Uma determinada Câmara Municipal quer admitir para o seu quadro de pessoal um Técnico Superior caracterizando o posto da seguinte forma:
Planear a gestão e direcção técnica da biblioteca; executar todas as rotinas inerentes às operações de tratamento do fundo documental tais como: registo, catalogação, indexação e cotação; gestão de catálogos, mantendo-os actualizados; assegurar serviços de atendimento ao público, apoiando e orientando o utilizador de serviços; executar pesquisas bibliográficas e rotinas de empréstimo, reservas e devoluções; supervisionar a arrumação dos fundos documentais; fazer a gestão das devoluções difíceis. Preparar instrumentos de difusão, aplicando normas de funcionamento de bibliotecas e serviços de documentação, de acordo com métodos e procedimentos previamente estabelecidos; organizar e promover estatísticas de leitura, consultas e utilização de recursos. Propor a realização de actividades de promoção da leitura, acompanhando a sua realização, após decisão superior; realizar mostras bibliográficas e outras exposições.
Pela caracterização é óbvia a intenção da contratação, a Câmara Municipal precisa de um Bibliotecário / Profissional da Informação. Hoje, com a solidificação da Ciência da Informação, a proliferação e o aprofundamento da formação na área tornou-se uma realidade. De cursos profissionais, Licenciaturas, Pós-graduações, passando pelos Mestrados e Doutoramentos a oferta é muita e estruturada. Ora a dita Câmara Municipal ao invés de apostar na qualidade dos serviços que presta aos seu cidadãos contratando um profissional qualificado, prefere exigir como nível habilitacional uma Licenciatura na área da Sociologia e Licenciatura na área Animação Educativa e Sociocultural que em nada têm que ver com as funções descritas anteriormente. São casos como este que demonstram o quanto se tornou necessário rever o Decreto-Lei n.º 121/2008, de 11 de Julho, que reestrutura as carreiras da Administração Pública.
É no mínimo incongruente Portugal andar, neste caso, a par com a vanguarda internacional no que concerne à formação e, ao mesmo tempo, posicionar-se na cauda internacional quando toca à aplicação ao mercado de trabalho, nomeadamente da Administração Publica, dessa qualificação.
O que está em causa não é uma questão de classe profissional, é, acima de tudo, uma questão de qualidade nos serviços prestados pelos organismos públicos e essa qualidade deveria iniciar-se com a qualificação dos recursos humanos da função pública.
Petição para a Obrigatoriedade de Requisitos de Formação para a Carreira de Biblioteca e Arquivo - http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=CI2010
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