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terça-feira, 5 de novembro de 2013
Revolução Ebook: Agência Brasileira do ISBN terá registro totalmente online para novos ISBNs (Eduardo Melo 04/11/2013)
0 Comentários terça-feira, novembro 05, 2013
Publicado por Michelangelo Viana
Assunto: ISBN, livro, livro eletrônico
Agência Brasileira do ISBN terá registro totalmente online para novos ISBNs
Por Eduardo Melo, Editor-chefe do Revolução Ebook (04/11/2013)
Na próxima segunda-feira, 11 de novembro [de 2013], a Agência Brasileira do ISBN fará uma atualização muito positiva para as editoras cadastradas na instituição: vai ao ar um novo sistema online, em que será possível solicitar e acompanhar o registro do ISBN de modo totalmente eletrônico, sem necessidade de procedimentos manuais, como o envio de formulários impressos e comprovantes de pagamento pelo correio...
Leia a matéria completa, incluindo entrevista feita pelo Revolução eBook com a chefe da Agência Brasileira do ISBN, Andréa Coêlho de Souza, no site Revolução Ebook:
http://revolucaoebook.com.br/agencia-brasileira-isbn-tera-registro-totalmente-online-para-novos-isbns/
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Templo do livro, modelo em xeque (bibliotecas e e-books)
0 Comentários terça-feira, fevereiro 26, 2013
Publicado por Michelangelo Viana
Assunto: Bibliotecas, e-book, Empréstimo Domiciliário, livro, livro eletrônico
Divulgado no Blog Pesquisa Mundi, de Rodney Eloy em
25/02/13
Aqui, a briga é para zerar o déficit de bibliotecas. De acordo com o Censo
Nacional de Bibliotecas Municipais, de 2010, 20% das cidades não contam sequer
com uma sala de leitura. O dado é ainda mais preocupante nas escolas públicas.
O Censo Escolar mostrou que 72,5% ficam devendo esse espaço para seus alunos -
existe uma lei que determina que até 2020 essa questão seja resolvida. Outro
desafio é a conquista de novos leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura
no Brasil, 75% dos brasileiros jamais pisaram numa biblioteca. O mesmo
levantamento mostrou que 20% dos entrevistados frequentariam uma, se houvesse
livros novos. Mas nada convenceria 33% a fazer isso.
"A biblioteca não é um organismo à parte na constituição de uma sociedade: a biblioteca é reflexo dela e responde a ela. Por isso é que temos tão poucas bibliotecas no Brasil", comenta Maria Antonieta Cunha, especialista no assunto e desde 2012 à frente da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, órgão subordinado à Fundação Biblioteca Nacional. Mas o Brasil é, claro, um país grande e desigual, e também no que diz respeito ao acesso a livros vive, simultaneamente, passado, presente e futuro. Enquanto uns correm para resolver essas questões básicas e urgentes, outros veem o momento em que será possível emprestar um livro digital de uma biblioteca e lê-lo no e-reader, tablet ou celular.
Isso ainda está distante das bibliotecas de obras gerais - algumas oferecerem livros em domínio público para download, mas isso é simples. É, porém, realidade para estudantes da FMU (SP), Universidade de Passo Fundo (RS) e Cândido Mendes (RJ), entre outras, que usam o serviço da Minha Biblioteca, uma plataforma criada por editoras concorrentes, mas que se uniram para desbravar esse mundo novo.
Participam do consórcio quatro das cinco maiores do segmento CTP (Científico, Técnico e Profissional): Saraiva, Atlas, Grupo A e Grupo Gen. São 4 mil títulos e 2 modelos de negócios. No primeiro, a instituição de ensino paga à Minha Biblioteca um valor mensal por aluno para que eles possam ler, quando quiserem e ao mesmo tempo, todos os títulos do acervo. No segundo, disponível a partir de abril, a universidade escolhe quais títulos e quantos exemplares deseja adquirir. Se optar por cinco exemplares de determinado e-book, por exemplo, apenas cinco alunos poderão emprestá-lo simultaneamente, tal qual acontece com o livro físico.
Quando foi criada, há 18 meses, a Minha Biblioteca já tinha concorrente: a Biblioteca Virtual Universitária, do grupo Pearson que agora conta com a parceria da Artmed, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática e Scipione. Lá, são 1.400 títulos. A Companhia das Letras, que pertence ao grupo Pearson, também está no projeto. Mas não oferece seus títulos, e sim obras em domínio público.
O impasse é que, fechando com a Minha Biblioteca ou com a Biblioteca Virtual Universitária, seus estudantes só terão acesso aos livros das editoras participantes, restringindo o uso de uma bibliografia completa e diversificada. Ideal seria que as instituições tivessem as próprias plataformas e unificassem os catálogos das editoras. Mas elas se ocupam hoje de preparar seus e-books para difundir a produção de pesquisadores e alunos. Quem quiser lê-los, basta fazer o download e já ganha o arquivo. Ou seja, uma operação um pouco diversa do empréstimo de um livro. O modelo é incipiente, mas os números da editora Unesp são animadores. Desde março de 2010, quando criou o selo digital Cultura Acadêmica, já publicou 137 títulos exclusivamente em formato digital e registrou mais de 299 mil downloads. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Robert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard, e sua equipe acertam os últimos detalhes da inauguração, em abril, da gigante Biblioteca Pública Digital Americana.
De volta ao Brasil, há ainda universidades e escolas que dão tablets aos alunos - caso da Estácio de Sá. A parceria para conteúdo é da Pasta do Professor, projeto criado pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos para coibir as cópias, e que tem a adesão de várias editoras.
A questão da remuneração é apontada por editores como um dos principais entraves para que o empréstimo de e-book para o público em geral tenha seu início no Brasil. Este é um problema que ainda não foi resolvido nos Estados Unidos e Reino Unido. Quando muito usado, o livro físico é substituído por um novo, comprado da editora. A duração de um e-book é indefinida. Por isso, os preços do produto são mais altos. Um lançamento em e-book pode custar às bibliotecas de US$ 65 a US$ 85, pelo menos quatro vezes mais do que as livrarias vendem ao consumidor.
O imbróglio é acompanhado por casas brasileiras de fora do segmento CTP, e editoras - como a Companhia das Letras, Intrínseca, Leya e as que integram a Distribuidora de Livros Digitais (DLD), entre as quais Record e Objetiva - ainda não se mobilizam pela causa. "Não temos planos imediatos para oferecer serviços de empréstimo, mas sabemos que é uma questão de tempo", diz Roberto Feith, presidente da Objetiva e do conselho da DLD. Ele conta, porém, que a distribuidora já levantou modelos operacionais e financeiros de negócio desenvolvido pelas principais editoras globais. "Existem modelos bastante diferentes entre si, mas ainda não há um consenso ou modelo predominante. Vamos observar essa evolução para, eventualmente, escolher a melhor solução para nosso mercado", diz. Ao seu lado nessa investigação está a Pasta do Professor.
Editoras assistem e esperam, e livrarias se agilizam. "Não podemos falar muito agora, mas certamente está no radar da Cultura oferecer serviços desse porte com a Koko. Estamos estudando", adianta Rodrigo Castro, diretor comercial da Livraria Cultura. É um projeto "para o ano", e deve incluir o aluguel da obra toda ou de capítulos. Com essa iniciativa, a Cultura dá um passo para o futuro ao mesmo tempo em que retorna às suas origens - foi emprestando livros que Eva Herz começou o negócio da família. A Saraiva, que tem o know-how do aluguel de filmes pela internet, também estuda o caso.
Enquanto isso não se realiza, a Nuvem de Livros, criada pela Gol Mobile em 2011, segue como a única biblioteca virtual para leitores que querem acompanhar as novidades literárias. O problema é que ela se restringe a clientes da Vivo ou de alguns outros parceiros da empresa. Para ter acesso a cerca de 7 mil conteúdos - livros representam 80% do acervo -, o assinante paga em média R$ 4,99 por mês. Hoje, são 400 mil usuários, mas Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais, acredita que até o fim do semestre a biblioteca terá 1 milhão de associados. Até lá, a rede de ensino de duas cidades brasileiras terá aderido ao projeto e dará senhas a seus alunos.
Quem também se beneficia de bibliotecas virtuais são as pessoas com deficiência, já que apenas 9% das bibliotecas do País têm livros acessíveis a elas. "Nossas quase mil teleaulas já estão em libras e o próximo passo é adotar o formato Daisy para livros", conta o diretor da Nuvem de Livros. ???Adotado pelo MEC, o Daisy é um modelo internacional em que o livro vem em CD com duas funcionalidades principais: a visualização em diferentes tamanhos e a narração do texto. "A popularização do e-book beneficia pessoas cegas e com baixa visão", comenta Susi Maluf, gerente-geral da Fundação Dorina Nowill.
Outro futuro
Nem só de tecnologia é feita a biblioteca do futuro. Uma grande discussão sobre seu papel e a função do bibliotecário e dos mediadores de leitura ganha espaço no Brasil, que emprestou da Colômbia o modelo de biblioteca parque, espaço comunitário de convivência em torno do livro. A pioneira no País é a de Manguinhos, aberta em 2010. Depois vieram a de Niterói e a da Rocinha, que estava agitada na sexta-feira véspera de carnaval: crianças corriam cantando pelos cinco andares do prédio, faziam fila para usar a internet, se esparramavam nos sofás para ver um filme. Enquanto isso, José Cleyton, de 15 anos, tímido, chegava para devolver os cinco livros que tinha emprestado e para escolher mais alguns. Ele é leitor novo - descobriu o mundo da literatura há seis meses, quando a biblioteca foi inaugurada e foi conferir a novidade com o irmão.
Apesar da insistência da mãe para que lesse mais e dos conselhos de um professor, que dizia que a leitura tornava as pessoas mais inteligentes, Cleyton, assim como muitos garotos de sua idade, achava chato ler. "Quando vi esse monte de livro pela primeira vez, fiquei muito impressionado. É tudo muito bonito. Se não fosse isso, ia ficar em casa e nunca ia saber que ler era tão bom", diz o garoto que vai descobrindo, a seu tempo, os títulos nas coloridas prateleiras. "Primeiro olho a capa para ver se o livro tem personalidade. Aí começo a ler o texto e o livro me personaliza", conta, encantado. Suas preferências? "Gosto de ler comédia e ação".
A falta de familiaridade de Cleyton com termos literários causaria estranheza a bibliotecários tradicionalistas, mas dá pistas de quem é - ou de quem poderia ser - a nova geração de frequentadores de biblioteca. Reflete também a filosofia do espaço que ele frequenta. "Nossas bibliotecas têm o livro como ponto de referência de conhecimento. Nelas, os usuários têm a possibilidade de ler um roteiro, participar de uma oficina de narrativas cênicas e de assistir ao filme. O desenvolvimento cultural fica mais fácil assim", explica Vera Saboya, superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do Estado do Rio. O modelo continua dando cria. Será inaugurada ainda este ano um outro exemplar no Morro do Alemão. E já está quase pronta a reforma da Biblioteca Pública do Estado, que reabre logo mais com essa nova filosofia. A ideia é ter ainda bibliotecas parque nas principais regiões fluminenses.
Construída onde antes era o presídio do Carandiru, a moderna Biblioteca de São Paulo completou esta semana três anos e já pensa em ampliar seus espaços para ter, por exemplo, mais salas de cursos. Lá, os visitantes podem usar os e-readers da instituição, mas a oferta de e-books é restrita à obras de domínio público. "Os e-readers não têm tanta procura como imaginávamos", conta Adriana Cybele Ferrari, coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. "Muitos associam o futuro das bibliotecas com o livro eletrônico, mas o futuro é elas acontecerem de verdade como espaços de pessoas, de difusão, de reunião, de conhecimento", avalia.
A atual fase da era digital, marcada pela expansão do
mercado de e-books, vem acentuando o debate sobre o destino das bibliotecas
tradicionais - e o seu incontornável impacto na formação de leitores
Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo
Bibliotecários do Reino Unido ficaram em polvorosa com uma recente declaração do escritor inglês Terry Deary. Autor de obras infantis e juvenis, publicadas inclusive no Brasil, ele disse: "As bibliotecas tiveram seu momento. Elas são uma ideia vitoriana e estamos na era digital. Ou mudam e se adaptam ou deverão ser fechadas. Muito da chiadeira atual é sentimentalismo". A realidade de seu país em crise, onde as bibliotecas sofrem com corte de verba e encerramento de atividades e brigam com editoras pela questão do empréstimo de e-books, é bem diferente da brasileira.
Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo
Bibliotecários do Reino Unido ficaram em polvorosa com uma recente declaração do escritor inglês Terry Deary. Autor de obras infantis e juvenis, publicadas inclusive no Brasil, ele disse: "As bibliotecas tiveram seu momento. Elas são uma ideia vitoriana e estamos na era digital. Ou mudam e se adaptam ou deverão ser fechadas. Muito da chiadeira atual é sentimentalismo". A realidade de seu país em crise, onde as bibliotecas sofrem com corte de verba e encerramento de atividades e brigam com editoras pela questão do empréstimo de e-books, é bem diferente da brasileira.
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| Márcio Fernandes/AE Frequentadores da Biblioteca de São Paulo leem no papel e na tela de um e-reader |
"A biblioteca não é um organismo à parte na constituição de uma sociedade: a biblioteca é reflexo dela e responde a ela. Por isso é que temos tão poucas bibliotecas no Brasil", comenta Maria Antonieta Cunha, especialista no assunto e desde 2012 à frente da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, órgão subordinado à Fundação Biblioteca Nacional. Mas o Brasil é, claro, um país grande e desigual, e também no que diz respeito ao acesso a livros vive, simultaneamente, passado, presente e futuro. Enquanto uns correm para resolver essas questões básicas e urgentes, outros veem o momento em que será possível emprestar um livro digital de uma biblioteca e lê-lo no e-reader, tablet ou celular.
Isso ainda está distante das bibliotecas de obras gerais - algumas oferecerem livros em domínio público para download, mas isso é simples. É, porém, realidade para estudantes da FMU (SP), Universidade de Passo Fundo (RS) e Cândido Mendes (RJ), entre outras, que usam o serviço da Minha Biblioteca, uma plataforma criada por editoras concorrentes, mas que se uniram para desbravar esse mundo novo.
Participam do consórcio quatro das cinco maiores do segmento CTP (Científico, Técnico e Profissional): Saraiva, Atlas, Grupo A e Grupo Gen. São 4 mil títulos e 2 modelos de negócios. No primeiro, a instituição de ensino paga à Minha Biblioteca um valor mensal por aluno para que eles possam ler, quando quiserem e ao mesmo tempo, todos os títulos do acervo. No segundo, disponível a partir de abril, a universidade escolhe quais títulos e quantos exemplares deseja adquirir. Se optar por cinco exemplares de determinado e-book, por exemplo, apenas cinco alunos poderão emprestá-lo simultaneamente, tal qual acontece com o livro físico.
Quando foi criada, há 18 meses, a Minha Biblioteca já tinha concorrente: a Biblioteca Virtual Universitária, do grupo Pearson que agora conta com a parceria da Artmed, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática e Scipione. Lá, são 1.400 títulos. A Companhia das Letras, que pertence ao grupo Pearson, também está no projeto. Mas não oferece seus títulos, e sim obras em domínio público.
O impasse é que, fechando com a Minha Biblioteca ou com a Biblioteca Virtual Universitária, seus estudantes só terão acesso aos livros das editoras participantes, restringindo o uso de uma bibliografia completa e diversificada. Ideal seria que as instituições tivessem as próprias plataformas e unificassem os catálogos das editoras. Mas elas se ocupam hoje de preparar seus e-books para difundir a produção de pesquisadores e alunos. Quem quiser lê-los, basta fazer o download e já ganha o arquivo. Ou seja, uma operação um pouco diversa do empréstimo de um livro. O modelo é incipiente, mas os números da editora Unesp são animadores. Desde março de 2010, quando criou o selo digital Cultura Acadêmica, já publicou 137 títulos exclusivamente em formato digital e registrou mais de 299 mil downloads. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Robert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard, e sua equipe acertam os últimos detalhes da inauguração, em abril, da gigante Biblioteca Pública Digital Americana.
De volta ao Brasil, há ainda universidades e escolas que dão tablets aos alunos - caso da Estácio de Sá. A parceria para conteúdo é da Pasta do Professor, projeto criado pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos para coibir as cópias, e que tem a adesão de várias editoras.
A questão da remuneração é apontada por editores como um dos principais entraves para que o empréstimo de e-book para o público em geral tenha seu início no Brasil. Este é um problema que ainda não foi resolvido nos Estados Unidos e Reino Unido. Quando muito usado, o livro físico é substituído por um novo, comprado da editora. A duração de um e-book é indefinida. Por isso, os preços do produto são mais altos. Um lançamento em e-book pode custar às bibliotecas de US$ 65 a US$ 85, pelo menos quatro vezes mais do que as livrarias vendem ao consumidor.
O imbróglio é acompanhado por casas brasileiras de fora do segmento CTP, e editoras - como a Companhia das Letras, Intrínseca, Leya e as que integram a Distribuidora de Livros Digitais (DLD), entre as quais Record e Objetiva - ainda não se mobilizam pela causa. "Não temos planos imediatos para oferecer serviços de empréstimo, mas sabemos que é uma questão de tempo", diz Roberto Feith, presidente da Objetiva e do conselho da DLD. Ele conta, porém, que a distribuidora já levantou modelos operacionais e financeiros de negócio desenvolvido pelas principais editoras globais. "Existem modelos bastante diferentes entre si, mas ainda não há um consenso ou modelo predominante. Vamos observar essa evolução para, eventualmente, escolher a melhor solução para nosso mercado", diz. Ao seu lado nessa investigação está a Pasta do Professor.
Editoras assistem e esperam, e livrarias se agilizam. "Não podemos falar muito agora, mas certamente está no radar da Cultura oferecer serviços desse porte com a Koko. Estamos estudando", adianta Rodrigo Castro, diretor comercial da Livraria Cultura. É um projeto "para o ano", e deve incluir o aluguel da obra toda ou de capítulos. Com essa iniciativa, a Cultura dá um passo para o futuro ao mesmo tempo em que retorna às suas origens - foi emprestando livros que Eva Herz começou o negócio da família. A Saraiva, que tem o know-how do aluguel de filmes pela internet, também estuda o caso.
Enquanto isso não se realiza, a Nuvem de Livros, criada pela Gol Mobile em 2011, segue como a única biblioteca virtual para leitores que querem acompanhar as novidades literárias. O problema é que ela se restringe a clientes da Vivo ou de alguns outros parceiros da empresa. Para ter acesso a cerca de 7 mil conteúdos - livros representam 80% do acervo -, o assinante paga em média R$ 4,99 por mês. Hoje, são 400 mil usuários, mas Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais, acredita que até o fim do semestre a biblioteca terá 1 milhão de associados. Até lá, a rede de ensino de duas cidades brasileiras terá aderido ao projeto e dará senhas a seus alunos.
Quem também se beneficia de bibliotecas virtuais são as pessoas com deficiência, já que apenas 9% das bibliotecas do País têm livros acessíveis a elas. "Nossas quase mil teleaulas já estão em libras e o próximo passo é adotar o formato Daisy para livros", conta o diretor da Nuvem de Livros. ???Adotado pelo MEC, o Daisy é um modelo internacional em que o livro vem em CD com duas funcionalidades principais: a visualização em diferentes tamanhos e a narração do texto. "A popularização do e-book beneficia pessoas cegas e com baixa visão", comenta Susi Maluf, gerente-geral da Fundação Dorina Nowill.
Outro futuro
Nem só de tecnologia é feita a biblioteca do futuro. Uma grande discussão sobre seu papel e a função do bibliotecário e dos mediadores de leitura ganha espaço no Brasil, que emprestou da Colômbia o modelo de biblioteca parque, espaço comunitário de convivência em torno do livro. A pioneira no País é a de Manguinhos, aberta em 2010. Depois vieram a de Niterói e a da Rocinha, que estava agitada na sexta-feira véspera de carnaval: crianças corriam cantando pelos cinco andares do prédio, faziam fila para usar a internet, se esparramavam nos sofás para ver um filme. Enquanto isso, José Cleyton, de 15 anos, tímido, chegava para devolver os cinco livros que tinha emprestado e para escolher mais alguns. Ele é leitor novo - descobriu o mundo da literatura há seis meses, quando a biblioteca foi inaugurada e foi conferir a novidade com o irmão.
Apesar da insistência da mãe para que lesse mais e dos conselhos de um professor, que dizia que a leitura tornava as pessoas mais inteligentes, Cleyton, assim como muitos garotos de sua idade, achava chato ler. "Quando vi esse monte de livro pela primeira vez, fiquei muito impressionado. É tudo muito bonito. Se não fosse isso, ia ficar em casa e nunca ia saber que ler era tão bom", diz o garoto que vai descobrindo, a seu tempo, os títulos nas coloridas prateleiras. "Primeiro olho a capa para ver se o livro tem personalidade. Aí começo a ler o texto e o livro me personaliza", conta, encantado. Suas preferências? "Gosto de ler comédia e ação".
A falta de familiaridade de Cleyton com termos literários causaria estranheza a bibliotecários tradicionalistas, mas dá pistas de quem é - ou de quem poderia ser - a nova geração de frequentadores de biblioteca. Reflete também a filosofia do espaço que ele frequenta. "Nossas bibliotecas têm o livro como ponto de referência de conhecimento. Nelas, os usuários têm a possibilidade de ler um roteiro, participar de uma oficina de narrativas cênicas e de assistir ao filme. O desenvolvimento cultural fica mais fácil assim", explica Vera Saboya, superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do Estado do Rio. O modelo continua dando cria. Será inaugurada ainda este ano um outro exemplar no Morro do Alemão. E já está quase pronta a reforma da Biblioteca Pública do Estado, que reabre logo mais com essa nova filosofia. A ideia é ter ainda bibliotecas parque nas principais regiões fluminenses.
Construída onde antes era o presídio do Carandiru, a moderna Biblioteca de São Paulo completou esta semana três anos e já pensa em ampliar seus espaços para ter, por exemplo, mais salas de cursos. Lá, os visitantes podem usar os e-readers da instituição, mas a oferta de e-books é restrita à obras de domínio público. "Os e-readers não têm tanta procura como imaginávamos", conta Adriana Cybele Ferrari, coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. "Muitos associam o futuro das bibliotecas com o livro eletrônico, mas o futuro é elas acontecerem de verdade como espaços de pessoas, de difusão, de reunião, de conhecimento", avalia.
sábado, 23 de abril de 2011
Um "Cadáver Esquisito" sobre livros
0 Comentários sábado, abril 23, 2011
Publicado por Paulo Barreiro de Sousa
Assunto: Dia Mundial do Livro, leitura, livro
Para comemorar o Dia Mundial do Livro, que se assinala este sábado, o JN desafiou cinco escritores a criarem uma pequena narrativa sobre o tema "livros", seguindo a técnica surrealista do "cadavre-exquis". Inês Pedrosa deu o mote e Rui Zink, Afonso Cruz, João Tordo e Patrícia Reis apenas tiveram acesso à última frase do autor anterior para seguir com esta história colectiva. O que resulta do uso desta técnica é sempre uma surpresa.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Uma nova revolução: o livro!
Ele é um marco da tecnologia: não tem circuitos eletrônicos, nem cabos e muito menos necessita de conexão ou bateria. Não trava e não precisa ser reiniciado nunca. Pode ser usado pelo tempo que for necessário e o produto é totalmente ecológico (já que é 100% reciclável). E não é só: vem junto um acessório extraordinário: um marca-página que permite ao usuário retornar, sempre que desejar, ao lugar exato onde parou. Vale a pena ver e rever o bem humorado vídeo [URL: http://www.youtube.com/watch?v=_an5z2lxXH4] sobre aquele que foi considerado a maior invenção do último milênio: sim, ele, o livro impresso em papel!
sexta-feira, 23 de abril de 2010
sábado, 27 de março de 2010
Áudio-livro Letra Pequena - A Surpresa de Handa
0 Comentários sábado, março 27, 2010
Publicado por Paulo Barreiro de Sousa
Assunto: Internet, livro, vídeo
Aqui fica uma pequena história... Votos de um bom fim-de-semana para todos!
Fonte: Público
Fonte: Público
quinta-feira, 18 de março de 2010
Video: o futuro do livro
Vale a pena ver o vídeo "Futuro dos livros":
Espere até a metade do vídeo e você terá uma bela surpresa. Imperdível!
Murilo Cunha
Espere até a metade do vídeo e você terá uma bela surpresa. Imperdível!
Murilo Cunha
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Livrarias
A Book.it, uma marca da Sonae Distribuição que reúne no mesmo espaço livraria, papelaria, publicações e serviços, terá este ano 14 novas lojas em todo o país, que vêm juntar-se às 14 já existentes.
“A Book.it é um projecto de livrarias fora dos grandes centros urbanos (…) A primeira foi em Chaves, depois Tomar, Abrantes, Torres Novas… Temos 14 lojas a nível nacional e este ano queremos abrir mais 14. Queremos ser uma referência cultural na cidade que escolhemos e levar a cultura a todo o país”, disse hoje Rosário Almeida, gestora comercial da Sonae Distribuição, numa apresentação à imprensa.
Uma notícia a ler na integra no jornal I
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
O Google e o futuro do livro
0 Comentários sexta-feira, dezembro 04, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: e-book, Google, Google Book Search, livro, livro eletrônico
Autor: Roger Chartier.
Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 29/11/2009.
Historiador afirma que digitalização não substitui as bibliotecas, e diz que empresas privadas não devem ocupar o espaço do Estado nesse setor
Digite "google" no serviço de pesquisas Google, em www.google.com: a tela indicará a presença da palavra, e da coisa, em "mais de 400 milhões" de documentos. Se o sacrilégio não o incomoda, repita a operação e digite "dieu" [deus, em francês]: "cerca de 33 milhões" documentos serão propostos como retorno.
A comparação basta para compreender por que, nos últimos meses, todos os debates sobre a criação de coleções digitais de livros vêm sendo fortemente influenciados pelas iniciativas incessantes da empresa californiana. A mais recente é o lançamento [previsto para 2010] da livraria digital paga Google Editions, que explorará comercialmente parte dos recursos acumulados pelo Google Books. A obsessão pelo Google, por mais legítima que seja, pode resultar no esquecimento de certas questões fundamentais acarretadas pela digitalização de textos existentes em outra mídia, impressa ou manuscrita.
Essa operação serve como fundamento à criação de coleções digitalizadas que permitirão acesso remoto aos acervos preservados pelas bibliotecas. Aqueles que considerarem inútil ou perigosa essa extraordinária possibilidade que está sendo oferecida à humanidade serão decerto insensatos. Mas nem por isso devemos perder a sensatez.
A transferência do patrimônio escrito de um meio para outro já teve precedentes. No século 15, a nova técnica de reprodução de textos foi colocada a serviço dos gêneros que então dominavam a cultura dos manuscritos: manuais de escolástica, compilações enciclopédicas, calendários e profecias. Nos primeiros séculos da nossa era, a invenção do livro que continua a ser o nosso, em formato códice, com suas folhas, suas páginas e seus índices, acolheu em um novo objeto as escrituras cristãs e as obras dos autores gregos e latinos.
A história não ensina lição nenhuma, apesar do lugar-comum em contrário, mas, nesses dois casos, ela aponta para um fato essencial à compreensão do presente, a saber: que um "mesmo" texto deixa de ser o mesmo quando muda o suporte sobre o qual está inscrito e, com isso, suas formas de leitura e o sentido que lhe venha a ser atribuído por novos leitores. As bibliotecas sabem disso.
Cabe lembrar que proteger, catalogar e permitir o acesso aos textos continua a ser tarefa essencial das bibliotecas, e isso inclui oferecer acesso a todas as formas sucessivas ou concomitantes nas quais os leitores do passado os tenham lido. Essa é a primeira justificação da existência das bibliotecas, como instituição e como local de leitura.
Memória das formas
Mesmo supondo que os problemas técnicos e financeiros da digitalização venham a ser resolvidos e que todo o patrimônio escrito possa vir a ser preservado em forma digital, a conservação e comunicação das formas anteriores de suporte não se tornará menos necessária.
Pois o que é essencial, aqui, é a profunda transformação que veremos na relação entre fragmento e totalidade. Pelo menos até os nossos dias, no mundo eletrônico, é a mesma superfície iluminada da tela dos computadores que propicia a leitura dos textos, todos os textos, quaisquer que sejam seus gêneros e funções.
Rompe-se, assim, a relação que, em todas as culturas escritas anteriores, ligava estreitamente os objetos, os gêneros e os usos. Foi essa relação que organizou as diferenças imediatamente percebidas entre os diversos tipos de publicações impressas e as expectativas de seus leitores -guiadas pela própria materialidade dos objetos que transmitem essas diferenças. Já no mundo da textualidade digitalizada, o discurso não se inscreve mais nos objetos, algo que permitia que eles fossem classificados, hierarquizados e reconhecidos em sua identidade própria.
Temos um mundo de fragmentos descontextualizados, justapostos, indefinidamente reconstituíveis, sem que seja necessária ou desejável a compreensão da relação que os inscrevia na obra da qual tenham sido extraídos. Seria possível objetar que a situação sempre foi essa na cultura escrita, construída em larga medida e por largo período com base em coletâneas de extratos, de antologias de lugares-comuns, de trechos seletos. Certo. Mas, na cultura da mídia impressa, o desmembramento dos escritos é acompanhado pelo seu oposto: sua circulação em formas que respeitam sua integridade e, ocasionalmente, os reúnem em forma de "obras" -completas ou não.
Além disso, no livro em si, os fragmentos são necessária e materialmente integrados a uma totalidade textual, reconhecível como tal. Diversas consequências decorrem dessas diferenças fundamentais. A própria ideia de revista se torna incerta, porque a consulta aos artigos já não está ligada a uma lógica editorial que se torna visível pela composição de cada número, mas, sim, que se organiza a partir de uma ordem temática de rubricas. E é certo que as novas maneiras de ler, descontínuas e segmentadas, se enquadram mal às categorias que regiam o relacionamento entre leitores e textos.
São exatamente essas propriedades fundamentais da textualidade digital e da leitura diante de uma tela que o projeto comercial do Google pretende explorar. O mercado da empresa é o da informação. Os livros, como todos os demais recursos digitalizáveis, constituem uma imensa jazida da qual é possível realizar extrações.
Lucro
Daí decorre a percepção imediata e ingênua de todo livro, de todo discurso, como um banco de dados que fornece "informações" àqueles que as procuram. Satisfazer essa demanda e extrair um lucro é o primeiro objetivo da empresa californiana, e não construir uma biblioteca universal à disposição da humanidade.
E o Google não parece estar bem equipado para a tarefa, a julgar pelos múltiplos erros de datação, classificação e identificação cometidos durante a extração automática de dados. Essa descoberta genial de um novo mercado, em permanente expansão, e as proezas técnicas que deram ao Google um quase monopólio sobre a digitalização em massa garantiram o grande sucesso e os copiosos benefícios dessa lógica comercial. Ela supõe a conversão eletrônica de milhões de livros, entendidos como uma mina inesgotável de informações.
E exige, em consequência, acordos, já realizados ou ainda por vir, com as grandes bibliotecas do mundo. Mas também um processo de digitalização em larga escala, pouco preocupado com o respeito aos direitos autorais, e a formação de um gigantesco banco de dados, capaz de absorver outros bancos de dados e de arquivar informações pessoais sobre os internautas que utilizam os múltiplos serviços oferecidos pelo Google. Os representantes da companhia americana percorrem o mundo e as conferências para proclamar suas boas intenções: democratizar a informação, tornar acessíveis livros indisponíveis, remunerar corretamente as editoras e autores. E assegurar a conservação, "para sempre", de obras ameaçadas pelos desastres que podem afetar as bibliotecas. Essa retórica de serviço público e de democratização universal não basta para rebater as preocupações causadas pelos empreendimentos do Google.
Em artigo para o "New York Review of Books" (12/2/09) e em livro publicado recentemente, "The Case for Books -Past, Present and Future" [Defesa dos Livros - Passado, Presente e Futuro, ed. Pub- licAffairs, 240 págs., US$°23,95, R$°41], o historiador Robert Darnton apela aos ideais do iluminismo para alertar contra a lógica do lucro que orienta as empreitadas do Google.
É fato que, até o momento, continua a haver uma clara distinção entre as obras caídas em domínio público, disponíveis gratuitamente via Google Books, e os livros protegidos por direitos autorais, órfãos ou não, cujo acesso e aquisição, via Google Editions, são pagos. Mas nada garante que no futuro a empresa, dada sua situação monopolista, não venha a impor preços consideráveis pelo acesso, a despeito de sua ideologia do bem público e do acesso público hoje oferecido.
Compromissos
Não se pode esquecer que já existe um vínculo entre os anúncios publicitários, que garantem os consideráveis lucros do Google, e a hierarquização de "informações" que resulta de cada busca nesse site.
Além disso, em numerosos casos, a utilização pelas bibliotecas de suas próprias coleções, digitalizadas pelo Google (mesmo quando se trata de obras de domínio público), está sujeita a condições completamente inaceitáveis, tais como a proibição de explorar os arquivos digitalizados por algumas décadas ou de uni-los aos arquivos de outras instituições. E há outro segredo completamente inaceitável: o que envolve as cláusulas dos contratos assinados entre a empresa e cada biblioteca. A justa reticência diante de uma parceria assim arriscada tem diversas consequências.
Para começar, é preciso exigir que o financiamento público a programas de digitalização esteja à altura das necessidades, dos compromissos e das expectativas de que os Estados não transfiram a empresas privadas a responsabilidade pelos investimentos culturais de longo prazo que lhes cabem. Também é necessário decidir prioridades, sem necessariamente imaginar que todo "documento" deva ser digitalizado. A obsessão, talvez excessiva e indiscriminada, pela digitalização não deve mascarar um outro aspecto da "grande conversão digital", para retomar a expressão do filósofo Milad Doueihi. Essa escrita palimpséstica e polifônica, aberta e maleável, infinita e móvel confunde as categorias que, desde o século 18, servem como fundamento à propriedade literária. Essas novas produções escritas, muitas das quais digitais já de origem, propõem a difícil questão de como se deve conservá-las e arquivá-las.
É preciso estar atento, mesmo que a urgência atual seja a de decidir como e por quem será realizada a digitalização do patrimônio escrito, à necessidade de que a "República digitalizada do saber" não seja confundida com o grande mercado de informação onde o Google e outros oferecem seus produtos.
*É professor no Collège de France e autor de "Inscrever e Apagar - Cultura, Escrita e Literatura" (ed. Unesp). A íntegra deste texto foi publicada no jornal "Le Monde". Tradução de Paulo Migliacci .
Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 29/11/2009.
Historiador afirma que digitalização não substitui as bibliotecas, e diz que empresas privadas não devem ocupar o espaço do Estado nesse setor
Digite "google" no serviço de pesquisas Google, em www.google.com: a tela indicará a presença da palavra, e da coisa, em "mais de 400 milhões" de documentos. Se o sacrilégio não o incomoda, repita a operação e digite "dieu" [deus, em francês]: "cerca de 33 milhões" documentos serão propostos como retorno.
A comparação basta para compreender por que, nos últimos meses, todos os debates sobre a criação de coleções digitais de livros vêm sendo fortemente influenciados pelas iniciativas incessantes da empresa californiana. A mais recente é o lançamento [previsto para 2010] da livraria digital paga Google Editions, que explorará comercialmente parte dos recursos acumulados pelo Google Books. A obsessão pelo Google, por mais legítima que seja, pode resultar no esquecimento de certas questões fundamentais acarretadas pela digitalização de textos existentes em outra mídia, impressa ou manuscrita.
Essa operação serve como fundamento à criação de coleções digitalizadas que permitirão acesso remoto aos acervos preservados pelas bibliotecas. Aqueles que considerarem inútil ou perigosa essa extraordinária possibilidade que está sendo oferecida à humanidade serão decerto insensatos. Mas nem por isso devemos perder a sensatez.
A transferência do patrimônio escrito de um meio para outro já teve precedentes. No século 15, a nova técnica de reprodução de textos foi colocada a serviço dos gêneros que então dominavam a cultura dos manuscritos: manuais de escolástica, compilações enciclopédicas, calendários e profecias. Nos primeiros séculos da nossa era, a invenção do livro que continua a ser o nosso, em formato códice, com suas folhas, suas páginas e seus índices, acolheu em um novo objeto as escrituras cristãs e as obras dos autores gregos e latinos.
A história não ensina lição nenhuma, apesar do lugar-comum em contrário, mas, nesses dois casos, ela aponta para um fato essencial à compreensão do presente, a saber: que um "mesmo" texto deixa de ser o mesmo quando muda o suporte sobre o qual está inscrito e, com isso, suas formas de leitura e o sentido que lhe venha a ser atribuído por novos leitores. As bibliotecas sabem disso.
Cabe lembrar que proteger, catalogar e permitir o acesso aos textos continua a ser tarefa essencial das bibliotecas, e isso inclui oferecer acesso a todas as formas sucessivas ou concomitantes nas quais os leitores do passado os tenham lido. Essa é a primeira justificação da existência das bibliotecas, como instituição e como local de leitura.
Memória das formas
Mesmo supondo que os problemas técnicos e financeiros da digitalização venham a ser resolvidos e que todo o patrimônio escrito possa vir a ser preservado em forma digital, a conservação e comunicação das formas anteriores de suporte não se tornará menos necessária.
Pois o que é essencial, aqui, é a profunda transformação que veremos na relação entre fragmento e totalidade. Pelo menos até os nossos dias, no mundo eletrônico, é a mesma superfície iluminada da tela dos computadores que propicia a leitura dos textos, todos os textos, quaisquer que sejam seus gêneros e funções.
Rompe-se, assim, a relação que, em todas as culturas escritas anteriores, ligava estreitamente os objetos, os gêneros e os usos. Foi essa relação que organizou as diferenças imediatamente percebidas entre os diversos tipos de publicações impressas e as expectativas de seus leitores -guiadas pela própria materialidade dos objetos que transmitem essas diferenças. Já no mundo da textualidade digitalizada, o discurso não se inscreve mais nos objetos, algo que permitia que eles fossem classificados, hierarquizados e reconhecidos em sua identidade própria.
Temos um mundo de fragmentos descontextualizados, justapostos, indefinidamente reconstituíveis, sem que seja necessária ou desejável a compreensão da relação que os inscrevia na obra da qual tenham sido extraídos. Seria possível objetar que a situação sempre foi essa na cultura escrita, construída em larga medida e por largo período com base em coletâneas de extratos, de antologias de lugares-comuns, de trechos seletos. Certo. Mas, na cultura da mídia impressa, o desmembramento dos escritos é acompanhado pelo seu oposto: sua circulação em formas que respeitam sua integridade e, ocasionalmente, os reúnem em forma de "obras" -completas ou não.
Além disso, no livro em si, os fragmentos são necessária e materialmente integrados a uma totalidade textual, reconhecível como tal. Diversas consequências decorrem dessas diferenças fundamentais. A própria ideia de revista se torna incerta, porque a consulta aos artigos já não está ligada a uma lógica editorial que se torna visível pela composição de cada número, mas, sim, que se organiza a partir de uma ordem temática de rubricas. E é certo que as novas maneiras de ler, descontínuas e segmentadas, se enquadram mal às categorias que regiam o relacionamento entre leitores e textos.
São exatamente essas propriedades fundamentais da textualidade digital e da leitura diante de uma tela que o projeto comercial do Google pretende explorar. O mercado da empresa é o da informação. Os livros, como todos os demais recursos digitalizáveis, constituem uma imensa jazida da qual é possível realizar extrações.
Lucro
Daí decorre a percepção imediata e ingênua de todo livro, de todo discurso, como um banco de dados que fornece "informações" àqueles que as procuram. Satisfazer essa demanda e extrair um lucro é o primeiro objetivo da empresa californiana, e não construir uma biblioteca universal à disposição da humanidade.
E o Google não parece estar bem equipado para a tarefa, a julgar pelos múltiplos erros de datação, classificação e identificação cometidos durante a extração automática de dados. Essa descoberta genial de um novo mercado, em permanente expansão, e as proezas técnicas que deram ao Google um quase monopólio sobre a digitalização em massa garantiram o grande sucesso e os copiosos benefícios dessa lógica comercial. Ela supõe a conversão eletrônica de milhões de livros, entendidos como uma mina inesgotável de informações.
E exige, em consequência, acordos, já realizados ou ainda por vir, com as grandes bibliotecas do mundo. Mas também um processo de digitalização em larga escala, pouco preocupado com o respeito aos direitos autorais, e a formação de um gigantesco banco de dados, capaz de absorver outros bancos de dados e de arquivar informações pessoais sobre os internautas que utilizam os múltiplos serviços oferecidos pelo Google. Os representantes da companhia americana percorrem o mundo e as conferências para proclamar suas boas intenções: democratizar a informação, tornar acessíveis livros indisponíveis, remunerar corretamente as editoras e autores. E assegurar a conservação, "para sempre", de obras ameaçadas pelos desastres que podem afetar as bibliotecas. Essa retórica de serviço público e de democratização universal não basta para rebater as preocupações causadas pelos empreendimentos do Google.
Em artigo para o "New York Review of Books" (12/2/09) e em livro publicado recentemente, "The Case for Books -Past, Present and Future" [Defesa dos Livros - Passado, Presente e Futuro, ed. Pub- licAffairs, 240 págs., US$°23,95, R$°41], o historiador Robert Darnton apela aos ideais do iluminismo para alertar contra a lógica do lucro que orienta as empreitadas do Google.
É fato que, até o momento, continua a haver uma clara distinção entre as obras caídas em domínio público, disponíveis gratuitamente via Google Books, e os livros protegidos por direitos autorais, órfãos ou não, cujo acesso e aquisição, via Google Editions, são pagos. Mas nada garante que no futuro a empresa, dada sua situação monopolista, não venha a impor preços consideráveis pelo acesso, a despeito de sua ideologia do bem público e do acesso público hoje oferecido.
Compromissos
Não se pode esquecer que já existe um vínculo entre os anúncios publicitários, que garantem os consideráveis lucros do Google, e a hierarquização de "informações" que resulta de cada busca nesse site.
Além disso, em numerosos casos, a utilização pelas bibliotecas de suas próprias coleções, digitalizadas pelo Google (mesmo quando se trata de obras de domínio público), está sujeita a condições completamente inaceitáveis, tais como a proibição de explorar os arquivos digitalizados por algumas décadas ou de uni-los aos arquivos de outras instituições. E há outro segredo completamente inaceitável: o que envolve as cláusulas dos contratos assinados entre a empresa e cada biblioteca. A justa reticência diante de uma parceria assim arriscada tem diversas consequências.
Para começar, é preciso exigir que o financiamento público a programas de digitalização esteja à altura das necessidades, dos compromissos e das expectativas de que os Estados não transfiram a empresas privadas a responsabilidade pelos investimentos culturais de longo prazo que lhes cabem. Também é necessário decidir prioridades, sem necessariamente imaginar que todo "documento" deva ser digitalizado. A obsessão, talvez excessiva e indiscriminada, pela digitalização não deve mascarar um outro aspecto da "grande conversão digital", para retomar a expressão do filósofo Milad Doueihi. Essa escrita palimpséstica e polifônica, aberta e maleável, infinita e móvel confunde as categorias que, desde o século 18, servem como fundamento à propriedade literária. Essas novas produções escritas, muitas das quais digitais já de origem, propõem a difícil questão de como se deve conservá-las e arquivá-las.
É preciso estar atento, mesmo que a urgência atual seja a de decidir como e por quem será realizada a digitalização do patrimônio escrito, à necessidade de que a "República digitalizada do saber" não seja confundida com o grande mercado de informação onde o Google e outros oferecem seus produtos.
*É professor no Collège de France e autor de "Inscrever e Apagar - Cultura, Escrita e Literatura" (ed. Unesp). A íntegra deste texto foi publicada no jornal "Le Monde". Tradução de Paulo Migliacci .
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
E se um dia...
0 Comentários segunda-feira, novembro 30, 2009
Publicado por Nuno de Matos
Assunto: Bibliotecas, livro
Dois livros foram entregues a uma biblioteca, 50 anos depois, numa escola no Arizona. Juntamente com as duas edições foi enviado um cheque de cerca de 700 euros para cobrir uma eventual multa.
A bibliotecária Georgette Bordine disse, no entanto, que a pessoa responsável pela devolução deseja permanecer anónima, avança a BBC.
Os livros foram requisitados em 1959 e, aparentemente foram levados por engano quando o ex-estudante mudou-se.
Bordine já garantiu que esse dinheiro será usado para comprar mais livros.In Ionline
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Editoras não têm medo dos "e-books"
0 Comentários segunda-feira, novembro 23, 2009
Publicado por Paulo Barreiro de Sousa
Assunto: eBooks, livro
Editoras tradicionais consideram eventual ameaça dos livros electrónicos como mera "profecia".
As editoras tradicionais acompanham à distância a chegada dos dispositivos de leitura electrónicos ao mercado português e, em geral, desvalorizam a ameaça dos e-books aos livros impressos, vista por alguns como mera "profecia".
"As maiores ameaças são as que provocam alterações drásticas no comportamento dos consumidores, actuais ou potenciais", assinalou Francisco Abreu, o editor da Esfera do Caos, para quem, "historicamente, a televisão foi a primeira grande ameaça", pois "o tempo que se passa a olhar para a televisão não é passado com um livro na mão".
Francisco Abreu apontou como segunda grande ameaça "o computador com Internet", que afastou a maioria dos estudantes, "do básico ao universitário", das pesquisas em livros.
Na opinião do editor, a rede tem ainda a desvantagem de provocar "uma mudança radical" nos hábitos de leitura e na atitude relativamente ao suporte tradicional: "A leitura de textos com 200 páginas, num livro, é substituída pela leitura, no monitor do computador, de textos com dois parágrafos ou com duas páginas".
Em contrapartida, e com excepção de "nichos de mercado de elevada especificidade e o muito longo prazo", a nova geração de e-books não representa uma verdadeira ameaça, segundo Francisco Abreu, para quem "vai acontecer agora o mesmo que sucedeu há cerca de uma década com a primeira geração", que não cativou os leitores.
O responsável editorial da Gradiva, Guilherme Valente, é ainda mais crítico em relação a futuros hipotéticos protagonizados pelos livros digitais e pelos respectivos leitores de e-book, afirmando que a editora "não perde tempo com cenários", só avançando "se e quando for útil" e quando tudo for seguro para os autores.
"O livro electrónico, com excepção de 1% de casos em que a sua utilização se possa revelar vantajosa, é um 'gadget', algo para quem gosta dessas coisas, mas não para quem gosta e quer, de facto, ler", declarou o responsável editorial, sem, contudo, vincular a Gradiva à sua opinião.
Prosseguindo a título pessoal, Guilherme Valente disse existirem "profetas que andam há 30 anos a anunciar a morte do livro impresso. A anunciar e a falhar... Não sei como continuam ainda a ser ouvidos, a viver dessas falhadas profecias...", sublinhou, acrescentando que a coabitação dos dois suportes será "um convívio indiferente entre os que lêem e os iletrados".
Mais moderado, Vasco Teixeira, o administrador e director editorial da Porto Editora, considerou "expectável" que as edições digitais "floresçam em determinadas áreas editoriais - por exemplo, a técnica ou especializada", podendo mesmo ter "algum impacto nas vendas dos livros impressos de ficção".
"Mas a perspectiva é de encararmos este cenário de forma positiva, ou seja, podemos ter a oportunidade de conquistar novos leitores graças à adaptação de conteúdos a suportes tecnológicos", ponderou, referindo que "todos os estudos apontam para um cenário de complementaridade de suportes".
As editoras tradicionais acompanham à distância a chegada dos dispositivos de leitura electrónicos ao mercado português e, em geral, desvalorizam a ameaça dos e-books aos livros impressos, vista por alguns como mera "profecia".
"As maiores ameaças são as que provocam alterações drásticas no comportamento dos consumidores, actuais ou potenciais", assinalou Francisco Abreu, o editor da Esfera do Caos, para quem, "historicamente, a televisão foi a primeira grande ameaça", pois "o tempo que se passa a olhar para a televisão não é passado com um livro na mão".
Francisco Abreu apontou como segunda grande ameaça "o computador com Internet", que afastou a maioria dos estudantes, "do básico ao universitário", das pesquisas em livros.
Na opinião do editor, a rede tem ainda a desvantagem de provocar "uma mudança radical" nos hábitos de leitura e na atitude relativamente ao suporte tradicional: "A leitura de textos com 200 páginas, num livro, é substituída pela leitura, no monitor do computador, de textos com dois parágrafos ou com duas páginas".
Em contrapartida, e com excepção de "nichos de mercado de elevada especificidade e o muito longo prazo", a nova geração de e-books não representa uma verdadeira ameaça, segundo Francisco Abreu, para quem "vai acontecer agora o mesmo que sucedeu há cerca de uma década com a primeira geração", que não cativou os leitores.
O responsável editorial da Gradiva, Guilherme Valente, é ainda mais crítico em relação a futuros hipotéticos protagonizados pelos livros digitais e pelos respectivos leitores de e-book, afirmando que a editora "não perde tempo com cenários", só avançando "se e quando for útil" e quando tudo for seguro para os autores.
"O livro electrónico, com excepção de 1% de casos em que a sua utilização se possa revelar vantajosa, é um 'gadget', algo para quem gosta dessas coisas, mas não para quem gosta e quer, de facto, ler", declarou o responsável editorial, sem, contudo, vincular a Gradiva à sua opinião.
Prosseguindo a título pessoal, Guilherme Valente disse existirem "profetas que andam há 30 anos a anunciar a morte do livro impresso. A anunciar e a falhar... Não sei como continuam ainda a ser ouvidos, a viver dessas falhadas profecias...", sublinhou, acrescentando que a coabitação dos dois suportes será "um convívio indiferente entre os que lêem e os iletrados".
Mais moderado, Vasco Teixeira, o administrador e director editorial da Porto Editora, considerou "expectável" que as edições digitais "floresçam em determinadas áreas editoriais - por exemplo, a técnica ou especializada", podendo mesmo ter "algum impacto nas vendas dos livros impressos de ficção".
"Mas a perspectiva é de encararmos este cenário de forma positiva, ou seja, podemos ter a oportunidade de conquistar novos leitores graças à adaptação de conteúdos a suportes tecnológicos", ponderou, referindo que "todos os estudos apontam para um cenário de complementaridade de suportes".
Fonte: JN
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Lei do livro
0 Comentários sexta-feira, outubro 30, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: difusão da informação, Lei do Livro, livro
A Lei do Livro, proposta pelo senador José Sarney e assinada pelo Presidente Lula em 2003, está completando seis anos. Não resolveu, é certo, todos os problemas acumulados em anos de inexistência de uma política de Estado nessa área. Mas não há como deixar de reconhecer seu papel extraordinário e mobilizador até como primeiro marco regulatório dessas políticas no Brasil.
sábado, 24 de outubro de 2009
Livro e leitura no Brasil
0 Comentários sábado, outubro 24, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: hábito de leitura, leitura, livro
Fonte: Blog do Galeno Amorim. Data: 22/10/2009.
URL: http://blogdogaleno.blog.uol.com.br/
Já se sabe que a década atual não entrará para a história como aquela em que os problemas da baixa leitura foram sanados ou que o Brasil se aproximou dos índices dos países desenvolvidos. Porém, ela pode ficar conhecida no futuro como a mais importante da história das políticas públicas do livro e da leitura por ter representado o início da virada. Após uma derrapagem inicial (em 2003, o governo extinguiu, inexplicavelmente, a Secretaria Nacional do Livro e da Leitura), não houve, depois, um só ano sem que alguma medida importante tenha sido anunciada.
A primeira foi a Lei do Livro, um marco regulatório, assinada naquele mesmo ano pelo presidente Lula. No ano seguinte, houve a desoneração fiscal do livro. Em 2005, uma ampla parceria público-privada celebrou o Ano Ibero-Americano da Leitura com 100 mil ações, projetos e programas, numa mobilização sem precedentes. Em seguida, viriam o BNDES ProLivro e o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Antes, a Câmara Setorial - outra novidade - aprovara as diretrizes dessa política até 2020. As editoras então criaram o Instituto Pró-Livro e o Prêmio Vivaleitura, do governo, catalogou 10 mil ações de fomento à leitura. O Ministério da Cultura, de sua parte, correu para eliminar a chaga social representada por 1.300 municípios sem bibliotecas - o que ocorrerá até o fim do ano.
Outro ganho notável foi a ampliação e consolidação dos programas sociais do livro, que chegam a 30 milhões de alunos pobres. O resultado de tudo isso é que o índice de leitura subiu para 4,7 livros por habitante/ano (entre os brasileiros acima de 15 anos e pelo menos três anos de escolaridade, era 1,8 livro/ano em 2000 e dobrou em 2008, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil). Embora o rumo pareça certo, o país está aquém de suas necessidades. É preciso, agora, pôr o pé no acelerador e intensificar as ações. O primeiro passo é acabar de cumprir a agenda feita pelo governo e a sociedade entre 2004 e 2006 e legitimada por 40 mil lideranças. Entre pontos que restam, estão o financiamento público dessas políticas e uma estrutura de gestão, que pode ser o Instituto Nacional do Livro e Leitura.
O Congresso votará, este ano, o Fundo Pró-Leitura (0,33% da receita), oferecido em troca da desoneração. Bem que os parlamentares poderiam aproveitar e destinar parte do fundo social do pré-sal para reforçar esse caixa. E o governo passar a destinar orçamentos dignos e instituir um amplo programa de revitalização da atual e precária rede nacional de bibliotecas. Com isso, teremos muito a comemorar.
URL: http://blogdogaleno.blog.uol.com.br/
Já se sabe que a década atual não entrará para a história como aquela em que os problemas da baixa leitura foram sanados ou que o Brasil se aproximou dos índices dos países desenvolvidos. Porém, ela pode ficar conhecida no futuro como a mais importante da história das políticas públicas do livro e da leitura por ter representado o início da virada. Após uma derrapagem inicial (em 2003, o governo extinguiu, inexplicavelmente, a Secretaria Nacional do Livro e da Leitura), não houve, depois, um só ano sem que alguma medida importante tenha sido anunciada.
A primeira foi a Lei do Livro, um marco regulatório, assinada naquele mesmo ano pelo presidente Lula. No ano seguinte, houve a desoneração fiscal do livro. Em 2005, uma ampla parceria público-privada celebrou o Ano Ibero-Americano da Leitura com 100 mil ações, projetos e programas, numa mobilização sem precedentes. Em seguida, viriam o BNDES ProLivro e o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL). Antes, a Câmara Setorial - outra novidade - aprovara as diretrizes dessa política até 2020. As editoras então criaram o Instituto Pró-Livro e o Prêmio Vivaleitura, do governo, catalogou 10 mil ações de fomento à leitura. O Ministério da Cultura, de sua parte, correu para eliminar a chaga social representada por 1.300 municípios sem bibliotecas - o que ocorrerá até o fim do ano.
Outro ganho notável foi a ampliação e consolidação dos programas sociais do livro, que chegam a 30 milhões de alunos pobres. O resultado de tudo isso é que o índice de leitura subiu para 4,7 livros por habitante/ano (entre os brasileiros acima de 15 anos e pelo menos três anos de escolaridade, era 1,8 livro/ano em 2000 e dobrou em 2008, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil). Embora o rumo pareça certo, o país está aquém de suas necessidades. É preciso, agora, pôr o pé no acelerador e intensificar as ações. O primeiro passo é acabar de cumprir a agenda feita pelo governo e a sociedade entre 2004 e 2006 e legitimada por 40 mil lideranças. Entre pontos que restam, estão o financiamento público dessas políticas e uma estrutura de gestão, que pode ser o Instituto Nacional do Livro e Leitura.
O Congresso votará, este ano, o Fundo Pró-Leitura (0,33% da receita), oferecido em troca da desoneração. Bem que os parlamentares poderiam aproveitar e destinar parte do fundo social do pré-sal para reforçar esse caixa. E o governo passar a destinar orçamentos dignos e instituir um amplo programa de revitalização da atual e precária rede nacional de bibliotecas. Com isso, teremos muito a comemorar.
sábado, 22 de agosto de 2009
Website diz quais os livros que você deve ler
0 Comentários sábado, agosto 22, 2009
Publicado por Paulo Barreiro de Sousa
Assunto: Inovação, livro, Web 2.0
Com base na informação do título/autor do último livro que gostou de ler, o website The Book Seer recomenda-lhe um conjunto de livros dentro da mesma temática. O website (ainda em versão beta) é uma criação do Apt Labs e tem uma versão para aparelhos móveis (http://bookseer.com/m), excepto para iPhones. Pode acompanhar as novidades através do Twitter.quarta-feira, 12 de agosto de 2009
A leitura dos brasileiros
0 Comentários quarta-feira, agosto 12, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: Câmara Brasileira do Livro, hábito de leitura, livro
Fonte: Correio do Povo (Porto Alegre, RS). Data: 12/08/2009.
Editorial
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) está anunciando que os livros tiveram redução de preços e aumento no número de leitores no país, o que se pode dizer que é uma notícia bastante promissora. A pesquisa foi realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe) de 2004 a 2008.
A diminuição do valor das obras pôde ser constatada tanto em termos reais, descontando-se a inflação, quanto nominais. A aquisição de livros didáticos pelo governo federal movimentou o mercado e, se comparados os anos de 2008 e 2007, houve até um pequeno incremento de valor unitário, por conta das compras para os livros a serem usados no ensino médio. Aliás, diga-se que essa foi uma saudável inovação, pois os alunos desse ciclo passaram a contar com material didático para ser usado em sala de aula, com reaproveitamento no ano seguinte.
O aumento na aquisição de livros por parte da população resultou em tiragens maiores, com a consequente diminuição do preço de capa. A venda total passou dos 2 bilhões de reais, com comercialização de mais de 200 milhões de exemplares. Houve um aumento em torno de 6% na receita das editoras.
Um outro dado significativo é que houve um aumento na média de livro lido por habitante. Em 2001, computava-se 1,8 livro por brasileiro. O levantamento agora indicou 3,7 obras per capita. Mais de 90 milhões de brasileiros afirmaram ter lido um livro no último trimestre. Tudo indica que há uma tendência de melhoria no processo de formação de novos leitores.
Muitos prognosticaram o fim do livro diante de novas mídias, principalmente em função da Internet. Os dados do estudo reafirmam a vitalidade desse instrumento do saber. Também é importante ressaltar que, hoje em dia, é comum encontrar os clássicos brasileiros a preços reduzidos, custando em torno de um dólar, em lojas do varejo. Isso aproxima o leitor do livro e desmitifica essa relação, removendo a ideia de objeto pouco acessível.
Um outro ponto que também deverá manter o mercado editorial em alta é a Reforma Ortográfica. Gramáticas, dicionários, vocabulários ortográficos e obras literárias serão editados na esteira de um maior interesse dos brasileiros pela leitura, melhorando sua formação cultural.
Editorial
A Câmara Brasileira do Livro (CBL) está anunciando que os livros tiveram redução de preços e aumento no número de leitores no país, o que se pode dizer que é uma notícia bastante promissora. A pesquisa foi realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe) de 2004 a 2008.
A diminuição do valor das obras pôde ser constatada tanto em termos reais, descontando-se a inflação, quanto nominais. A aquisição de livros didáticos pelo governo federal movimentou o mercado e, se comparados os anos de 2008 e 2007, houve até um pequeno incremento de valor unitário, por conta das compras para os livros a serem usados no ensino médio. Aliás, diga-se que essa foi uma saudável inovação, pois os alunos desse ciclo passaram a contar com material didático para ser usado em sala de aula, com reaproveitamento no ano seguinte.
O aumento na aquisição de livros por parte da população resultou em tiragens maiores, com a consequente diminuição do preço de capa. A venda total passou dos 2 bilhões de reais, com comercialização de mais de 200 milhões de exemplares. Houve um aumento em torno de 6% na receita das editoras.
Um outro dado significativo é que houve um aumento na média de livro lido por habitante. Em 2001, computava-se 1,8 livro por brasileiro. O levantamento agora indicou 3,7 obras per capita. Mais de 90 milhões de brasileiros afirmaram ter lido um livro no último trimestre. Tudo indica que há uma tendência de melhoria no processo de formação de novos leitores.
Muitos prognosticaram o fim do livro diante de novas mídias, principalmente em função da Internet. Os dados do estudo reafirmam a vitalidade desse instrumento do saber. Também é importante ressaltar que, hoje em dia, é comum encontrar os clássicos brasileiros a preços reduzidos, custando em torno de um dólar, em lojas do varejo. Isso aproxima o leitor do livro e desmitifica essa relação, removendo a ideia de objeto pouco acessível.
Um outro ponto que também deverá manter o mercado editorial em alta é a Reforma Ortográfica. Gramáticas, dicionários, vocabulários ortográficos e obras literárias serão editados na esteira de um maior interesse dos brasileiros pela leitura, melhorando sua formação cultural.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
O que dá alma ao ser humano
3 Comentários sexta-feira, agosto 07, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: bibliofilia, biblioteca privada, livro
Autora: Maria Ignez Barbosa.
URL: www.mariaignezbarbosa.com
Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 26/7/2009.
Receita para a alma. Esta é a frase que se lê na inscrição que bravamente resiste ao tempo, na entrada da biblioteca do Templo de Trajano, em Roma. Não seria portanto sem sentido dizer que uma casa sem livros é uma casa sem alma. E, mais do que qualquer outro ambiente na casa, será a biblioteca - ou o lugar escolhido para os livros - o que melhor vai expressar a personalidade de seus ocupantes. Estarão ali revelados seus gostos, interesses, preferências, hábitos e paixões. Não importa que estejamos na era digital, que hoje o livro possa ser escutado e que a informação nos chegue pela internet. O fato é que o livro, ou o chamado codex (era assim que se dizia no mundo antigo), que nasceu há 2 mil anos, ou mesmo antes de Cristo, sob a forma de folhas de pergaminho recortadas, escritas por um escriba e costuradas a mão, e que, em 1450, na Alemanha, quando Gutenberg inventou a impressora, passou a ser produzido de forma menos artesanal, não vai sair tão cedo de nossas casas e muito menos de nossas vidas.
E como declarou a escritora Frances FitzGerald, "o livro a gente leva para a cama, mas o CD não".O hábito da leitura silenciosa teria se popularizado no tempo dos romanos. E, de coisa elitista no século 18 - nenhum gentleman que se prezasse dispensava uma biblioteca em casa com livros belamente encadernados - a artefato cultural com variados significados democratizado no século 19 e beneficiado pelos avanços tecnológicos nos 100 anos seguintes, o livro continua entre nós, presente como nunca, sendo editado aos borbotões, acessível como jamais foi e seduzindo cada vez mais gente.
É sem dúvida um dos mais fiéis companheiros do homem. Quantos de nós não o temos como aliado em noites de insônia, em longas viagens de avião, na simples solidão? Mais do que ler e aprender, ele pode nos ligar com o passado, nos fazer viajar por outros mundos, escapar para novos universos, acender luzes internas. Um bom livro pode nos seguir pela casa, até a cozinha, no banheiro, à mesa de jantar.
Há quem diga que os livros nos escolhem. Nicolas Barker, filho de um professor universitário na Inglaterra e que em pequeno gostava de brincar na Cambridge University Press, conta que, sempre que lhe perguntam se coleciona livros, responde: "Não, os livros é que me colecionam". E mesmo que possa não ser a forma mais agradável de leitura, quem não vai adorar ser dono de uma primeira edição de um livro famoso ou predileto?
A paixão pelo livro tem história. Churchill, quando não tinha tempo para ler, se consolava passando neles a mão, sentindo-os na pele. O escritor A.L. Rowe dizia que a biblioteca de Churchill era "eloquente do homem", seu retrato perfeito, e que é possível "lermos" as pessoas através dos livros que elas leem. Para muita gente, apenas o fato de possuir livros pode transcender o prazer de lê-los. Cheirá-los pode emocionar. E a arte de certas lombadas e encadernações pode encantar o olhar e o ego de seu dono. O filósofo Walter Benjamin acreditava que os livros têm um sentido simbólico que não depende necessariamente de sua utilidade, apesar de que sua utilidade é o que os torna realmente especiais. Num momento de mudança para uma nova casa, quando desembalava a biblioteca, teria comentado: "Há uma tensão dialética entre a ordem e a desordem".
LIVROS BRANCOS
Arrumar os livros numa estante pode ser de fato um drama na vida dos bibliófilos. Se por assunto, se por ordem alfabética, tamanho, cor, encadernação. É tarefa interessante e delicada para muito decorador. David Hicks dizia gostar de projetos que nunca terminam e que uma biblioteca é justamente isso. Está sempre em mutação.
Nos anos 30, a decoradora americana Frances Elkins, para um look de efeito, gostava de encher as bibliotecas com livros brancos. Encapava os volumes de seus clientes com pergaminho, mas deixando, obviamente, uma abertura para os títulos. Descubro que Keith Richards, dos Rolling Stones, é um apaixonado por leitura: "Depois de uma vida com o pé na estrada, a leitura hoje é o que me ancora".
Há também quem declare, como o financista americano Victor Niederhoffer, que seria capaz de passar a vida inteira sem se chatear dentro da biblioteca da própria casa. E é conhecida a história do casal Clinton, que, quando foi morar na Casa Branca, logo notou que havia ali poucas estantes e comentou que, se o problema não fosse remediado, jamais se sentiria em casa na nova morada.
Segundo os aficionados, um dos prazeres do colecionador é encontrar um determinado livro na estante de um sebo ou livraria e "libertá-lo" para uma nova vida e utilidade - ou seja trazê-lo para a sua própria estante. Viver para e entre livros pode ser um prazer. Em Washington, lembro de um enorme galpão dedicado aos bibliófilos, onde era possível encontrar desde capas para proteção da dust jacket em todos os tamanhos possíveis, o sabão correto para a limpeza, esparadrapos especiais, removedores de manchas, antissépticos, cordas, folhas, material para encadernação e o que se puder sonhar para melhor preservar nossos livros. Talvez pouca gente saiba que o fato de muitas editoras francesas, como a Gallimard, por exemplo, ainda publicarem seus livros com o velho modelo de capa branca, onde apenas o título varia, é porque não abandonaram a tradição de tê-las simples, uma vez que antigamente a maioria dos livros com capa mole seria depois encadernada por quem quisesse preservá-los.
A forma como é tratado, disposto ou manuseado, daria ao livro qualidade humana. Ao acumulá-los, o colecionador compulsivo ou leitor apaixonado acabará, mesmo que sem querer, criando com eles bookscapes, ou seja, pequenas ou grandes paisagens em qualquer canto da casa. Poderão surgir empilhados sobre cadeiras ou bancos, em mesinhas perto da poltrona de leitura, ou da cama, aguardando a vez de serem lidos; no interior de lareiras ou sobre suas bancadas, subindo os degraus das escadas junto à parede, em estantes dividindo ambientes, dentro de cestos, no lavabo e na cozinha. Mesmo que bagunçados ou empoeirados, mal não há de nos causar à vista. Serão sempre uma edificante e prazerosa companhia.
URL: www.mariaignezbarbosa.com
Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 26/7/2009.
Receita para a alma. Esta é a frase que se lê na inscrição que bravamente resiste ao tempo, na entrada da biblioteca do Templo de Trajano, em Roma. Não seria portanto sem sentido dizer que uma casa sem livros é uma casa sem alma. E, mais do que qualquer outro ambiente na casa, será a biblioteca - ou o lugar escolhido para os livros - o que melhor vai expressar a personalidade de seus ocupantes. Estarão ali revelados seus gostos, interesses, preferências, hábitos e paixões. Não importa que estejamos na era digital, que hoje o livro possa ser escutado e que a informação nos chegue pela internet. O fato é que o livro, ou o chamado codex (era assim que se dizia no mundo antigo), que nasceu há 2 mil anos, ou mesmo antes de Cristo, sob a forma de folhas de pergaminho recortadas, escritas por um escriba e costuradas a mão, e que, em 1450, na Alemanha, quando Gutenberg inventou a impressora, passou a ser produzido de forma menos artesanal, não vai sair tão cedo de nossas casas e muito menos de nossas vidas.
E como declarou a escritora Frances FitzGerald, "o livro a gente leva para a cama, mas o CD não".O hábito da leitura silenciosa teria se popularizado no tempo dos romanos. E, de coisa elitista no século 18 - nenhum gentleman que se prezasse dispensava uma biblioteca em casa com livros belamente encadernados - a artefato cultural com variados significados democratizado no século 19 e beneficiado pelos avanços tecnológicos nos 100 anos seguintes, o livro continua entre nós, presente como nunca, sendo editado aos borbotões, acessível como jamais foi e seduzindo cada vez mais gente.
É sem dúvida um dos mais fiéis companheiros do homem. Quantos de nós não o temos como aliado em noites de insônia, em longas viagens de avião, na simples solidão? Mais do que ler e aprender, ele pode nos ligar com o passado, nos fazer viajar por outros mundos, escapar para novos universos, acender luzes internas. Um bom livro pode nos seguir pela casa, até a cozinha, no banheiro, à mesa de jantar.
Há quem diga que os livros nos escolhem. Nicolas Barker, filho de um professor universitário na Inglaterra e que em pequeno gostava de brincar na Cambridge University Press, conta que, sempre que lhe perguntam se coleciona livros, responde: "Não, os livros é que me colecionam". E mesmo que possa não ser a forma mais agradável de leitura, quem não vai adorar ser dono de uma primeira edição de um livro famoso ou predileto?
A paixão pelo livro tem história. Churchill, quando não tinha tempo para ler, se consolava passando neles a mão, sentindo-os na pele. O escritor A.L. Rowe dizia que a biblioteca de Churchill era "eloquente do homem", seu retrato perfeito, e que é possível "lermos" as pessoas através dos livros que elas leem. Para muita gente, apenas o fato de possuir livros pode transcender o prazer de lê-los. Cheirá-los pode emocionar. E a arte de certas lombadas e encadernações pode encantar o olhar e o ego de seu dono. O filósofo Walter Benjamin acreditava que os livros têm um sentido simbólico que não depende necessariamente de sua utilidade, apesar de que sua utilidade é o que os torna realmente especiais. Num momento de mudança para uma nova casa, quando desembalava a biblioteca, teria comentado: "Há uma tensão dialética entre a ordem e a desordem".
LIVROS BRANCOS
Arrumar os livros numa estante pode ser de fato um drama na vida dos bibliófilos. Se por assunto, se por ordem alfabética, tamanho, cor, encadernação. É tarefa interessante e delicada para muito decorador. David Hicks dizia gostar de projetos que nunca terminam e que uma biblioteca é justamente isso. Está sempre em mutação.
Nos anos 30, a decoradora americana Frances Elkins, para um look de efeito, gostava de encher as bibliotecas com livros brancos. Encapava os volumes de seus clientes com pergaminho, mas deixando, obviamente, uma abertura para os títulos. Descubro que Keith Richards, dos Rolling Stones, é um apaixonado por leitura: "Depois de uma vida com o pé na estrada, a leitura hoje é o que me ancora".
Há também quem declare, como o financista americano Victor Niederhoffer, que seria capaz de passar a vida inteira sem se chatear dentro da biblioteca da própria casa. E é conhecida a história do casal Clinton, que, quando foi morar na Casa Branca, logo notou que havia ali poucas estantes e comentou que, se o problema não fosse remediado, jamais se sentiria em casa na nova morada.
Segundo os aficionados, um dos prazeres do colecionador é encontrar um determinado livro na estante de um sebo ou livraria e "libertá-lo" para uma nova vida e utilidade - ou seja trazê-lo para a sua própria estante. Viver para e entre livros pode ser um prazer. Em Washington, lembro de um enorme galpão dedicado aos bibliófilos, onde era possível encontrar desde capas para proteção da dust jacket em todos os tamanhos possíveis, o sabão correto para a limpeza, esparadrapos especiais, removedores de manchas, antissépticos, cordas, folhas, material para encadernação e o que se puder sonhar para melhor preservar nossos livros. Talvez pouca gente saiba que o fato de muitas editoras francesas, como a Gallimard, por exemplo, ainda publicarem seus livros com o velho modelo de capa branca, onde apenas o título varia, é porque não abandonaram a tradição de tê-las simples, uma vez que antigamente a maioria dos livros com capa mole seria depois encadernada por quem quisesse preservá-los.
A forma como é tratado, disposto ou manuseado, daria ao livro qualidade humana. Ao acumulá-los, o colecionador compulsivo ou leitor apaixonado acabará, mesmo que sem querer, criando com eles bookscapes, ou seja, pequenas ou grandes paisagens em qualquer canto da casa. Poderão surgir empilhados sobre cadeiras ou bancos, em mesinhas perto da poltrona de leitura, ou da cama, aguardando a vez de serem lidos; no interior de lareiras ou sobre suas bancadas, subindo os degraus das escadas junto à parede, em estantes dividindo ambientes, dentro de cestos, no lavabo e na cozinha. Mesmo que bagunçados ou empoeirados, mal não há de nos causar à vista. Serão sempre uma edificante e prazerosa companhia.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Autoridades americanas investigam Google Books
0 Comentários quinta-feira, abril 30, 2009
Publicado por Paulo Barreiro de Sousa
Assunto: Google, Google Book Search, livro, livro eletrônico
A Google juntou-se a Associações de autores naquele país para conseguir os direitos de digitalizar e publicar os livros, pagando em troca 125 milhões de euros para se criar um registo de direitos dos livros. Neste registo, os autores e editores poderiam deixar o seu trabalho e receber dinheiro pela subscrição e venda das obras.
O facto de haver “livros órfãos”, cujos direitos de publicação são desconhecidos, envolvidos nestes negócios, levou as autoridades americanas a investigar.
Ao digitalizar e disponibilizar estes livros, a Google poderá estar a criar um monopólio livreiro, noticia a PC Pro. Nem a Google, nem o Departamento de Justiça se mostraram dispostos a comentar.
Fonte: Exame Informática
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Sobre a transitoriedade dos suportes
0 Comentários quarta-feira, abril 29, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: livro, livro eletrônico, preservação digital
Sobre a transitoriedade dos suportes
Umberto Eco
Do The New York Times
URL: http://terramagazine.terra.com.br:80/interna/0,,OI3718541-EI12929,00.html
No encerramento da jornada Escola para Livreiros, destinada a Umberto e Elisabetta Mauro, em Veneza, falamos, entre outros assuntos, da transitoriedade dos suportes de informação. O monólito egípcio, a tabuleta de argila, o papiro, o pergaminho e, obviamente, o livro impresso, já foram suportes para a informação escrita. Este último, até agora, demonstra que sobrevive bem por quinhentos anos, mas somente quando feito de papel à base de algodão. A partir da metade de século XIX, passou-se ao papel à base de madeira, e parece que este tipo de papel dura, no máximo, setenta anos (de fato, basta manipular jornais ou livros da década de 1940 para ver que muitos deles se desmancham quando folhados). Portanto, há muito tempo são realizados congressos e são estudados meios diferentes para salvar todos os livros que enchem as nossas bibliotecas - uma das soluções mais bem-sucedidas (mas praticamente impossível de ser aplicada a todos os livros existentes) é escanear todas as páginas e copiá-las em um suporte eletrônico.
Mas nesse ponto nos deparamos com outra questão: todos os suportes para a transmissão e conservação da informação, da foto ao filme de cinema, do disco à memória USB que usamos no nosso computador, são mais perecíveis do que o livro. Sabemos muito bem disso: nas velhas fitas cassetes em pouco tempo a fita se enrolava, tentávamos desembaraçá-la introduzindo um lápis no carretel, muitas vezes sem êxito; as fitas de vídeo facilmente perdem as cores e a definição e quando usadas para estudar, tendo que adiantá-las e rebobiná-las com frequência, estragavam-se mais rapidamente. Também tivemos a oportunidade de comprovar qual a duração de um disco de vinil antes de ficar muito riscado, mas ainda não sabemos quanto tempo duraria um CD-ROM, já que, sendo a invenção que podia substituir o livro, saiu rapidamente do mercado porque podemos acessar o mesmo conteúdo on-line e com um custo mais em conta. Também não sabemos qual será a duração de um filme em DVD, apenas sabemos que quando a vemos muitas vezes, começa a apresentar problemas. E, da mesma forma, não tivemos tempo material de comprovar a duração dos discos flexíveis (os floppy disk) para computador: antes que pudéssemos descobrir, eles foram substituídos pelos disquetes, e estes pelos discos regraváveis, e estes pelos pen drives. Com o desaparecimento dos diferentes suportes, também desapareceram os computadores capazes de lê-los (penso que ninguém mais tem em casa um computador com compartimento para o floppy) e quem não copiou no suporte seguinte o que tinha no anterior (e assim por diante por toda a vida), perdeu tudo irremediavelmente (a não ser que guarde no porão uma dúzia de computadores obsoletos, um para cada suporte desaparecido).
Então, sabemos que todos os suportes mecânicos, elétricos e eletrônicos são perecíveis em curto prazo, ou não sabemos quanto tempo duram, provavelmente nunca o saberemos. Enfim, basta uma queda de tensão, um raio no jardim ou qualquer outro acontecimento muito mais banal, para desmagnetizar uma memória. Se a eletricidade faltar por um longo período, já não poderíamos usar nenhuma memória eletrônica. Mesmo eu tendo gravado na minha memória eletrônica todo o Don Quixote, não poderia lê-lo à luz de velas, deitado em uma rede, em um barco, na banheira, em uma cadeira de balanço, da forma que um livro me permite fazê-lo nas condições mais precárias. E se o computador o ou e-book cai do quinto andar, certamente terei perdido tudo, mas se o livro cai das minhas mãos, no máximo, as folhas se soltam.
Os suportes modernos parecem estar mais direcionados à difusão da informação do que à sua conservação. O livro, no entanto, é o principal instrumento de difusão (pensemos no papel desempenhado pela Bíblia impressa durante a reforma protestante) e, ao mesmo tempo, de conservação.
É possível que daqui a alguns séculos a única forma de ter notícias sobre o passado, depois de todos os suportes eletrônicos terem se desmagnetizado, continue sendo um belo incunábulo. E, entre todos os livros modernos, sobreviverão aqueles muitos feitos com papel de alta qualidade, ou os que agora propõem muitos editores, feitos com papel livre de ácidos.
Não me considero um reacionário preso ao passado. Em um disco rígido portátil de 250 gigas, gravei as maiores obras mestras da literatura mundial e da história da filosofia: é muito mais confortável recuperar do disco rígido em poucos segundos, uma citação de Dante ou da Summa Theologica, que levantar-se e pegar um volume pesado nas prateleiras mais altas. Mas estou feliz de os livros continuarem nas minhas prateleiras, é uma garantia da memória para quando os fios dos instrumentos eletrônicos entrarem em curto.
Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.
Umberto Eco
Do The New York Times
URL: http://terramagazine.terra.com.br:80/interna/0,,OI3718541-EI12929,00.html
No encerramento da jornada Escola para Livreiros, destinada a Umberto e Elisabetta Mauro, em Veneza, falamos, entre outros assuntos, da transitoriedade dos suportes de informação. O monólito egípcio, a tabuleta de argila, o papiro, o pergaminho e, obviamente, o livro impresso, já foram suportes para a informação escrita. Este último, até agora, demonstra que sobrevive bem por quinhentos anos, mas somente quando feito de papel à base de algodão. A partir da metade de século XIX, passou-se ao papel à base de madeira, e parece que este tipo de papel dura, no máximo, setenta anos (de fato, basta manipular jornais ou livros da década de 1940 para ver que muitos deles se desmancham quando folhados). Portanto, há muito tempo são realizados congressos e são estudados meios diferentes para salvar todos os livros que enchem as nossas bibliotecas - uma das soluções mais bem-sucedidas (mas praticamente impossível de ser aplicada a todos os livros existentes) é escanear todas as páginas e copiá-las em um suporte eletrônico.
Mas nesse ponto nos deparamos com outra questão: todos os suportes para a transmissão e conservação da informação, da foto ao filme de cinema, do disco à memória USB que usamos no nosso computador, são mais perecíveis do que o livro. Sabemos muito bem disso: nas velhas fitas cassetes em pouco tempo a fita se enrolava, tentávamos desembaraçá-la introduzindo um lápis no carretel, muitas vezes sem êxito; as fitas de vídeo facilmente perdem as cores e a definição e quando usadas para estudar, tendo que adiantá-las e rebobiná-las com frequência, estragavam-se mais rapidamente. Também tivemos a oportunidade de comprovar qual a duração de um disco de vinil antes de ficar muito riscado, mas ainda não sabemos quanto tempo duraria um CD-ROM, já que, sendo a invenção que podia substituir o livro, saiu rapidamente do mercado porque podemos acessar o mesmo conteúdo on-line e com um custo mais em conta. Também não sabemos qual será a duração de um filme em DVD, apenas sabemos que quando a vemos muitas vezes, começa a apresentar problemas. E, da mesma forma, não tivemos tempo material de comprovar a duração dos discos flexíveis (os floppy disk) para computador: antes que pudéssemos descobrir, eles foram substituídos pelos disquetes, e estes pelos discos regraváveis, e estes pelos pen drives. Com o desaparecimento dos diferentes suportes, também desapareceram os computadores capazes de lê-los (penso que ninguém mais tem em casa um computador com compartimento para o floppy) e quem não copiou no suporte seguinte o que tinha no anterior (e assim por diante por toda a vida), perdeu tudo irremediavelmente (a não ser que guarde no porão uma dúzia de computadores obsoletos, um para cada suporte desaparecido).
Então, sabemos que todos os suportes mecânicos, elétricos e eletrônicos são perecíveis em curto prazo, ou não sabemos quanto tempo duram, provavelmente nunca o saberemos. Enfim, basta uma queda de tensão, um raio no jardim ou qualquer outro acontecimento muito mais banal, para desmagnetizar uma memória. Se a eletricidade faltar por um longo período, já não poderíamos usar nenhuma memória eletrônica. Mesmo eu tendo gravado na minha memória eletrônica todo o Don Quixote, não poderia lê-lo à luz de velas, deitado em uma rede, em um barco, na banheira, em uma cadeira de balanço, da forma que um livro me permite fazê-lo nas condições mais precárias. E se o computador o ou e-book cai do quinto andar, certamente terei perdido tudo, mas se o livro cai das minhas mãos, no máximo, as folhas se soltam.
Os suportes modernos parecem estar mais direcionados à difusão da informação do que à sua conservação. O livro, no entanto, é o principal instrumento de difusão (pensemos no papel desempenhado pela Bíblia impressa durante a reforma protestante) e, ao mesmo tempo, de conservação.
É possível que daqui a alguns séculos a única forma de ter notícias sobre o passado, depois de todos os suportes eletrônicos terem se desmagnetizado, continue sendo um belo incunábulo. E, entre todos os livros modernos, sobreviverão aqueles muitos feitos com papel de alta qualidade, ou os que agora propõem muitos editores, feitos com papel livre de ácidos.
Não me considero um reacionário preso ao passado. Em um disco rígido portátil de 250 gigas, gravei as maiores obras mestras da literatura mundial e da história da filosofia: é muito mais confortável recuperar do disco rígido em poucos segundos, uma citação de Dante ou da Summa Theologica, que levantar-se e pegar um volume pesado nas prateleiras mais altas. Mas estou feliz de os livros continuarem nas minhas prateleiras, é uma garantia da memória para quando os fios dos instrumentos eletrônicos entrarem em curto.
Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Tesouros da Astronomia na Biblioteca Nacional
0 Comentários quinta-feira, abril 23, 2009
Publicado por Paulo Barreiro de Sousa
Assunto: Biblioteca Nacional, Exposição, livro
Está em exibição, de 29 de Abril a 31 de Julho, na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa, a exposição «Estrelas de Papel: Livros de Astronomia dos séculos XIV a XVIII». Pela primeira vez, a BNP reúne um conjunto fundamental das obras mais emblemáticas da história da Astronomia. Integrada nas celebrações do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009), a exposição «Estrelas de Papel» é uma oportunidade rara para conhecer a evolução da mais antiga das ciências exactas e perceber o fascínio que despertou em todos os povos e culturas.
São os melhores de todos os tempos e estão reunidos na Biblioteca Nacional de Portugal. De manuscritos de Alcobaça a códices árabes, de Ptolomeu ao avô de D. Dinis, as maiores estrelas da Astronomia são cabeças-de-cartaz de uma exposição inédita sobre as obras que redesenharam o Universo.
Era uma vez o homem que pôs a Terra no centro do Universo e o homem que a expulsou. E era uma vez o avô castelhano de D. Dinis, que posicionou os planetas. De Ptolomeu a Copérnico, de Afonso X a Newton, os nomes maiores da Astronomia dão o mote a uma mostra rara sobre as obras que desenharam e redesenharam o Universo.
Aceda ao texto completo da notícia em Ciência Hoje.
A entrada é livre.
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