editorial com o abalo na economia mundial?
Rosely – Temos trabalhado em duas frentes: uma para fortalecer as relações institucionais com o governo, que melhoraram nos últimos anos; a outra para capacitar empresários e profissionais da área. É importante ter em mente que, embora grave, a crise é passageira. Por isso, é fundamental que os investimentos em educação continuem a ser encarados como prioridade do governo, o principal comprador de livros do país. Outro desafio é com relação ao crédito. Os empresários do livro não dispõem de linhas especiais de financiamento. Isso deve ser revisto.

Reforma da Lei de Direitos Autorais Até o segundo semestre, o governo deve apresentar um projeto de reforma à Lei de Direitos Autorais que traz pontos polêmicos, como a limitação da exclusividade do direito do autor em determinadas situações em que a “função social” assim exija – ou uma autonomia maior do artista para definir a forma de seus direitos.

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