Fonte: O liberal, Belem (Pará). Data: 13-03-2010.
Autora: Cristina Alencar.
As Luzes seculares das bibliotecas
CRISTINA ALENCAR
O Dia do Bibliotecário foi escolhido em homenagem ao nascimento do engenheiro eletricista, bibliotecário, escritor, poeta parnasiano, teatrólogo, publicitário, filatelista, jornalista, compositor e humorista Manuel Bastos Tigre. Foi instituído por meio do Decreto 84.631, de 09/04/1980, então assinado pelo presidente da República João Figueiredo. Manuel Bastos Tigre nasceu no Recife, PE, no dia 12 de março de 1882. Estudou no Colégio Diocesano em Olinda, lá compôs os primeiros versos e criou o jornal humorístico O Vigia.
Formou-se pela Escola Politécnica de Engenharia, no Rio de janeiro, em 1906. Exerceu a função de Engenheiro da General Eletric e também foi ajudante de geólogo nas Obras Contra as Secas, no Ceará.
Foi um profissional de múltiplos talentos. Obteve sucesso em todas as áreas que atuou. Como destacado publicitário brasileiro, é dele aquela frase tão utilizada pela Bayer “Se é Bayer é bom”, que correu o mundo, divulgando a qualidade dos produtos da empresa.
Ao fazer um aperfeiçoamento em eletricidade, nos Estados Unidos, chegando lá, conheceu o bibliotecário americano Melvil Dewey, que o deixou interessado pela profissão. Aos 33 anos, Manuel largou a Engenharia e foi trabalhar com a Biblioteconomia. No Rio de Janeiro, trabalhou em três instituições. Em 1915, com estudo sobre a Classificação Decimal prestou concurso para Bibliotecário do Museu Nacional, obteve o primeiro lugar. Sendo assim, é considerado o primeiro bibliotecário por concurso do país. De 1945-1947, trabalhou na Biblioteca Nacional e posteriormente assumiu a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil e, mesmo depois de aposentado, trabalhou ao lado do reitor desta Academia, o professor Pedro Calmon de Sá.
Por 40 anos, exerceu a profissão de Bibliotecário. Durante a sua vida foi agraciado com importantes prêmios, entre os quais o prêmio: Paula Brito ou Gutenberg, Morreu aos 75 anos, no RJ, em 1 de agosto de 1957.
Quem é e o que faz o profissional bibliotecário? É um profissional liberal, além de administrar a biblioteca, é o mediador entre a informação e o leitor. Trata a informação e a torna acessível aos interessados, independente do suporte informacional. Ele trabalha em centros de documentação de bibliotecas e pode gerir redes e sistemas de informação além de recursos informacionais e trabalhar com as novas tecnologia.
Em 1911, o primeiro curso de Biblioteconomia foi criado no país, na Biblioteca Nacional, exatamente há 99 anos. Aliás, a BN completa em outubro 200 anos. A profissão foi regulamentada pela Lei 4084 de 30 de junho de 1962. Hoje, existem 42 cursos superiores de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação ou Gestão de Unidades de Informação/Gestão da Informação. No Pará, o curso foi criado em 1963, na UFPA, pelo professor Dr. Clodoaldo Beckmann a pedido do professor e Dr. Silveira Netto então reitor da época.
Temos como pai da Biblioteconomia no mundo São Jerônimo, que traduziu a bíblia do grego e do hebraico para o latim, a obra conhecida como Vulgata. Além disso, ela é considerada a segunda profissão mais antiga do mundo.
Os livros são importantes para a formação das pessoas. No carnaval carioca deste ano, tivemos três escolas de samba que retrataram os livros. A união da Ilha que apostou na literatura com o samba-enredo "Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis"; o Salgueiro fez referência à história mundial, os clássicos nacionais - a comissão de frente com os monges copistas e a figura de Gutemberg. A escola campeã, Unidos da Tijuca, no abre-alas mostrou o incêndio da Biblioteca de Alexandria, em que os pergaminhos foram queimados e quantas informações se perderam.
A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento. O ideal é que todo órgão possua uma biblioteca. A escola precisa formar cidadãos críticos, aptos em busca de soluções para os problemas sociais.
Nota: Cristina Alencar é Bibliotecária da Universidade Federal do Pará.
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Bastos Tigre. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Bastos Tigre. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 17 de março de 2010
12 de março: Dia do Bibliotecário
0 Comentários quarta-feira, março 17, 2010
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: bibliotecário, Manuel Bastos Tigre
quinta-feira, 12 de março de 2009
Dia do Bibliotecário brasileiro
0 Comentários quinta-feira, março 12, 2009
Publicado por Murilo Cunha
Assunto: associação de bibliotecário, Dia do Bibliotecário, Manuel Bastos Tigre
O bibliotecário e a era do conhecimento
Coluna: TENDÊNCIAS/DEBATES
Autores: VERA STEFANOV e LEVI BUCALEM FERRARI
Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 12/3/2009, p. A3.
Hoje, no Dia do Bibliotecário, esse profissional clama pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhe faz justiça plena aqui no Brasil.
AS CIVILIZAÇÕES têm como marco inicial a palavra escrita, testemunho mais eloquente de qualquer cultura. Na Antiguidade, bibliotecas foram símbolo do prestígio das cidades que as abrigavam. Zelar por elas era tarefa das mais importantes, atribuída a um segmento nobiliárquico competente. Ainda não se distinguiam os papéis do escriba e os do bibliotecário, como os entendemos hoje, mas o fato é que esses profissionais gozavam de prestígio e respondiam diretamente ao soberano. A partir da invenção da prensa móvel por Gutenberg, aumenta exponencialmente o número de exemplares por livro e surgem os jornais, os fascículos, as revistas. Logo, as bibliotecas demandaram profissionais especializados, na moderna figura do bibliotecário -que desenvolveram sistemas mais eficazes de catalogação, disposição, conservação etc.
No Brasil, esse marco foi estabelecido pelo engenheiro, bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre. A importância de sua contribuição é reconhecida também pela legislação, que apontou a data de seu nascimento -12 de março- como o Dia do Bibliotecário no Brasil. Em 1906, Bastos Tigre viajou para os Estados Unidos, onde conheceu Melvil Dewey, que já havia instituído o sistema de classificação decimal. A partir de 1945, trabalhou na Biblioteca Nacional e, depois, assumiu a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil.
Fiéis ao espírito pioneiro de seu patrono e aos inúmeros serviços que prestou ao país e ao livro, bibliotecários brasileiros clamam na data de hoje pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhes faz justiça plena. De fato, predomina, entre nós, muito amadorismo na questão. Enquanto o bibliotecário é visto como luxo dispensável, não raro outros profissionais são chamados para quebrar o galho, comprometendo a conservação de acervos importantes, sua disposição racional e sua acessibilidade. Nas escolas a situação é de calamidade pública. Muitas nem sequer possuem bibliotecas. Não raro, é algum professor que se encarrega de organizar o acervo. Em outras, os livros se atulham sob escadas, corredores ou salas inadequadas. O impacto é extremamente negativo na formação dos alunos. Na idade em que a leitura precisa ser valorizada para que seu hábito se cristalize, o estudante vê livros tratados como entulho. Nada o convencerá mais tarde do contrário: o livro permanecerá entulho, e sua leitura, um ato despido de sentido.
Quanto ao ensino superior, as informações não são melhores. Boa parte dos grandes complexos educacionais privados costuma adquirir muitos livros. Mas, quantos? Uma centena de exemplares pode impressionar o leigo, mas está longe da suficiência se o número de alunos por curso passa da casa do milhar. Se isso é válido para uma política hipócrita em relação ao livro, imaginemos as proporções bibliotecário/usuário nessas instituições. Seu número é quase sempre insuficiente, como são precárias suas condições de trabalho.No momento em que governo e sociedade no Brasil se dão conta de nossos vergonhosos níveis de leitura e se mobilizam para superá-los por meio de programas de incentivo, não é mais possível aceitarmos esses descalabros. É o momento de convocar o bibliotecário para -ao lado do educador, do escritor, do editor e de outros- traçar os rumos de uma política eficaz e duradoura para os livros e para as bibliotecas.
Entre os novos desafios, o maior vem da tecnologia da informação, que cresce exponencialmente. Ajudar o pesquisador, o profissional e o cidadão a pinçar, entre uma infinidade de informações, aquelas que realmente lhe interessam e que são confiáveis é apenas a ponta do iceberg. De fato, a possibilidade de acesso mais democrático à informação, à literatura e à cultura em geral não permitirá que o bibliotecário se aliene em relação a desafios que trazem em seu bojo a histórica oportunidade de aliança entre cultura e consciência crítica, entre informação e emancipação. Inicialmente, ele terá de interagir em equipes multidisciplinares, em processos de mútuo aprendizado. Aos poucos, sua formação específica haverá de impor-se como peça-chave de funções socialmente tão relevantes. O bibliotecário se mostrará, assim, indispensável. Quando isso ocorrer, a forma como esse profissional for tratado por empregadores de quaisquer tipos, pela sociedade e pelo legislador representará indicador do grau de civilização que poderemos projetar para nós mesmos.
VERA LUCIA STEFANOV, 56, bibliotecária documentalista, é presidente do SinBiesp (Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo).
LEVI BUCALEM FERRARI, 63, cientista político, é presidente da UBE (União Brasileira de Escritores).
--------
Comentário:
Parabéns a todos os 25.000 bibliotecários brasileiros pelo muito que estão fazendo para o progresso sócio-cultural do País. Parabéns também pelo esforço em levar a leitura e a informação aos nossos cidadãos, de todas as faixas etárias, raças, credos religiosos e políticos.
Murilo Cunha
Coluna: TENDÊNCIAS/DEBATES
Autores: VERA STEFANOV e LEVI BUCALEM FERRARI
Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 12/3/2009, p. A3.
Hoje, no Dia do Bibliotecário, esse profissional clama pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhe faz justiça plena aqui no Brasil.
AS CIVILIZAÇÕES têm como marco inicial a palavra escrita, testemunho mais eloquente de qualquer cultura. Na Antiguidade, bibliotecas foram símbolo do prestígio das cidades que as abrigavam. Zelar por elas era tarefa das mais importantes, atribuída a um segmento nobiliárquico competente. Ainda não se distinguiam os papéis do escriba e os do bibliotecário, como os entendemos hoje, mas o fato é que esses profissionais gozavam de prestígio e respondiam diretamente ao soberano. A partir da invenção da prensa móvel por Gutenberg, aumenta exponencialmente o número de exemplares por livro e surgem os jornais, os fascículos, as revistas. Logo, as bibliotecas demandaram profissionais especializados, na moderna figura do bibliotecário -que desenvolveram sistemas mais eficazes de catalogação, disposição, conservação etc.
No Brasil, esse marco foi estabelecido pelo engenheiro, bibliotecário, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre. A importância de sua contribuição é reconhecida também pela legislação, que apontou a data de seu nascimento -12 de março- como o Dia do Bibliotecário no Brasil. Em 1906, Bastos Tigre viajou para os Estados Unidos, onde conheceu Melvil Dewey, que já havia instituído o sistema de classificação decimal. A partir de 1945, trabalhou na Biblioteca Nacional e, depois, assumiu a direção da Biblioteca Central da Universidade do Brasil.
Fiéis ao espírito pioneiro de seu patrono e aos inúmeros serviços que prestou ao país e ao livro, bibliotecários brasileiros clamam na data de hoje pelo reconhecimento social que, todavia, ainda não lhes faz justiça plena. De fato, predomina, entre nós, muito amadorismo na questão. Enquanto o bibliotecário é visto como luxo dispensável, não raro outros profissionais são chamados para quebrar o galho, comprometendo a conservação de acervos importantes, sua disposição racional e sua acessibilidade. Nas escolas a situação é de calamidade pública. Muitas nem sequer possuem bibliotecas. Não raro, é algum professor que se encarrega de organizar o acervo. Em outras, os livros se atulham sob escadas, corredores ou salas inadequadas. O impacto é extremamente negativo na formação dos alunos. Na idade em que a leitura precisa ser valorizada para que seu hábito se cristalize, o estudante vê livros tratados como entulho. Nada o convencerá mais tarde do contrário: o livro permanecerá entulho, e sua leitura, um ato despido de sentido.
Quanto ao ensino superior, as informações não são melhores. Boa parte dos grandes complexos educacionais privados costuma adquirir muitos livros. Mas, quantos? Uma centena de exemplares pode impressionar o leigo, mas está longe da suficiência se o número de alunos por curso passa da casa do milhar. Se isso é válido para uma política hipócrita em relação ao livro, imaginemos as proporções bibliotecário/usuário nessas instituições. Seu número é quase sempre insuficiente, como são precárias suas condições de trabalho.No momento em que governo e sociedade no Brasil se dão conta de nossos vergonhosos níveis de leitura e se mobilizam para superá-los por meio de programas de incentivo, não é mais possível aceitarmos esses descalabros. É o momento de convocar o bibliotecário para -ao lado do educador, do escritor, do editor e de outros- traçar os rumos de uma política eficaz e duradoura para os livros e para as bibliotecas.
Entre os novos desafios, o maior vem da tecnologia da informação, que cresce exponencialmente. Ajudar o pesquisador, o profissional e o cidadão a pinçar, entre uma infinidade de informações, aquelas que realmente lhe interessam e que são confiáveis é apenas a ponta do iceberg. De fato, a possibilidade de acesso mais democrático à informação, à literatura e à cultura em geral não permitirá que o bibliotecário se aliene em relação a desafios que trazem em seu bojo a histórica oportunidade de aliança entre cultura e consciência crítica, entre informação e emancipação. Inicialmente, ele terá de interagir em equipes multidisciplinares, em processos de mútuo aprendizado. Aos poucos, sua formação específica haverá de impor-se como peça-chave de funções socialmente tão relevantes. O bibliotecário se mostrará, assim, indispensável. Quando isso ocorrer, a forma como esse profissional for tratado por empregadores de quaisquer tipos, pela sociedade e pelo legislador representará indicador do grau de civilização que poderemos projetar para nós mesmos.
VERA LUCIA STEFANOV, 56, bibliotecária documentalista, é presidente do SinBiesp (Sindicato dos Bibliotecários do Estado de São Paulo).
LEVI BUCALEM FERRARI, 63, cientista político, é presidente da UBE (União Brasileira de Escritores).
--------
Comentário:
Parabéns a todos os 25.000 bibliotecários brasileiros pelo muito que estão fazendo para o progresso sócio-cultural do País. Parabéns também pelo esforço em levar a leitura e a informação aos nossos cidadãos, de todas as faixas etárias, raças, credos religiosos e políticos.
Murilo Cunha
Subscrever:
Mensagens (Atom)