Fonte: Folha de S. Paulo Online. Data: 4/12/2009.
O Ministério da Cultura abriu a licitação para uma campanha de incentivo da leitura em todo o país. Foram habilitadas 17 agências de publicidade, que vão disputar uma verba de R$ 14 milhões, informa a CBL (Câmara Brasileira do Livro).
O objetivo do MinC é reduzir o número de cidades sem bibliotecas públicas. O último dado disponível mostra que cerca de 40% dos 5.000 municípios brasileiros estavam nessa condição.
No mês passado, o Instituto Pró-Livro divulgou que só 7,5% dos brasileiros compram livros. A média é de um único título por ano. Nos Estados Unidos, o número é dez vezes maior. Na América do Sul, os colombianos consomem dois livros por ano.
São Paulo
No último dia 24 de novembro, a Prefeitura de São Paulo e a CBL lançaram a 3ª edição do projeto "Minha Biblioteca", com previsão de distribuir 1 milhão de livros para cerca de 500 mil alunos da rede municipal de ensino. O objetivo do projeto é motivar os alunos da rede pública a criarem o hábito da leitura.
Comentário:
Ninguém sabe ao certo o número de municípios brasileiros que não possuem biblioteca pública. O último levantamento oficial apontou cerca de 40%; recentemente o Ministério da Cultura informou que esse número era em torno de 10%! Assim, é urgente que se faça um levantamento, se possível usando a experiência, confiabilidade e estrutura do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa estatística negativa depõe contra os programas do Ministério da Cultura (MINC) e perpetua a falta de acesso a esse tipo de equipamento cultural por milhões de brasileiros. Também não basta a inauguração do prédio da biblioteca e uns parcos volumes em seu acervo emergente. Para que ela tenha sustentabilidade é importante a contratação de bibliotecários que possam gerenciar e dinamizar essas bibliotecas públicas.
Murilo Cunha
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Brasil tem 40% das cidades sem biblioteca
0 Comentários quarta-feira, dezembro 09, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: acesso cultural, biblioteca pública
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Livreiros testam ''dia do download''
0 Comentários sexta-feira, outubro 16, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: acesso cultural, comércio livreiro, Feira do Livro de Frankfurt
Fonte: Folha de S. Paulo Online. Data: 14/10/2009.
Em meio à insegurança por causa da crise econômica e à revolução digital, a Feira do Livro de Frankfurt abriu nesta quarta-feira (14) ao público. Apesar do momento, os primeiros dados oficiais sobre o número de expositores não refletem uma queda dramática.
No ano passado, 3.337 expositores participaram do evento, uma ligeira baixa em comparação aos 3.312 inscritos nesta edição. Para os especialistas, o pequeno recuo representa a consolidação do setor por meio das fusões.
No entanto, a menor participação de visitantes na feira fica evidente em uma caminhada pelos pavilhões, na comparação com as edições anteriores.
"É incrível poder caminhar sem ser empurrado", comentou um editor após a abertura da feira.
Os editores alemães não sofreram muito com a crise --o setor cresceu 2,8% neste ano-- mas em outros países, especialmente no mundo anglo-saxão, houve queda nas vendas, como disse o diretor da feira, Jürgen Boos.
Há tempos Boos vem insistindo que a pergunta-chave do momento é como o setor editorial pode fechar negócios com conteúdos digitais e ressaltou que a busca de uma resposta pode tornar esta edição da feira uma das mais importantes da história.
Dia do download
Os livreiros alemães lançaram nesta quarta uma iniciativa que pode ser vista como uma tentativa de responder a pergunta. Trata-se de "Download-days", uma atividade que será realizada durante a feira com a participação de Herta Müller, ganhadora do último Prêmio Nobel de Literatura, com sua obra "Atemschaukel".
Em cada um dos dias da feira, os editoriais darão acesso livre a um título que estará pendurado em plataforma digital libreka.de, da Associação de Livreiros Alemães.
Com a abertura limitada, espera-se que os leitores fiquem tentados a comprar os livros, seja no formato digital ou no tradicional. No entanto, há quem duvide da estratégia e considere difícil manter o interesse de compra de um produto que no primeiro momento foi oferecido gratuitamente.
A iniciativa abriu com "Couch Surfing" de Brian Thacker, e segue amanhã com "Atemschaukel". Depois será a vez de "Welt aus Glas", de Ernst-Wilhelm Handler, "Glücklicher Hund", de Nadja Kneissler, e "Adam und Evelyn", de Ingo Schulze.
Após a feira, a plataforma terá continuidade, mas não será diária. Um título ficará à disposição dos leitores todas as terças. As obras digitais oferecidas na feira são romances, com exceção de "Glücklicher Hund", um manual de psicologia canina. Libreka.de está sendo considerada pelos livreiros como uma alternativa ao programa de digitalização do Google, com a vantagem de ser controlado pelas editoras.
Embora os leitores eletrônicos não tenham aderido na Europa com a velocidade estimada há um ano, quando foram apresentados na Feira de Frankfurt, um especialista dos livreiros alemães, Roland Schil, demonstrou convicção que chegará o dia em que essas ferramentas se tornarão parte do cotidiano. Para isso, Schil é imprescindível que os leitores eletrônicos incluam além de livros, outros conteúdos, como jornais.
Em meio à insegurança por causa da crise econômica e à revolução digital, a Feira do Livro de Frankfurt abriu nesta quarta-feira (14) ao público. Apesar do momento, os primeiros dados oficiais sobre o número de expositores não refletem uma queda dramática.
No ano passado, 3.337 expositores participaram do evento, uma ligeira baixa em comparação aos 3.312 inscritos nesta edição. Para os especialistas, o pequeno recuo representa a consolidação do setor por meio das fusões.
No entanto, a menor participação de visitantes na feira fica evidente em uma caminhada pelos pavilhões, na comparação com as edições anteriores.
"É incrível poder caminhar sem ser empurrado", comentou um editor após a abertura da feira.
Os editores alemães não sofreram muito com a crise --o setor cresceu 2,8% neste ano-- mas em outros países, especialmente no mundo anglo-saxão, houve queda nas vendas, como disse o diretor da feira, Jürgen Boos.
Há tempos Boos vem insistindo que a pergunta-chave do momento é como o setor editorial pode fechar negócios com conteúdos digitais e ressaltou que a busca de uma resposta pode tornar esta edição da feira uma das mais importantes da história.
Dia do download
Os livreiros alemães lançaram nesta quarta uma iniciativa que pode ser vista como uma tentativa de responder a pergunta. Trata-se de "Download-days", uma atividade que será realizada durante a feira com a participação de Herta Müller, ganhadora do último Prêmio Nobel de Literatura, com sua obra "Atemschaukel".
Em cada um dos dias da feira, os editoriais darão acesso livre a um título que estará pendurado em plataforma digital libreka.de, da Associação de Livreiros Alemães.
Com a abertura limitada, espera-se que os leitores fiquem tentados a comprar os livros, seja no formato digital ou no tradicional. No entanto, há quem duvide da estratégia e considere difícil manter o interesse de compra de um produto que no primeiro momento foi oferecido gratuitamente.
A iniciativa abriu com "Couch Surfing" de Brian Thacker, e segue amanhã com "Atemschaukel". Depois será a vez de "Welt aus Glas", de Ernst-Wilhelm Handler, "Glücklicher Hund", de Nadja Kneissler, e "Adam und Evelyn", de Ingo Schulze.
Após a feira, a plataforma terá continuidade, mas não será diária. Um título ficará à disposição dos leitores todas as terças. As obras digitais oferecidas na feira são romances, com exceção de "Glücklicher Hund", um manual de psicologia canina. Libreka.de está sendo considerada pelos livreiros como uma alternativa ao programa de digitalização do Google, com a vantagem de ser controlado pelas editoras.
Embora os leitores eletrônicos não tenham aderido na Europa com a velocidade estimada há um ano, quando foram apresentados na Feira de Frankfurt, um especialista dos livreiros alemães, Roland Schil, demonstrou convicção que chegará o dia em que essas ferramentas se tornarão parte do cotidiano. Para isso, Schil é imprescindível que os leitores eletrônicos incluam além de livros, outros conteúdos, como jornais.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Ser e estar livreiro em tempos modernos
0 Comentários sexta-feira, agosto 21, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: acesso cultural, comércio livreiro, livro eletrônico
Autor: Vitor Tavares. Data: 19/8/2009.
Fonte: Brasil que Lê - Agência de Notícias.
Em tempos antigos, nas mais diversas civilizações, a leitura e o saber formavam um misto de paixão e poder a que apenas os mais privilegiados tinham acesso. Nos tempos modernos, essa paixão ainda persiste - para muitos, com o mesmo entusiasmo -, mas o acesso tornou-se bem mais democrático. Ferramentas de comunicação, em suas mais modernas formas tecnológicas, e o livro, um dos principais vetores do saber, convivem democraticamente disseminando o conhecimento.Mesmo assim, para os pessimistas, o livro e o exercício da atividade do livreiro estariam com os dias contados, quase uma visão apocalíptica do fim dos tempos. Os mais nostálgicos se lembram das lojas de discos, superespecializadas e cobiçadas, que desapareceram no tempo. Cabe a nós, livreiros, então, a sobrevivência desse segmento.
Entretanto, não nos podemos iludir. Vivemos hoje na era do conhecimento e da informação: o que é novidade num curto espaço de tempo se torna ultrapassado. Opções eletrônicas para a leitura, como o E-Book, o Kindle, o Reader e outras tecnologias, brevemente baterão à nossa porta e os novos leitores, que cresceram convivendo com os smart fones, acesso à banda larga e computadores de última geração, não terão dificuldades com o novo. Portanto, as livrarias, as editoras e distribuidoras devem preparar-se para o hoje. O hoje já é o futuro, não haverá outro caminho senão a atualização, a informação e o conhecimento.
A inovação e a criatividade do livreiro serão as principais ferramentas para enfrentar os novos tempos. Já vislumbro os leitores "baixando" legalmente o conteúdo digital em seus E-Books, diretamente nos caixas das livrarias, como ocorre atualmente com os celulares pré-pagos nos caixas dos supermercados. Acompanhar e adotar as novas tecnologias é o caminho.
O livro físico não desaparecerá das prateleiras das livrarias, mas o eletrônico, rapidamente, estará presente em nossa vida e caminhará paralelamente ao livro físico, sem sombra de dúvida. Precisamos, sim, incentivar cada vez mais as pequenas e médias livrarias a privilegiarem o livro como o seu principal produto de venda.
O sucesso de uma livraria, na minha opinião, está calcado em quatro vertentes: bom atendimento, prestação de serviço, bom sistema de informação (automação comercial) e acervo rico e atualizado.
Quando falo de acervo rico e atualizado, reconheço que não é fácil mantê-lo com capital próprio, e, aí, sim, a aquisição de livros via sistema de consignação ajuda. Porém me preocupo muito quando vejo que algumas livrarias trabalham com quase 100% de seu estoque consignado. Penso que um bom livreiro, para atingir o sucesso financeiro no médio prazo, precisa, na medida do possível, capitalizar a sua livraria - um bom acervo é a verdadeira "poupança" do livreiro. Livrarias que dispõem de bons livros em seus estoques em momento de aperto financeiro, como o atual, poderão diminuir suas compras e só adquirir as novidades, os best sellers, e trabalhar sob encomendas; com o acervo próprio (poupança) terão gorduras para queimar e se capitalizar novamente. O ideal é trabalhar de forma híbrida: parte adquirida, parte consignada.Outro problema das consignações é o controle - se ele for falho, poderá prejudicar não só o livreiro, como também o distribuidor e o editor. A consignação é sempre uma boa estratégia de negociação, especialmente em eventos, lançamentos e por um período predeterminado. Se permanente, deve ser muito bem estudada e planejada pelas partes envolvidas - livreiro, distribuidor e editor. Sem falar que hoje, conforme regulamentação da Receita Federal, todas as consignações devem ter um período determinado. É trabalhoso e, sem um controle adequado e um bom sistema de informática, quase impossível de controlar.
Mesmo com todas essas dificuldades que estamos atravessando, esperamos um crescimento entre 3% e 5%, o que, para este ano, podemos considerar bom - acima desse porcentual, somente as livrarias que estavam capitalizadas, que mantiveram seus investimentos e abriram novas lojas e/ou ampliaram as já existentes. É óbvio que as redes que abrirem novas livrarias passarão a vender mais, porém não sei se com a mesma rentabilidade. As médias e independentes terão de usar muita criatividade e recorrer a parcerias para manterem, pelo menos, o faturamento do ano anterior.
Sem dúvida, ainda corremos o risco de fechamento de livrarias de pequeno e médio porte, provocando uma concentração ainda maior do setor. Temos consciência de que a sobrevivência delas, que hoje representam 65% desse mercado, ainda é muito temerosa. Consequência, em primeiro lugar, de práticas comerciais predatórias, em especial de alguns sites que também comercializam livros e de alguns varejistas do setor; segundo, em razão dos custos elevados para manter uma livraria aberta; terceiro, carência do hábito de leitura da população em geral; quarto, há também, em alguns casos, o problema de gestão administrativa e de carência de profissionais capacitados para o varejo livreiro; e, por último, a falta de ações governamentais específicas em defesa das livrarias - que tenham como foco a sobrevivência delas -, como o incentivo à abertura de novas livrarias fora dos grandes centros.
Hoje, cerca de 1.600 municípios, em todo o Brasil, não têm sequer uma livraria. O que vemos, então, é que não serão os livros eletrônicos e as novas tecnologias de comunicação os nossos principais predadores.
Vitor Tavares, executivo na área de livrarias há 20 anos, é presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e diretor das Livrarias Loyola.
(Reprodução autorizada mediante citação da 'Brasil que Lê - Agência de Notícias')
Contato: agencia@brasilquele.com.br
Fonte: Brasil que Lê - Agência de Notícias.
Em tempos antigos, nas mais diversas civilizações, a leitura e o saber formavam um misto de paixão e poder a que apenas os mais privilegiados tinham acesso. Nos tempos modernos, essa paixão ainda persiste - para muitos, com o mesmo entusiasmo -, mas o acesso tornou-se bem mais democrático. Ferramentas de comunicação, em suas mais modernas formas tecnológicas, e o livro, um dos principais vetores do saber, convivem democraticamente disseminando o conhecimento.Mesmo assim, para os pessimistas, o livro e o exercício da atividade do livreiro estariam com os dias contados, quase uma visão apocalíptica do fim dos tempos. Os mais nostálgicos se lembram das lojas de discos, superespecializadas e cobiçadas, que desapareceram no tempo. Cabe a nós, livreiros, então, a sobrevivência desse segmento.
Entretanto, não nos podemos iludir. Vivemos hoje na era do conhecimento e da informação: o que é novidade num curto espaço de tempo se torna ultrapassado. Opções eletrônicas para a leitura, como o E-Book, o Kindle, o Reader e outras tecnologias, brevemente baterão à nossa porta e os novos leitores, que cresceram convivendo com os smart fones, acesso à banda larga e computadores de última geração, não terão dificuldades com o novo. Portanto, as livrarias, as editoras e distribuidoras devem preparar-se para o hoje. O hoje já é o futuro, não haverá outro caminho senão a atualização, a informação e o conhecimento.
A inovação e a criatividade do livreiro serão as principais ferramentas para enfrentar os novos tempos. Já vislumbro os leitores "baixando" legalmente o conteúdo digital em seus E-Books, diretamente nos caixas das livrarias, como ocorre atualmente com os celulares pré-pagos nos caixas dos supermercados. Acompanhar e adotar as novas tecnologias é o caminho.
O livro físico não desaparecerá das prateleiras das livrarias, mas o eletrônico, rapidamente, estará presente em nossa vida e caminhará paralelamente ao livro físico, sem sombra de dúvida. Precisamos, sim, incentivar cada vez mais as pequenas e médias livrarias a privilegiarem o livro como o seu principal produto de venda.
O sucesso de uma livraria, na minha opinião, está calcado em quatro vertentes: bom atendimento, prestação de serviço, bom sistema de informação (automação comercial) e acervo rico e atualizado.
Quando falo de acervo rico e atualizado, reconheço que não é fácil mantê-lo com capital próprio, e, aí, sim, a aquisição de livros via sistema de consignação ajuda. Porém me preocupo muito quando vejo que algumas livrarias trabalham com quase 100% de seu estoque consignado. Penso que um bom livreiro, para atingir o sucesso financeiro no médio prazo, precisa, na medida do possível, capitalizar a sua livraria - um bom acervo é a verdadeira "poupança" do livreiro. Livrarias que dispõem de bons livros em seus estoques em momento de aperto financeiro, como o atual, poderão diminuir suas compras e só adquirir as novidades, os best sellers, e trabalhar sob encomendas; com o acervo próprio (poupança) terão gorduras para queimar e se capitalizar novamente. O ideal é trabalhar de forma híbrida: parte adquirida, parte consignada.Outro problema das consignações é o controle - se ele for falho, poderá prejudicar não só o livreiro, como também o distribuidor e o editor. A consignação é sempre uma boa estratégia de negociação, especialmente em eventos, lançamentos e por um período predeterminado. Se permanente, deve ser muito bem estudada e planejada pelas partes envolvidas - livreiro, distribuidor e editor. Sem falar que hoje, conforme regulamentação da Receita Federal, todas as consignações devem ter um período determinado. É trabalhoso e, sem um controle adequado e um bom sistema de informática, quase impossível de controlar.
Mesmo com todas essas dificuldades que estamos atravessando, esperamos um crescimento entre 3% e 5%, o que, para este ano, podemos considerar bom - acima desse porcentual, somente as livrarias que estavam capitalizadas, que mantiveram seus investimentos e abriram novas lojas e/ou ampliaram as já existentes. É óbvio que as redes que abrirem novas livrarias passarão a vender mais, porém não sei se com a mesma rentabilidade. As médias e independentes terão de usar muita criatividade e recorrer a parcerias para manterem, pelo menos, o faturamento do ano anterior.
Sem dúvida, ainda corremos o risco de fechamento de livrarias de pequeno e médio porte, provocando uma concentração ainda maior do setor. Temos consciência de que a sobrevivência delas, que hoje representam 65% desse mercado, ainda é muito temerosa. Consequência, em primeiro lugar, de práticas comerciais predatórias, em especial de alguns sites que também comercializam livros e de alguns varejistas do setor; segundo, em razão dos custos elevados para manter uma livraria aberta; terceiro, carência do hábito de leitura da população em geral; quarto, há também, em alguns casos, o problema de gestão administrativa e de carência de profissionais capacitados para o varejo livreiro; e, por último, a falta de ações governamentais específicas em defesa das livrarias - que tenham como foco a sobrevivência delas -, como o incentivo à abertura de novas livrarias fora dos grandes centros.
Hoje, cerca de 1.600 municípios, em todo o Brasil, não têm sequer uma livraria. O que vemos, então, é que não serão os livros eletrônicos e as novas tecnologias de comunicação os nossos principais predadores.
Vitor Tavares, executivo na área de livrarias há 20 anos, é presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e diretor das Livrarias Loyola.
(Reprodução autorizada mediante citação da 'Brasil que Lê - Agência de Notícias')
Contato: agencia@brasilquele.com.br
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Você consome cultura?
Você consome cultura? Gasto com produtos culturais em regiões metropolitanas do Brasil é baixo, avalia estudo
Autora: Barbara Marcolini.
Fonte: Ciência Hoje On-line. Data: 28/07/2009..
URL: http://cienciahoje.uol.com.br/149934
Apenas 40% dos moradores de regiões metropolitanas brasileiras gastam dinheiro com cultura. Foi o que constatou um estudo que levou em conta as despesas da população com diversas atividades culturais, da compra de CDs a ingressos de peças de teatro. Além do baixo consumo, a pesquisa também confirmou a tendência elitista desses produtos, que são pouco adquiridos pela parcela da população com menor renda e escolaridade.
O estudo baseou-se nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada entre 2002 e 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economista Sibelle Diniz, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou e comparou os gastos com produtos e atividades culturais dos lares de nove regiões metropolitanas – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém – e do Distrito Federal. Características como idade, escolaridade e renda dos indivíduos também foram relacionadas aos seus hábitos de consumo.
Menos da metade dos moradores de grandes cidades brasileiras destina alguma parte de sua renda ao consumo de produtos culturais, como livros, CDs e ingressos para teatro ou cinema. Entre os produtos culturais considerados no trabalho estão artigos de áudio, vídeo, leitura e arte, além de ingressos de teatro, shows, cinema, museus e estádios. Instrumentos musicais, aparelhos de televisão, máquinas fotográficas e gastos com internet e TV por assinatura também foram incluídos.
A avaliação, realizada durante o mestrado de Diniz na UFMG, mostra que quem tem maior renda e escolaridade consome mais produtos culturais. Mas alguns dados surpreenderam a pesquisadora. Por exemplo: Rio de Janeiro e São Paulo, apesar de apresentarem as maiores ofertas de infra-estrutura cultural (casas de shows, teatros, museus e centros culturais) não lideram a lista de gastos, encabeçada pelas regiões metropolitanas de Salvador e Recife.
“Uma hipótese para esse cenário no Sudeste seria a maior oferta de eventos gratuitos”, sugere Diniz. “Mas alguns problemas relacionados à urbanização dessas áreas também podem estar afastando o público, como o custo do transporte e a criminalidade.” A análise também aponta particularidades do consumo de cada região. No Norte e Nordeste do país prevalecem gastos com CDs e apresentações musicais. Já no Sul e Sudeste, embora o consumo de CDs esteja no topo da lista, há um gasto acima da média com cinema e teatro. “A oferta em cada região expressa o envolvimento de sua população com a arte”, avalia a economista. “No Nordeste, por exemplo, a música popular é muito forte na composição da identidade cultural.”
Ausência de hábitos culturais
Quanto aos 60% da população que não reservam qualquer fração da sua renda a produtos culturais, a economista não tem dúvidas: mais do que o custo, é a falta de hábito que os afasta da cultura. “A pessoa consome aquilo a que está exposta; ela não tem interesse por algo que não conhece”, justifica. Para a pesquisadora, é preocupante o fato de mais da metade da população ter acesso somente aos produtos culturais divulgados pela grande mídia, como o rádio e a televisão. Mas a culpa não é somente do consumidor: Diniz acusa as próprias entidades culturais de serem excludentes. “As atividades culturais oferecidas muitas vezes são voltadas às classes mais abastadas. Logo, as pessoas de baixa renda não se sentem parte desse universo.” A solução apontada pela economista para aumentar o consumo cultural dessa parcela da população inclui os produtores de cultura. “É preciso aproximar demanda e oferta, com uma política voltada para o consumidor”, sugere. Por outro lado, também seria necessário que os consumidores ampliassem os seus interesses. “Nesse aspecto, a educação faz toda a diferença”, destaca Diniz. “Se essa população recebesse uma educação artística de qualidade, talvez valorizasse um pouco mais a cultura.”
Autora: Barbara Marcolini.
Fonte: Ciência Hoje On-line. Data: 28/07/2009..
URL: http://cienciahoje.uol.com.br/149934
Apenas 40% dos moradores de regiões metropolitanas brasileiras gastam dinheiro com cultura. Foi o que constatou um estudo que levou em conta as despesas da população com diversas atividades culturais, da compra de CDs a ingressos de peças de teatro. Além do baixo consumo, a pesquisa também confirmou a tendência elitista desses produtos, que são pouco adquiridos pela parcela da população com menor renda e escolaridade.
O estudo baseou-se nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada entre 2002 e 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economista Sibelle Diniz, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou e comparou os gastos com produtos e atividades culturais dos lares de nove regiões metropolitanas – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém – e do Distrito Federal. Características como idade, escolaridade e renda dos indivíduos também foram relacionadas aos seus hábitos de consumo.
Menos da metade dos moradores de grandes cidades brasileiras destina alguma parte de sua renda ao consumo de produtos culturais, como livros, CDs e ingressos para teatro ou cinema. Entre os produtos culturais considerados no trabalho estão artigos de áudio, vídeo, leitura e arte, além de ingressos de teatro, shows, cinema, museus e estádios. Instrumentos musicais, aparelhos de televisão, máquinas fotográficas e gastos com internet e TV por assinatura também foram incluídos.
A avaliação, realizada durante o mestrado de Diniz na UFMG, mostra que quem tem maior renda e escolaridade consome mais produtos culturais. Mas alguns dados surpreenderam a pesquisadora. Por exemplo: Rio de Janeiro e São Paulo, apesar de apresentarem as maiores ofertas de infra-estrutura cultural (casas de shows, teatros, museus e centros culturais) não lideram a lista de gastos, encabeçada pelas regiões metropolitanas de Salvador e Recife.
“Uma hipótese para esse cenário no Sudeste seria a maior oferta de eventos gratuitos”, sugere Diniz. “Mas alguns problemas relacionados à urbanização dessas áreas também podem estar afastando o público, como o custo do transporte e a criminalidade.” A análise também aponta particularidades do consumo de cada região. No Norte e Nordeste do país prevalecem gastos com CDs e apresentações musicais. Já no Sul e Sudeste, embora o consumo de CDs esteja no topo da lista, há um gasto acima da média com cinema e teatro. “A oferta em cada região expressa o envolvimento de sua população com a arte”, avalia a economista. “No Nordeste, por exemplo, a música popular é muito forte na composição da identidade cultural.”
Ausência de hábitos culturais
Quanto aos 60% da população que não reservam qualquer fração da sua renda a produtos culturais, a economista não tem dúvidas: mais do que o custo, é a falta de hábito que os afasta da cultura. “A pessoa consome aquilo a que está exposta; ela não tem interesse por algo que não conhece”, justifica. Para a pesquisadora, é preocupante o fato de mais da metade da população ter acesso somente aos produtos culturais divulgados pela grande mídia, como o rádio e a televisão. Mas a culpa não é somente do consumidor: Diniz acusa as próprias entidades culturais de serem excludentes. “As atividades culturais oferecidas muitas vezes são voltadas às classes mais abastadas. Logo, as pessoas de baixa renda não se sentem parte desse universo.” A solução apontada pela economista para aumentar o consumo cultural dessa parcela da população inclui os produtores de cultura. “É preciso aproximar demanda e oferta, com uma política voltada para o consumidor”, sugere. Por outro lado, também seria necessário que os consumidores ampliassem os seus interesses. “Nesse aspecto, a educação faz toda a diferença”, destaca Diniz. “Se essa população recebesse uma educação artística de qualidade, talvez valorizasse um pouco mais a cultura.”
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Você consome cultura?
0 Comentários sexta-feira, julho 31, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: Acesso à Informação, acesso cultural, Brasil, economia da informação
Autora: Barbara Marcolini
Data: 28/07/2009.
Fonte: Ciência Hoje On-line.
Gasto com produtos culturais em regiões metropolitanas do Brasil é baixo, avalia estudo
Apenas 40% dos moradores de regiões metropolitanas brasileiras gastam dinheiro com cultura. Foi o que constatou um estudo que levou em conta as despesas da população com diversas atividades culturais, da compra de CDs a ingressos de peças de teatro. Além do baixo consumo, a pesquisa também confirmou a tendência elitista desses produtos, que são pouco adquiridos pela parcela da população com menor renda e escolaridade.
O estudo baseou-se nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada entre 2002 e 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economista Sibelle Diniz, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou e comparou os gastos com produtos e atividades culturais dos lares de nove regiões metropolitanas – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém – e do Distrito Federal. Características como idade, escolaridade e renda dos indivíduos também foram relacionadas aos seus hábitos de consumo.
Entre os produtos culturais considerados no trabalho estão artigos de áudio, vídeo, leitura e arte, além de ingressos de teatro, shows, cinema, museus e estádios. Instrumentos musicais, aparelhos de televisão, máquinas fotográficas e gastos com internet e TV por assinatura também foram incluídos.
A avaliação, realizada durante o mestrado de Diniz na UFMG, mostra que quem tem maior renda e escolaridade consome mais produtos culturais. Mas alguns dados surpreenderam a pesquisadora. Por exemplo: Rio de Janeiro e São Paulo, apesar de apresentarem as maiores ofertas de infra-estrutura cultural (casas de shows, teatros, museus e centros culturais) não lideram a lista de gastos, encabeçada pelas regiões metropolitanas de Salvador e Recife.
“Uma hipótese para esse cenário no Sudeste seria a maior oferta de eventos gratuitos”, sugere Diniz. “Mas alguns problemas relacionados à urbanização dessas áreas também podem estar afastando o público, como o custo do transporte e a criminalidade.”
A análise também aponta particularidades do consumo de cada região. No Norte e Nordeste do país prevalecem gastos com CDs e apresentações musicais. Já no Sul e Sudeste, embora o consumo de CDs esteja no topo da lista, há um gasto acima da média com cinema e teatro. “A oferta em cada região expressa o envolvimento de sua população com a arte”, avalia a economista. “No Nordeste, por exemplo, a música popular é muito forte na composição da identidade cultural.”
Ausência de hábitos culturais Quanto aos 60% da população que não reservam qualquer fração da sua renda a produtos culturais, a economista não tem dúvidas: mais do que o custo, é a falta de hábito que os afasta da cultura. “A pessoa consome aquilo a que está exposta; ela não tem interesse por algo que não conhece”, justifica.
Para a pesquisadora, é preocupante o fato de mais da metade da população ter acesso somente aos produtos culturais divulgados pela grande mídia, como o rádio e a televisão. Mas a culpa não é somente do consumidor: Diniz acusa as próprias entidades culturais de serem excludentes. “As atividades culturais oferecidas muitas vezes são voltadas às classes mais abastadas. Logo, as pessoas de baixa renda não se sentem parte desse universo.”
A solução apontada pela economista para aumentar o consumo cultural dessa parcela da população inclui os produtores de cultura. “É preciso aproximar demanda e oferta, com uma política voltada para o consumidor”, sugere. Por outro lado, também seria necessário que os consumidores ampliassem os seus interesses. “Nesse aspecto, a educação faz toda a diferença”, destaca Diniz. “Se essa população recebesse uma educação artística de qualidade, talvez valorizasse um pouco mais a cultura.”
Data: 28/07/2009.
Fonte: Ciência Hoje On-line.
Gasto com produtos culturais em regiões metropolitanas do Brasil é baixo, avalia estudo
Apenas 40% dos moradores de regiões metropolitanas brasileiras gastam dinheiro com cultura. Foi o que constatou um estudo que levou em conta as despesas da população com diversas atividades culturais, da compra de CDs a ingressos de peças de teatro. Além do baixo consumo, a pesquisa também confirmou a tendência elitista desses produtos, que são pouco adquiridos pela parcela da população com menor renda e escolaridade.
O estudo baseou-se nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar, realizada entre 2002 e 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A economista Sibelle Diniz, pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), identificou e comparou os gastos com produtos e atividades culturais dos lares de nove regiões metropolitanas – Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém – e do Distrito Federal. Características como idade, escolaridade e renda dos indivíduos também foram relacionadas aos seus hábitos de consumo.
Entre os produtos culturais considerados no trabalho estão artigos de áudio, vídeo, leitura e arte, além de ingressos de teatro, shows, cinema, museus e estádios. Instrumentos musicais, aparelhos de televisão, máquinas fotográficas e gastos com internet e TV por assinatura também foram incluídos.
A avaliação, realizada durante o mestrado de Diniz na UFMG, mostra que quem tem maior renda e escolaridade consome mais produtos culturais. Mas alguns dados surpreenderam a pesquisadora. Por exemplo: Rio de Janeiro e São Paulo, apesar de apresentarem as maiores ofertas de infra-estrutura cultural (casas de shows, teatros, museus e centros culturais) não lideram a lista de gastos, encabeçada pelas regiões metropolitanas de Salvador e Recife.
“Uma hipótese para esse cenário no Sudeste seria a maior oferta de eventos gratuitos”, sugere Diniz. “Mas alguns problemas relacionados à urbanização dessas áreas também podem estar afastando o público, como o custo do transporte e a criminalidade.”
A análise também aponta particularidades do consumo de cada região. No Norte e Nordeste do país prevalecem gastos com CDs e apresentações musicais. Já no Sul e Sudeste, embora o consumo de CDs esteja no topo da lista, há um gasto acima da média com cinema e teatro. “A oferta em cada região expressa o envolvimento de sua população com a arte”, avalia a economista. “No Nordeste, por exemplo, a música popular é muito forte na composição da identidade cultural.”
Ausência de hábitos culturais Quanto aos 60% da população que não reservam qualquer fração da sua renda a produtos culturais, a economista não tem dúvidas: mais do que o custo, é a falta de hábito que os afasta da cultura. “A pessoa consome aquilo a que está exposta; ela não tem interesse por algo que não conhece”, justifica.
Para a pesquisadora, é preocupante o fato de mais da metade da população ter acesso somente aos produtos culturais divulgados pela grande mídia, como o rádio e a televisão. Mas a culpa não é somente do consumidor: Diniz acusa as próprias entidades culturais de serem excludentes. “As atividades culturais oferecidas muitas vezes são voltadas às classes mais abastadas. Logo, as pessoas de baixa renda não se sentem parte desse universo.”
A solução apontada pela economista para aumentar o consumo cultural dessa parcela da população inclui os produtores de cultura. “É preciso aproximar demanda e oferta, com uma política voltada para o consumidor”, sugere. Por outro lado, também seria necessário que os consumidores ampliassem os seus interesses. “Nesse aspecto, a educação faz toda a diferença”, destaca Diniz. “Se essa população recebesse uma educação artística de qualidade, talvez valorizasse um pouco mais a cultura.”
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