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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A crise na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro


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Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 4/01/2013.
URL: www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-crise-da-biblioteca-nacional-,980444,0.htm
O descaso das autoridades em relação à preservação da história do Brasil pode muito bem ser simbolizado pela degradação da Biblioteca Nacional. Sua sede de 102 anos, no centro do Rio de Janeiro, enfrenta toda sorte de problemas há décadas, mas só agora, diante da perda alarmante de parte da memória nacional, graças a cupins e infiltrações, receberá alguma verba para fazer os reparos urgentes - serão R$ 70 milhões, segundo o Ministério da Cultura.
Reportagem da Folha de S. Paulo resumiu o atual estado da Biblioteca, que a Unesco considera uma das dez maiores do mundo. Quase todo o edifício padece de má conservação, o que ameaça a coleção de obras raras, algumas do século 11. O ar-condicionado está com defeito, o que obriga os funcionários a trabalhar sob uma temperatura muitas vezes superior a 40 graus, calor que compromete também a manutenção do acervo. Em razão desse defeito, houve três vazamentos de água somente neste ano - num dos casos, mais de 2 mil periódicos foram atingidos. Quando chove muito forte, os livros que ficam no último andar são atingidos. Em laudo de setembro de 2012, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional chamou a atenção para a necessidade urgente de um levantamento rigoroso do estado de conservação das instalações do edifício. Além disso, há um problema estrutural evidente: a capacidade original de armazenamento do prédio é de 400 mil volumes, mas ele abriga hoje cerca de 9 milhões de itens. Todos os anos chegam 100 mil obras novas, entre livros, fotos, jornais, mapas e objetos de valor histórico. O espaço utilizável da Biblioteca Nacional, sob todos os aspectos, foi superado há muito tempo.
Os servidores da instituição fizeram dois protestos em 2012 para denunciar os problemas do edifício e também para acusar a Fundação Biblioteca Nacional, responsável por sua administração, de não prestar informações sobre as providências que tomou para resolvê-los. A Fundação limitou-se a afirmar que "muito tem sido feito" para modernizar o prédio e que já ordenou a contratação de uma empresa para reparar as instalações elétricas e o ar-condicionado. Para justificar a demora na resolução da crise, a Fundação argumentou que as exigências legais acarretam atrasos, uma desculpa muito comum em várias repartições do governo federal para disfarçar sua ineficiência.
Como se não fosse suficiente a degradação da Biblioteca, a Fundação Biblioteca Nacional passou a acumular em 2012 outras funções, como a responsabilidade pelo Plano Nacional do Livro e Leitura, cujo orçamento é de R$ 373 milhões - mais que o dobro do orçamento da própria Fundação. A crítica dos especialistas da área é que a Fundação não tem capacidade para realizar essa tarefa, deixando em segundo plano a Biblioteca Nacional, cuja zeladoria é sua função precípua. Oficialmente, a Fundação diz que todos os projetos que administra já foram ao menos iniciados e que os problemas da sede da Biblioteca não estão relacionados com o aumento de tarefas da instituição. No entanto, como não é possível acompanhar a execução dos projetos, pois o site do Plano Nacional do Livro e Leitura não é atualizado desde 2011, resta somente a constatação de que os programas tocados pela Fundação enfrentam atrasos. Ademais, a própria ministra da Cultura, Marta Suplicy, observou o óbvio - que a Fundação não é a instituição adequada para administrar o Plano Nacional do Livro e Leitura - e pretende rever essa atribuição. São erros desse tipo que denunciam a desorientação burocrática do atual governo, cada vez mais inchado para atender a interesses políticos.
No caso da Biblioteca Nacional, porém, trata-se de mais um entre tantos erros administrativos cujas consequências, de tão maléficas, são difíceis de medir. Por essa razão, o processo de degradação dessa instituição, responsável pela guarda de um acervo tão importante de documentos e que simboliza como poucas a pretensão do Brasil de ocupar um lugar no mundo civilizado, deve ser imediatamente interrompido.
Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 4/01/2013.
Nota do blog:
Quando jornais do porte da Folha de S. Paulo e do Estado de S. Paulo chegam a publicar editoriais sobre a atual situação da Biblioteca Nacional é sinal de alerta para a cultura brasileira. Algo precisa ser feito, com a palavra o Ministério da Cultura e demais autoridades brasileiras.
Murilo Cunha

domingo, 21 de outubro de 2012

Petição pública: mudanças na Biblioteca Nacional (Brasil)


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Abaixo-assinado CARTA ABERTA À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF O SETOR DO LIVRO, LEITURA E LITERATURA PEDE PROVIDÊNCIAS

Para:Presidenta da República Federativa do Brasil

Senhora Presidenta,

Os que assinam esta Carta Aberta o fazem por entender que se esgotaram todas as possibilidades de mudanças nos rumos das políticas voltadas para a área do livro, leitura e literatura no âmbito do MinC (Ministério da Cultura) e FBN (Fundação Biblioteca Nacional). Para nós, é necessário que a Senhora, como leitora e incentivadora destas políticas, conheça de perto o real quadro deste importante e fundamental setor para a construção de uma nação realmente desenvolvida e independente.

Antes de expor nossos argumentos, é importante salientar que as pessoas que assinam este documento militam na área de cultura e foram, em sua maioria, defensoras de sua eleição. O principal motivo que nos levou a apoiá-la, além de outros avanços nas diversas áreas do país, foi o gigantesco salto dado pelo Brasil na construção de uma política de cultura como política de Estado nos dois governos Lula e, mais especificamente, os enormes passos dados na construção de uma política voltada para o livro, leitura e literatura, visando responder a enorme dívida social que o Estado Brasileiro tem com sua sociedade: o nosso grande déficit de leitores.

A Senhora representava a manutenção deste projeto e sua grande possibilidade de fazê-lo avançar ainda mais. Estávamos todos entusiasmados com o momento que o país vivia e confiantes de que o projeto político-cultural seria mantido. Sabíamos que ajustes eram necessários, mas também sabíamos que a manutenção da base e do caminho trilhado até sua posse seria o mais coerente.

Senhora Presidenta, não vamos aqui detalhar os problemas enfrentados na gestão da ministra Ana de Holanda, que vem recebendo muitas críticas de setores que sempre apoiaram os rumos das políticas culturais do Governo Federal desde a posse do ex-presidente Lula. Vamos nos limitar a analisar as questões relacionadas às políticas para o livro, leitura e literatura.

Desgoverno e propaganda
Senhora Presidenta, todo o problema na área do livro, leitura e literatura começou com a intervenção anti-democrática do senhor Galeno Amorim, nomeado presidente da FBN no início de 2011, que se dedicou a desmontar estruturas importantes em nosso setor, a desmobilizar o Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura e a retroceder em conquistas fundamentais, tudo em função de uma desastrosa centralização das políticas na Fundação Biblioteca Nacional.

Alertas para os problemas que trariam estas manobras, diversas moções e recomendações, além de correspondências encaminhadas à ministra Ana de Holanda, e ao presidente da FBN, Galeno Amorim, foram redigidas e manifestadas no âmbito do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura e do Conselho Nacional de Política Cultural, instâncias do MinC para a participação da sociedade civil. Infelizmente, estas manifestações foram ignoradas.

A centralização das políticas para o setor em um único organismo, a Fundação Biblioteca Nacional, provocou o maior retrocesso que a área viu desde que se iniciou a implantação das políticas públicas para o livro, leitura e literatura. A Diretoria do Livro, Leitura e Literatura - DLLL, que funcionava vinculada à Secretaria de Articulação Institucional do MinC, passou a ser subordinada à FBN e iniciou-se um claro processo de desmonte de sua estrutura.

É preciso salientar que a conquista desta diretoria na estrutura do MinC representou grandes avanços para o setor. Sua mudança de subordinação administrativa gerou um intencional rebatimento político negativo com a paralisia de vários projetos como o PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura) e de uma mudança prejudicial no foco das políticas: antes voltadas para a formação de leitores e agora curvada ao comércio de livros, para atender alguns interesses imediatos do mercado editorial.

Esta mudança de foco atende a demandas antigas do mercado, mas é contraditória à medida que reduz os investimentos nos eixos estruturantes das políticas do setor: a criação literária e a formação de leitores, reduzindo o papel do Estado a agenciar políticas para a formação de uma imensa massa de novos consumidores, atendendo ao apetite desmedido do mercado.

Não temos posição contrária a políticas que dinamizem a indústria e o mercado editorial. O que questionamos é o que se nos revela como miopia política pela inversão de valores: a priorização dos interesses imediatos do mercado, em detrimento justamente das dimensões que dão lastro, sentido e qualidade às políticas públicas nacionais do livro, leitura e literatura: a Formação de Leitores. O que questionamos é a ênfase no livro como mera mercadoria e no leitor como simples consumidor desta mercadoria – e não como cidadão com direito universal de acesso ao conhecimento.

Para comprovar esta mudança de foco, fizemos um rápido levantamento dos investimentos feitos em 2011 e algumas comparações com 2010:

A FBN/MinC investiu no ano passado cerca de R$ 40 milhões no Livro Popular, um projeto para resolver as questões impostas pelo mercado, mais cerca de R$ 4 milhões em feiras do livro, contra apenas cerca R$ 6 milhões em leitura e pouco mais de R$ 2 milhões em fomento à literatura, ainda assim, parcialmente executadas e às custas do congelamento de políticas de sucesso implementadas pelo próprio MinC, e seus órgãos subordinados, como a Funarte, de 2007 para cá.

Em 2010 estavam aprovados e orçados no Fundo Nacional de Cultura (com editais com pareceres favoráveis) R$ 30 milhões para a área do livro, leitura e literatura. O único edital executado foi o de R$ 3 milhões para as pequenas e médias livrarias (que se insere nas demandas do mercado, apesar de o defendermos como de extrema importância, pois está vinculado à promoção cultural nestes espaços, que enfrentam a concorrência desigual das grandes redes). Os demais editais, todos voltados para a formação de leitores, mediadores e área literária foram ignorados pela nova gestão da FBN.

Vale ressaltar que o edital das livrarias foi aberto antes de o senhor Galeno Amorim assumir a FBN (em janeiro de 2011) e concluído a partir de uma pressão exercida pelo Colegiado, demanda assumida pelo secretário de Articulação Institucional do MinC, Luiz Roberto Peixe, e pelo então diretor da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, Fabiano Santos Piúba.

Segundo dados da própria FBN, é possível apurar os seguintes números orçados para a ação das políticas do livro, leitura e literatura em 2011, ainda que não saibamos da sua real execução:

LIVRO
- Edital para compra do Livro Popular: R$ 36,9 milhões
- Gestão do Livro Popular: R$ 1,5 milhão
- Circuito de Feira de Livros: R$ 3,3 milhões
- Gestão e execução do programa Livraria Popular: R$ 2 milhões
- Feira de Frankfurt: R$ 1 milhão
Total: R$ 44,79 milhões

Cabe ressaltar um dado grave: o montante destinado ao Edital de Compra dos Livros Populares é resultado de uma emenda parlamentar do deputado Angelo Vanhoni (PT-PR) que deveria ser executada com a finalidade de modernizar e implantar bibliotecas.

BIBLIOTECAS
- Edital Mais Cultura de Apoio a Bibliotecas: R$ 2,065 milhões
- Modernização da Biblioteca Estadual do RS: R$ 2,362 milhões
- Kits de Modernização de Bibliotecas Municipais: R$ 4,319 milhões
Total: R$ 8,746 milhões

LITERATURA
- Internacionalização: R$ 1 milhão
- Bolsas de Tradução: R$ 256 mil
- Caravana de escritores: R$ 1 milhão
Total: R$ 2,256 milhão
1. O presidente da FBN chegou a anunciar R$ 1 milhão para o programa de tradução, mas foram investidos apenas R$ 256 mil.
2. Não há clareza sobre o que significa o item orçamentário “Internacionalização”
3. O programa de Caravana de Escritores ainda não saiu do papel.
Ou seja, o investimento real em literatura, na verdade, se resumiu a pouco mais de R$ 1 milhão.

LEITURA
- PROLER (Cidadania e Leitura): R$ 2,1 milhões
- Agentes de Leitura: R$ 2,84 milhões
- PROLER (Formação de mediadores): R$ 912 mil
- Pontos de Leitura/Quilombolas: R$ 300 mil
Total: R$ 6,152 milhões

Vale lembrar que:

1. As ações do ProLer foram orçadas em 2010.

2. No programa Agentes de Leitura, havia R$ 5 milhões aprovados pela Comissão Nacional do FNC, mas a direção da FBN retirou R$ 2,16 milhões para o Programa Livro Popular, reduzindo para quase a metade as possibilidades de investimentos no principal programa formador de leitores do país.

3. A FBN coloca na conta cerca de R$ 7 milhões de restos a pagar de 2010 do Mais Cultura do MinC para convênios com os Estados e com as Prefeituras.

O resumo, SENHORA PRESIDENTA, é que para 2011 foram prometidos os seguintes blocos de investimentos, ressaltamos, sem o aval do Colegiado Setorial, e que caracteriza bem a mudança de foco do MinC/FBN nas políticas do livro, leitura e literatura:

- Livros: R$ 44.792.000,00
- Bibliotecas: R$ 8.746.000,00
- Literatura: R$ 2.256.000,00
- Leitura: R$ 6.152.000,00

Em torno de 76% voltados para ações de livros e em torno de 60% desse orçamento para a compra exclusiva de livros. A justificativa para os investimentos em compra de livros pode até ser a de que beneficiarão as bibliotecas, mas uma rápida análise comprova que a necessidade de nossas bibliotecas está muito além da simples renovação de seus acervos, sendo muito maior a necessidade de qualificação e ampliação de seus quadros profissionais (mediadores de leitura), a modernização de seus espaços, a presença de escritores dialogando diretamente com o público e sua transformação em verdadeiros centros culturais e não apenas meros depósitos de livros. Cabe ressaltar ainda que esta compra de livros populares, em boa parte, é feita a partir de estoques não vendidos das editoras (ou seja, edições antigas).

Outro investimento paralisado em 2011 (este não se trata de valores, mas sim de vontade política), definido como prioridade pela no processo da II Conferência Nacional de Cultura e pelo Colegiado Setorial, trata da institucionalização das Políticas:

- Instituto Nacional de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas
- Lei do Plano Nacional de Livro e Leitura
- Fundo Setorial Pró-Leitura

Há ainda os editais não executados em 2011, previstos no Fundo Nacional de Cultura em 2010:
1) Edital Todos pela Leitura - R$ 11 milhões
2) Edital Cidades de Leitores – R$ 3 milhões
3) Edital de Bolsa de Criação, Difusão, Formação e Intercâmbio Literário - R$ 10 milhões
4) Edital de Produção e Circulação de Periódicos Literários - R$ 3 milhões

Todos estes investimentos garantiriam R$ 14 milhões a mais nos programas de formação de leitores e outros R$ 13 milhões na área de literatura. A FBN/MinC subtraiu esses recursos para direcioná-los todos a compra de livros.

Vale lembrar ainda neste item, que em 2010 foram investidos R$ 4 milhões da Funarte nas Bolsas de Criação e Circulação Literária, programas que foram interrompidos em 2011 (ou seja, mais uma redução no investimento em literatura), com a promessa de retornarem em 2012. Este investimento foi interrompido por interferência direta da presidência da FBN, que gestionou para que estas bolsas fossem retiradas da Funarte.

PNLL – Plano Nacional do Livro e da Leitura
O PNLL é nosso documento de referência, não só por consolidar os grandes eixos do corpo das políticas públicas do livro, leitura, literatura e bibliotecas, mas por ser fruto do esforço dialogado entre governo e sociedade civil, e por ter sido, senão o primeiro, um documento de referência nas políticas culturais, inspirador para outros setores da cultura desencadearem o processo de elaboração de seus respectivos Planos.

A sistematização desse rico processo e seu grau de reconhecimento está bem posta no prefácio do José Castilho Marques Neto, ex-secretário Executivo do PNLL, na publicação PNLL Textos e História: 2006-2010, quando afirma que:
“Com o PNLL e seu desdobramento nos Planos Estaduais e Planos Municipais de Livro e Leitura, que já começam a acontecer desde 2009 em muitos cantos do país, o Brasil pode afirmar que está próximo de conquistar uma Política de Estado para a leitura.

O Brasil alcançou com o PNLL um patamar político e conceitual que é imprescindível para se consolidar uma Política de Estado para o setor, isto é, o desejado consenso entre governo e sociedade tanto no diagnóstico do que é preciso fazer quanto nos objetivos a alcançar para se tornar um país de leitores.

A obtenção deste consenso foi o que mais projetou o PNLL para os países ibero-americanos, tornando-o referência para muitos dos planos de leitura que também se desenvolvem nos países irmãos do continente americano e no mundo ibérico.
Os entrelaçamentos conceituais e práticos da ação do Estado com a sociedade e a indissociabilidade entre a cultura e a educação na formação de leitores são pontos referenciais que o PNLL do Brasil possui e foram intensamente debatidos e assimilados como necessidade da política pública de leitura em inúmeros foros internacionais”.

O PNLL está paralisado desde a saída do então secretário-executivo, José Castilho, em abril de 2011, o que torna o quadro das políticas para o livro, leitura e literatura ainda mais desalentador. Somente em dezembro de 2011 foi nomeada a professora Maria Antonieta Cunha, para substituí-lo. Para piorar a situação, dois meses depois Antonieta foi anunciada como nova titular da DLLL, deixando novamente acéfala a direção do PNLL.

Com a demora na nomeação da substituta do Castilho, a insegurança política gerada e o desmantelamento da equipe, o Plano ficou um ano praticamente paralisado. Em 2010 havia cerca de 700 municípios cadastrados. Além de não haver registro confiável da ampliação dos planos municipais em 2011, o DLLL não consegue monitorar o andamento dos Planos municipais e estaduais em curso.
O aspecto mais transparente desta paralisia pode ser resumido em três exemplos: desde abril de 2011 o site do PNLL não é atualizado, desde dezembro de 2010 não é expedido o boletim semanal do Plano e em 2010 foram realizados quatro cursos para gestores de PELLs e PMLLs, enquanto em 2011 somente um até março e outro iniciado em abril.

AGENTES DE LEITURA
Em 2011 foram formados 164 agentes de leitura nos municípios de São Bernardo do Campo (SP), Nilópolis (RJ) e Canoas (RS).
Os dados do MinC informam que até 2010 existiam convênios que garantiam a ação de 3.877 agentes de leitura em todo o país, divididos entre 9 governos estaduais, 16 municipais e três consórcios intermunicipais.
Fundo Pró-Leitura e Sistema Nacional de Bibliotecas
Outra situação grave, que vale ressaltar sempre, é o completo desaparecimento de pauta do Projeto de lei de criação do Fundo Pró-Leitura (projeto que vinha tramitando com pareceres técnicos e jurídicos consolidados dos ministérios da Cultura, Educação, Planejamento, mas sobretudo da Fazenda, que redigiu a forma e estrutura da Contribuição Social).

Esse projeto surgiu a partir da desoneração fiscal em 2004, pelo Governo Lula, do PIS/COFINS/PASEP para editoras, livrarias e distribuidoras. Em contrapartida, estes setores do mercado editorial se comprometeram e assinaram documentos em torno do compromisso de contribuir com 1% do faturamento anual para o Fundo Pró-Leitura. Os impostos que foram reduzidos a alíquota zero pelo Governo Federal impactavam em média 9% do faturamento da cadeia produtiva. Este processo nunca foi concluído, sempre sofreu oposição do setor produtivo e, coincidentemente com a entrada do referido atual presidente da FBN no gerenciamento das políticas, o debate desapareceu.

Por último, neste arrazoado de informações, também ficou esquecido o projeto de fortalecimento ou revitalização do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP). Apesar dos anúncios de investimentos em bibliotecas, o cenário beira o descaso quando se trata de bibliotecas municipais. Basta analisar o Censo Nacional de Bibliotecas Públicas.

Senhora Presidenta,
quando sistematizamos as informações referentes ao exercício de 2011, fica claro quais foram as prioridades desta gestão. Não somos oposição a este governo, muito pelo contrário, trabalhamos muito, vidas inteiras, para ajudar este projeto a ser implementado no País. Por isso é muito triste ver os rumos tomados pelo MinC/FBN em sua gestão.

É grande a ideia do PNLL: construir programas de base para a formação de leitores, valorizando os agentes de leitura e a centralidade da biblioteca; fomentando a nossa produção literária e a formação de educadores-leitores. O avanço seria inestimável se tudo isso continuasse no mesmo rumo, e o setor do livro, leitura e literatura daria uma contribuição imensa para a formação da base da nação que tanto sonhamos e tanto desejamos.

Sem o devido investimento em leitores, literatura e livros, jamais daremos o salto de que somos responsáveis: a proteção, garantia e efetivação do Direito Humano de toda a população brasileira ao seu pleno desenvolvimento cultural, educacional, econômico e social, onde o desenvolvimento das práticas leitoras exerce um papel estruturante.

Antônio Cândido, um dos nossos grandes intelectuais, que tanto reflete sobre a literatura como Direito Humano, afirma que esta é “fator indispensável de humanização” e “confirma o homem (o ser) na sua humanidade”, palavras que dialogam com as de Vargas Llosa, quando afirma que “a cultura, a literatura, as artes, a filosofia, desanimalizam os seres humanos, ampliam extraordinariamente seu horizonte vital, atiçam sua curiosidade, sua sensibilidade, sua fantasia, seus apetites, seus sonhos, e os tornam mais porosos à amizade e ao diálogo”.

Portanto, a prioridade na consolidação da política pública do livro, leitura e literatura, como política de Estado e com foco primordial na formação de leitores, na qualificação/ampliação de seus espaços e profissionais e no fomento à criação literária, é fundamental para a formação de sujeitos atuantes na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável, pautado nos princípios da justiça e da igualdade.

Por isso, Senhora Presidenta, é que apelamos para sua atenção ao assunto, já que, como salientamos no início deste documento, todas as tentativas de diálogo da sociedade civil com o Ministério da Cultura resultaram em frustração e desmonte de um trabalho construído ao longo de anos.

Nossas melhores saudações democráticas,

Nilton Bobato, escritor e professor. Representante da Região Sul no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura, e membro titular do Conselho Nacional de Política Cultural/CNPC.
Edgar Borges, escritor e jornalista. Representante da Região Norte no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.
Ademir Assunção, escritor e jornalista. Representante dos escritores (Cadeia Criativa) no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura
Rogério Barata, pedagogo, formador de professores-leitores, contador de histórias. Representante da Cadeia Mediadora no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.
Mileide Flores, livreira. Representante da Região Nordeste no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura, e coordenadora do Fórum de Literatura, Livro e Leitura do Ceará.
João Castro, poeta. Representante dos escritores (Cadeia Criativa) no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura e presidente da União dos Escritores da Amazônia.
Izaura Ribeiro Franco, escritora e editora. Representante da Região Centro-Oeste no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.
Nêmora Rodrigues, bibliotecária. Representante da Cadeia Mediadora no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura, e presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia.
Almir Mota, escritor, editor e produtor cultural. Representante dos escritores (Cadeia Criativa) no Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura.
Jasmine Malta, professora mestra da Universidade Federal do Piauí. Membro do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura – Cadeia Produtiva.
Kelsen Bravos, professor, editor e escritor. Membro do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura – Cadeia Mediadora.
Benita Prieto, contadora de histórias e produtora cultural. Membro do Colegiado Setorial do Livro, Leitura e Literatura – Cadeia Mediadora.

Os signatários
O apoio pode ser feito no URL:
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N23373

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

FEBAB e a Biblioteca Nacional


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Carta encaminha pela FEAB ao jornal “Folha de S. Paulo”.

 

São Paulo, 03 de setembro de 2012.

Senhores,

Tendo tomado conhecimento do artigo do Colunista Sr. Enio Gaspari "A privataria arruina a Biblioteca Nacional", de 02 de setembro, na Folha e São Paulo, em primeiro lugar parabenizamos pela matéria, e gostaríamos de acrescentar outras informações acerca desse capítulo da nossa grandiosa Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

A FEBAB - Federação Brasileira das Associações de Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições contribuiu durante quase 8 anos na construção do Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL, Plano este que pretendia integrar os governos municipal, estadual e federal e sociedade civil na construção de uma sociedade leitora.

Com a mudança de Governo e saída do Sr. José Castilho Marques Neto (que era Secretário Executivo do PNLL) o Plano ficou paralisado. Depois de quase dois anos foi ”retomado” com outro foco, como Gaspari bem observou, de fortalecimento da cadeia produtiva do livro e de investimentos no mercado editorial. É importante mencionar que dentre muitas ações e atividades previstas, estava a criação de um Instituto do Livro, Leitura e Bibliotecas, mas ao invés disso o Sr. Galeno Amorim destituiu a Diretoria do Livro Leitura e Literatura existente no MINC que hoje faz parte da Fundação Biblioteca Nacional. O que foi pactuado visava o fortalecimento do acesso ao livro e leitura de forma gratuita, por meio da modernização da rede de bibliotecas públicas existentes no país, como também a capacitação de equipes e profissionais para serem os mediadores da leitura, ficou, obviamente, esquecido.

Na última Bienal do Livro em São Paulo, a Ministra Ana de Holanda anunciou investimentos no ano de 2012 de cerca de 370 milhões na construção de uma sociedade leitora, mas não informou o que realmente foi empenhado e executado. Também é importante que seja esclarecido para a sociedade que além da gestão da Biblioteca Nacional a Fundação é responsável pelo Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas para o qual há apenas um edital em vigor de R$ 2.000.000,00 no qual os Sistemas Estaduais podiam inscrever propostas com o limite de R$ 200.000,00 no máximo, com o compromisso de investir em 10 bibliotecas, o que significa R$20.000,00 para cada uma. Esses recursos são inferiores ao valor do “kit” de modernização feito no Governo passado que custava cerca de R$ 60.000,00.

Sem deixar de salientar que as bibliotecas tiveram editais de modernização aprovados pelo MINC em 2011 e não receberam os recursos, simplesmente foram cancelados.

Outra importante observação é que o Governo Lula retirou impostos do mercado editorial visando a criação de um fundo – Fundo Pró-Leitura – cujo encaminhamento não foi dado pela gestão atual. Esse fundo seria voltado ao fortalecimento da rede de bibliotecas e na formação de mediadores de leitura.

Esperamos que a Presidenta possa dar atenção a essa situação e mudar o rumo dessa história.

Atenciosamente,

Sigrid Karin Weiss Dutra

Presidente

Diretoria FEBAB -Gestão 2011-2014

Rua Avanhandava, 40 - Conj. 108/110- Bela Vista

01.306-000 São Paulo-SP

Fone/fax 11-3257-9979

sábado, 5 de maio de 2012

Problema com aparelho de ar condicionado alaga prédio da Biblioteca Nacional


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Fonte: TV Globo. Data: 4/05/2012.
Cerca de 800 exemplares de jornais e coleções encadernadas foram atingidos pela água e secam no chão. Para salvar o acervo, varais foram estendidos entre as prateleiras da biblioteca, no Rio de Janeiro. O vídeo, com duração de um minuto e 39 segundos, está disponível no URL:
http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/v/problema-com-aparelho-de-ar-condicionado-alaga-predio-da-biblioteca-nacional/1933905/

terça-feira, 24 de abril de 2012

Verba para livros e bibliotecas


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 Ministério da Cultura investe R$ 373 milhões no PNLL para aumentar índices de leitura
Fonte: Biblioteca Nacional. Data: 23/04/2012.
URL: http://emkt.entrelinhasnaweb.net/emkt/tracer/?1,820161,25fc443f,e459
A Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, anunciou nesta segunda-feira (23/04), Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor, investimentos de R$ 373 milhões do Ministério da Cultura no Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) em 2012.  As ações apresentadas contemplam os quatro eixos estratégicos do Plano, que ganhou a condição de ação de governo – e não mais apenas do MinC e do Ministério da Educação – em decreto assinado em fins de 2011 pela presidenta Dilma Rousseff.
Ao todo, serão 42 projetos desenvolvidos em 2012 com o objetivo de promover o livro, a leitura, a literatura, as bibliotecas e a criação e a difusão da literatura brasileira. A coordenação será da Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

EIXOS ESTRATÉGICOS
VALOR (EM R$)
1 – Democratização do Acesso
254.627.554,16
2 – Fomento à Leitura e a Formação de Mediadores
56.165.936,11
3 – Valorização Institucional da Leitura
8.000.000,00
4 – Fomento à Cadeia Criativa e à Cadeia Produtiva
54.907.059,00
TOTAL GERAL
373.700.549,27

Para 2012, o foco são os programas de construção e modernização de bibliotecas, que estão no topo da lista de recebimento de recursos públicos. O Ministério empregará nada menos que R$ 254 milhões em ações como a implantação de bibliotecas com telecentros nas Praças dos Esportes e da Cultura/PEC, em bibliotecas do Espaço Mais cultura e na construção e reforma de bibliotecas-parque e bibliotecas de referência e, ainda, no apoio às bibliotecas comunitárias e pontos de leitura e na implantação, revitalização e modernização de bibliotecas municipais.

Também serão investidos na ampliação dos acervos e na formação de bibliotecários e funcionários de 2.700 bibliotecas municipais e comunitárias de 1.500 municípios em todos os estados. Outra medida anunciada foi a ampliação do calendário nacional de feiras de livro e festivais literários para 200 eventos em 2012, a maior parte deles com apoio financeiro do MinC e apoio direto a 175 caravanas de escritores pelo País.
Ao mesmo tempo, será dobrado o número de agentes de leitura para atuar junto às famílias de baixa renda.
Entre as novidades anunciadas será a publicação de editais específicos para contemplar as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde os índices de leitura são menores. Outra inovação é a contemplação, em um desses editais, do chamado Custo Amazônico, que prevê a transferência de 30% a mais de recursos para os estados da Amazônia Legal.
Para o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, que esmiuçou os objetivos do PNLL ao lado da Ministra Ana de Hollanda, “não será uma ação isolada que fará aumentar os índices de leitura no Brasil, mas sim um conjunto delas, de forma planejada, permanente e, sobretudo, crescente”.
Outros projetos anunciados:
·       Ampliação do Programa Agentes de Leitura, com criação de 4 mil agentes, junto com o Ministério da Educação, para apoiar as bibliotecas escolares/comunitárias e a fomentar a leitura entre as famílias no campo. Com os novos convênios e desembolsos, serão, no total, 7.672 agentes atuando em 2012;
·       Formação de 1.200 novos agentes mediadores de leitura em 40 encontros realizados pelos 74 comitês do Proler e, ainda, a implantação de 10 novos comitês em regiões ainda desassistidas;
·       Projeto Cidadania & Leitura, com a formação de 400 agentes mediadores de leitura para atuar em bibliotecas comunitárias, pontos de leitura e promover em ações de leitura em comunidades atendidas por 20 comitês do Proler, dentro das comemorações de seus 20 anos de fundação;
·       Programa de Formação de Pessoal para Bibliotecas, com cursos presenciais e/ou à distância que vão atender 2.800 bibliotecários e gestores. Outros 1.100 profissionais participarão, em 2012, dos cursos, seminários, encontros e painéis para oferecer maior qualificação na área;
·       Implantação de 30 pontos de leitura da Ancestralidade Africana em ex-quilombos e terreiros, mediante repasse de recursos financeiros e distribuição de acervos, mobiliários e computadores;
·       Apoio à implantação de Planos Estaduais e Municipais de Livro e Leitura;
·       Bolsa Biblioteca Nacional/Funarte de Criação Literária e Bolsa Biblioteca Nacional/Funarte de Circulação Literária, totalizando 50 bolsas para apoiar a criação literária e a circulação dos escritores das diversas regiões do país pelo território nacional;
·       Projeto Livraria Popular, com a criação de 700 pontos de venda de livros de baixo preço e formação de 1.300 micros e pequenos varejistas do livro em cursos de educação à distância;
·       Programa de Internacionalização do Livro e da Literatura Brasileira, com ampliação do número de bolsas concedidas (150 novas em 2012, além de outras 70 em andamento), implantação, em 2012, do Colégio de Tradutores (seis residentes e 160 participantes de atividades), do intercâmbio de 40 autores nacionais no exterior para divulgar suas obras e publicação de revista internacional de literatura brasileira em inglês e espanhol;
·       Ampliação da participação nas principais feiras de livros internacionais, para aumentar a presença da literatura brasileira no exterior, inclusive com realização de grandes exposições;
·       Lançamento de coleção com 100 Clássicos Brasileiros no formato ebook, para disponibilização para as bibliotecas digitais;
A Ministra Ana de Hollanda salientou que “a leitura não é um ato reflexo, aprendida naturalmente. É o resultado de uma sofisticada operação, aprendida ao longo de anos, e que, por isso mesmo, precisa ser cultivada cuidadosamente, para além dos muros da escola”.
 “Para tal, precisamos de uma boa e vasta literatura, de uma competente e ampla rede editorial e de divulgação. Necessitamos de um exército de mediadores de leitura, que dentro das bibliotecas e nos mais variados espaços ajudem sobretudo crianças e jovens a descobrirem a necessidade humana do prazer da leitura”, destacou a Ministra.
Os investimentos de R$ 373 milhões do MinC no PNLL não incluem projetos e programas que ocorrerão este ano, cujos investimentos foram realizados em exercícios anteriores. Tampouco abrange ações de outros órgãos do Governo Federal que também vão integrar o PNLL.

sábado, 14 de abril de 2012

Biblioteca Nacional lança pontos de leitura para divulgar temática africana


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Fonte: Jornal do Brasil. Data: 13/04/2012.

URL: www.jb.com.br/cultura/noticias/2012/04/13/biblioteca-nacional-lanca-pontos-de-leitura-para-divulgar-tematica-africana/

Divulgar a cultura africana por meio de livros específicos sobre o assunto é um dos objetivos do projeto de Pontos de Leitura Temáticos: Ancestralidade Africana no Brasil, lançado na noite de ontem (12) pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN).

De início serão dez pontos de Leitura espalhados pelas cinco regiões do país, em capitais ou municípios do interior. Cada local terá 1,2 mil livros, sendo a metade referente às temáticas ligadas à matriz africana. Nos pontos haverá também o registro das histórias orais e a produção de material bibliográfico para propiciar a troca de informações entre as comunidades.

O presidente da FBN, jornalista e escritor Galeno Amorim, ressaltou a importância de se divulgar a história e a cultura da África, continente de onde veio grande parte da população brasileira, mas que até hoje ainda é pouco estudado no sistema de ensino oficial.

“É preciso sempre lembrar que o Estado brasileiro tem uma dívida histórica muito grande com o povo negro. O Brasil tem que fazer políticas afirmativas e procurar formas de resgatar essa dívida. É no campo da cultura que se enfrenta o racismo e se cria novas formas de buscar maior integração da sociedade. E os livros têm papel preponderante nesse processo”, disse.

O projeto é coordenado pela FBN, com a participação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e da Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura.

Amorim explicou que os pontos de leitura são menos institucionais que as bibliotecas e podem ser instalados de maneira mais informal em locais representativos para a comunidade, desde associações até centros culturais ou religiosos. Após a implantação dos pontos de matriz africana, haverá a continuidade do projeto, mas direcionado às comunidades indígenas.

Durante a solenidade, na Biblioteca Nacional, também houve o lançamento do livro Contos e Crônicas do Mestre Tolomi, escrito por Paulo Cesar Pereira de Oliveira, trazendo uma narrativa sobre a tradição Yorubá, que veio para o Brasil com os escravos da região onde hoje é a Nigéria e continua disseminada no país, seja por meio da culinária, da cultura ou do idioma.

“Nós temos uma lei [federal], a 10.639 [de 2003], que obriga o ensino da história da África e dos afro-descendentes na escola. E esse livro visa justamente a contribuir com isso. São cinco contos localizados dentro da tradição Yorubá, na Nigéria, e também um minidicionário Yorubá-Português. Nós temos a lei, mas ela não está sendo aplicada. Então esse livro vem como contribuição à aplicação da lei”, destacou.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Colegiado critica Biblioteca Nacional em carta a Dilma


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Fonte: Jornal Floripa. Data: 12/04/2012.

URL: www.jornalfloripa.com.br/brasil/index1.php?pg=verjornalfloripa&id=18145

Colegiado critica Biblioteca Nacional em carta a Dilma

Representantes do setor de livro, leitura e literatura junto ao governo enviaram a Dilma Rousseff carta em que acusam a Fundação Biblioteca Nacional de "se curvar ao comércio de livros" e focar as políticas públicas no atendimento de "interesses imediatos do mercado editorial".

A carta é assinada por 9 dos 15 membros titulares do Colegiado Setorial de Livro, Leitura e Literatura, instituído em maio de 2009 pelo MinC como o espaço para a sociedade civil acompanhar as políticas públicas da área.

Entre os signatários, estão representantes da cadeia criativa, como o poeta Ademir Assunção, e da cadeia mediadora, como o pedagogo Rogério Barata.

Nenhum dos quatro titulares da cadeia produtiva --a que estaria sendo beneficiada pela FBN-- participou da elaboração da carta, ressalta o escritor Nilton Bobato, que coordenou a entrega da carta.

Segundo o texto, os problemas começaram quando Galeno Amorim assumiu a presidência da FBN, no início de 2011, e iniciou a centralização das políticas públicas de livro, leitura e literatura.

Os signatários alegam que, dos investimentos previstos para 2011, R$ 44,8 milhões de um total de R$ 62 milhões estavam voltados a ações que beneficiam editoras, como compras de livros e feiras.

O texto diz ainda que, de R$ 30 milhões aprovados em 2010 e orçados no Fundo Nacional de Cultura (FNC) para a área, foi executado só um edital, de R$ 3 milhões, para pequenas e médias livrarias.

AGENTES DE LEITURA

Há críticas ainda à redução do programa Agentes de Leitura, que, segundo a carta, teve grande parte dos recursos transferidos para o futuro Programa do Livro Popular, maior bandeira de Amorim na presidência da FBN.



O Agentes de Leitura foi um dos quatro programas de fomento à leitura destacados pela Unesco, em 2010, como modelos a serem seguidos dentre os programas do gênero na América Latina.

Um das críticas quanto ao Livro Popular é que ele serviria para editoras se livrarem do encalhe de livros, já que, pelo preço final sugerido de R$ 10, elas não teriam lucro caso os produzissem especificamente para o programa.

"A necessidade de nossas bibliotecas está muito além da simples renovação de seus acervos, sendo muito mais necessária qualificação e ampliação de seus quadros profissionais e a modernização de seus espaços", diz o texto.

A Folha apurou no MinC a existência de insatisfações no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (órgão vinculado à FBN), cuja direção chegou a enviar carta a Galeno Amorim dizendo que uma política de apoio às bibliotecas não se resume à compra de livros.

Sobre o PNLL, plano que define os eixos das políticas de livro, leitura, literatura e bibliotecas, a carta diz que "está paralisado desde a saída do secretário executivo José Castilho, em abril de 2011."

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a FBN informou que no próximo dia 23 serão anunciados investimentos "expressivos" e que o valor destinado ao fomento à leitura será "bem maior" que o destinado a aquisição de acervos.

Disse que em 2011 o PNLL obteve o maior avanço desde sua criação, em 2006, ao passar a ser regido por decreto presidencial, e que as "informações sobre números e orçamentos [citadas na carta] carecem de maior precisão".

segunda-feira, 26 de março de 2012

Literatura brasileira para download


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João do Rio, Euclides da Cunha, José Veríssimo e Lima Barreto são apenas alguns dos nomes consagrados da literatura brasileira, que têm obras para download no site da Biblioteca Nacional Digital. Além das obras em PDF disponíveis gratuitamente, a BN Digital traz curiosidades como manuscritos digitalizados de Cecília Meireles, Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade. Leituras imperdíveis a um clique.

Para busca acesso o endereço: http://bndigital.bn.br

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Catálogo dos livros brasileiros


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O Cadastro Nacional do Livro (CANAL) é uma plataforma Câmara Brasileira do Livro (CBL) baseada na internet que vai reunir os livros publicados no Brasil. Com um novo padrão de cadastramento, o CANAL vai permitir a criação e manutenção de um catálogo on-line, um verdadeiro sistema de informações sobre as obras publicadas pelas editoras brasileiras, o qual poderá ser consultado no URL: www.cbl.org.br/canal/

O programa utiliza a experiência espanhola, o DILVE, que está sendo traduzido para a língua portuguesa. Nele são destaques: o padrão dos metadados; os manuais para uso de editoras, distribuidoras, livrarias, bibliotecas, etc.; e a lista de cabeçalhos de assuntos.

O novo sistema estará disponível a partir de setembro de 2011. A Câmara Brasileira do Livro e a Fundação Biblioteca Nacional (BN), irão alimentar a base de dados do Cadastro Nacional do Livro (CANAL) com milhares de registros de livros.

A pergunta que se faz aqui é se a Biblioteca Nacional deixará de publicar a Bibliografia Brasileira (v. 1-, 1983- ; ISSN 0102-3144), parada desde 1994. O controle bibliográfico nacional ficou órfão nesses últimos 16 anos tendo em vista que a BN parece que abandonou a sua missão de divulgar oficialmente o que se publica em nosso país.

Murilo Cunha

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Galeno Amorim é o novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional


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A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, anunciou na manhã desta sexta-feira (21 de janeiro) a equipe com que vai implementar as políticas culturais do governo da presidenta Dilma Rousseff.

Para presidir a Fundação Biblioteca Nacional, foi convidado o jornalista e escritor Galeno Amorim, secretário de Cultura de Ribeirão Preto (SP) na gestão do então prefeito Antonio Pallocci e ex-presidente do Comitê Executivo do Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Fantasmas e paranoias na BN


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Fonte: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/

De todas as 200 obras apresentadas ao público pela Biblioteca Nacional na exposição em que comemora seu bicentenário, a Bíblia de Mogúncia é a única que não dorme no salão junto com as outras. Tão logo o último visitante vai embora, a funcionária da divisão de obras raras pergunta à chefe:

— Posso ir buscar a Bíblia?

A pergunta pode parecer retórica, mas a verdade é que existe um imenso aparato de segurança que precisa ser acionado a cada transporte desta que é a obra mais valiosa da instituição. Dois seguranças acompanhados de um funcionário da seção são responsáveis pelo traslado. Outros dois fazem a guarda nas portas do elevador parado exclusivamente para o momento.

Todos parecem respirar aliviados quando a relíquia chega ao local onde permanecerá trancafiada até nova aparição pública. Trata-se de um cofre secreto ao qual ninguém, exceto o responsável, tem acesso. Não se pode chegar perto sequer do longo corredor onde é escondido para evitar as pistas sobre seu paradeiro.

Bíblia de Mogúncia aos cuidados da “louca do cofre”

Na manhã de um dia incerto — a Bíblia só é exibida uma vez por semana em data que não é revelada antecipadamente —, no primeiro horário, a funcionária a cargo do transporte liga para saber quem irá recuperá-la logo mais. Só depois de receber a informação, abre o cofre. Esta é uma das várias personagens apaixonadas pelo trabalho na biblioteca que ficaram conhecidas entre os colegas. O cuidado inspirou o apelido carinhoso de “a louca do cofre”.

— A reação dela é justificada. É preciso entender o que está por trás da peça impressa em pergaminho. É uma obra de arte — afirma a bibliotecária-chefe da Divisão de Obras Raras, Ana Virgínia.

A paranoia da segurança está no ar. Na BN, não se pode fazer nada sozinho. Estagiários passam por cautelosa triagem e escrutínio dos chefes. As restrições e revistas em bolsas e sacolas quase incomodam, não fosse o objetivo nobre.

— Quando a gente chega aqui para trabalhar, não entende bem o aparato. Mas a preocupação vem rapidamente com o deslumbramento — afirma um dos funcionários.

Na entrada da sala do presidente, fala-se em fantasmas. Apenas mais uma lenda urbana? Coincidentemente, uma das secretárias do andar havia acabado de acender um incenso justamente por se sentir incomodada com o que poderia ser a presença de um deles.

— Trabalho aqui há 28 anos e nunca vi. Mas há pelo menos uns cinco funcionários que garantem que os fantasmas estão aí. Um deles quase quebrou duas portas, tamanho o pânico. Disse ter ouvido e sentido uma corrente passar por suas costas — conta um funcionário antigo da área de manutenção, instalada no subsolo do prédio, quatro andares abaixo da presidência.

Neste longo corredor subterrâneo, abaixo do nível da Avenida Rio Branco, também está uma das visões mais inusitadas da biblioteca, como revela a bibliotecária Mônica Carneiro. Descobriu, por acaso, que a confusão administrativa fica no único pedaço do prédio de onde se vêem as primeiras estruturas originais da BN em sua forma bruta. Por trás das belas paredes bem feitas e dos degraus polidos da escadaria elegante estão tijolos antigos aparentes e as grandes lajotas inteiras de pedra. Mônica já voltou a este lugar várias vezes e recentemente apresentou-o a uma colega.

Tantos anos passados dentro da instituição lembram os funcionários, significam também contato com muitos personagens malucos. Já houve quem entrasse nos armazéns, onde ficam dispostos os livros, pusesse uma meia dúzia deles debaixo do braço e partisse.

— Aconteceu mais de uma vez. Dizem que as obras pertenceram às suas famílias. Um deles chegou a me apontar um facão — conta um funcionário.

Entre os usuários frequentes, bibliotecários já identificaram figuras que rondam o acervo da biblioteca na esperança de fazer fortuna abastecendo colecionadores inescrupulosos. Certa vez Mônica Carneiro reconheceu, na sala de leitura, um antigo frequentador que, pouco tempo antes, fora citado nas páginas policiais dos jornais pela acusação de roubo de bibliotecas. Quando ela o viu, não teve dúvidas:

— Chamei a polícia na hora. Não podia expulsá-lo ou impedi-lo de entrar em um local público. Mas, embora ele próprio tenha me dito que não roubava mais obras de arte, foi mantido sob constante vigilância.

Os guardas também já conhecem o público. Assim como os bibliotecários, sabem quem são os habitués:

— Se quiser tentar falar com aquele ali, você ganha um prêmio. Ele não fala com ninguém — comenta um deles, ao se referir a um senhor na sala de leituras, absorto entre livros.

Obras repetidas trocadas por um valioso Dürer

Na divisão de Música e Arquivo Sonoro, guardada no belo Palácio Capanema, fora do prédio da Avenida Rio Branco, as regras também são duríssimas. Não se pode tirar fotos do cofre, onde são mantidas as partituras originais das óperas de Carlos Gomes, alvo do interesse de pesquisadores que querem conhecer melhor o primeiro músico não europeu a se apresentar no Teatro alla Scala de Milão. E mesmo quando tiradas com autorização prévia, como no edifício principal, as fotos não podem permitir a localização dos longos armários. Desconfiada, Elizete Higino, a chefe da divisão, pede para conferir o material feito pelo GLOBO para saber se está conforme o combinado.

O pessoal da BN também gosta de lembrar as histórias do passado. Marrocos, o primeiro bibliotecário da instituição, veio junto com as bagagens de D. João VI. Era conhecido como o maior fofoqueiro da sua época. Consta que, por ter se envolvido com algumas moças na Bahia, teria ajudado a formar à época um belo acervo naquele estado com as obras duplicadas da coleção da BN. Há ainda curadores considerados queridos até hoje por terem “trocado figurinhas” com nobres colecionadores como Barboza de Oliveira, que recebeu obras repetidas e forneceu à biblioteca relíquias como um valioso Albrecht Dürer.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Biblioteca Nacional faz aniversário e ganha mais de R$ 37 milhões


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Fonte: www.bn.br Data: 4/11/2010.
Em seu aniversário de 200 anos, a Biblioteca Nacional ganhou R$ 31,7 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e mais R$ 6 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia para investimentos na construção de uma hemeroteca, na digitalização de acervo e outras ações. Com o investimento de R$ 17,8 milhões feito pelo BNDES, o prédio anexo da Fundação Biblioteca Nacional, no Cais do Porto, será totalmente reformado e adaptado para que possa abrigar a hemeroteca e seus 3,5 milhões de exemplares de jornais e revistas. Já as publicações raras serão digitalizadas com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia e serão disponibilizadas no site da biblioteca.

sábado, 30 de outubro de 2010

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro: 200 anos!


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Fonte: www.bn.br
A Biblioteca Nacional do Brasil comemora seus 200 anos. Considerada pela Unesco como uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, neste ano, a instituição comemora, também, o centenário de fundação do prédio, localizado na Cinelândia, no Rio de Janeiro. Sob sua guarda, somam-se mais de 9 milhões de obras. Centenas de pesquisadores, estudantes, turistas, passam diariamente pelo prédio. Para comemorar, vai inaugurar, no dia 3 de novembro, a exposição “Biblioteca Nacional 200 anos: Uma defesa do infinito”.


O início da trajetória da Biblioteca está ligado a um dos mais decisivos momentos da história do país: a transferência de toda a família real e da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, quando da invasão de Portugal pelas forças de Napoleão Bonaparte, em 1808.

O acervo trazido para o Brasil, de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas, foi inicialmente acomodado numa das salas do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na Rua Direita, hoje Rua Primeiro de Março. Em 29 de outubro de 1810, um decreto do Príncipe Regente determinou que o lugar acomodasse a Real Biblioteca e instrumentos de física e matemática. A data de 29 de outubro de 1810 é considerada oficialmente como a da fundação da Real Biblioteca que, no entanto, só foi franqueada ao público em 1814.

Quando, em 1821, a Família Real regressou a Portugal, D. João VI levou de volta grande parte dos manuscritos do acervo. Depois da Proclamação da Independência, a aquisição da Biblioteca Real pelo Brasil foi regulada, mediante a Convenção Adicional ao Tratado de Paz e Amizade celebrado entre o Brasil e Portugal, em 29 de agosto de 1825.

O prédio atual da FBN teve sua pedra fundamental lançada em 15 de agosto de 1905 e foi inaugurado cinco anos depois, em 29 de outubro de 1910. O prédio foi projetado pelo General Francisco Marcelino de Sousa Aguiar, e a construção foi dirigida pelos engenheiros Napoleão Muniz Freire e Alberto de Faria. As instalações do novo edifício correspondiam na época de sua inauguração a todas as exigências técnicas: pisos de vidro nos armazéns, armações e estantes de aço com capacidade para 400.000 volumes, amplos salões e tubos pneumáticos para transporte de livros dos armazéns para os salões de leitura. Essas instalações são eficientes e até hoje encontram-se em uso.

Exposição

A Biblioteca Nacional abre ao público, no dia 3 de novembro, a exposição Biblioteca Nacional 200 Anos: Uma Defesa do Infinito. Uma fantástica seleção de duzentas peças originais exibirá algumas das maiores preciosidades e curiosidades sob guarda da instituição. A curadoria é do escritor Marco Lucchesi.

A exposição exibe a história da Biblioteca, desde sua viagem para o Brasil, com a Corte Portuguesa, em 1808, até os dias de hoje, e faz um passeio sobre o acervo de livros, manuscritos, periódicos, pinturas, partituras musicais, entre outras peças ligadas ao acervo.

Em destaque, a Bíblia de Mogúncia (1462), impressa por ex-sócios de Gutemberg, criador da imprensa; um Livro de Horas (livro de orações) da Idade Média, com pinturas a ouro; a primeira edição de Os Lusíadas, de Luís de Camões; A menina do narizinho arrebitado, de 1920, de Monteiro Lobato; peças que integram a Coleção Teresa Cristina Maria, doada à instituição por D. Pedro II; edições de periódicos como a revista Tico Tico e O Pasquim; manuscritos de Clarice Lispector, Raul Pompéia, Castro Alves, Graciliano Ramos e Carlos Drummond de Andrade; a ópera O Guarani (1871), de Carlos Gomes; mapas, entre tantas outras peças do acervo.

No terceiro andar da Biblioteca, uma exposição especial conta a história do edifício, fundado em 1910.



"Biblioteca Nacional 200 anos: Uma defesa do infinito"

Biblioteca Naciona (Rua México, s/nº - Centro - Rio de Janeiro/RJ. Tel.: 21 3095-3879

Visitação: 03 de novembro a 25 de fevereiro

Segunda a Sexta, 10h às 17h

Sábado, 10h às 15h

Entrada gratuita

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Biblioteca Nacional espera verba do BNDES para acervo


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Autor: Bruno Boghossian.
Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 14/10/2010.
Cerca de 3,5 milhões de exemplares de periódicos, entre eles, “A Província de São Paulo”, ficarão em prédio na zona portuária

Um acervo de 3,5 milhões de exemplares de jornais e revistas vai contar os últimos 200 anos da história do Brasil em uma nova unidade da Biblioteca Nacional na zona portuária do Rio. A instituição espera receber recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para organizar uma coleção de peças raras, como edições do Diário Oficial do Império e exemplares dos primeiros periódicos do País. A verba pedida será usada para reformar um prédio, que precisa passar por adaptações para receber o peso do acervo gigantesco de jornais e revistas. O objetivo é criar ali uma hemeroteca - nome dado às coleções de periódicos e publicações seriadas. Atualmente, a coleção de jornais e revistas está armazenada em 17 quilômetros de prateleiras, divididas entre o edifício da zona portuária e a sede da biblioteca, na Cinelândia, centro do Rio.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro: 199 anos


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São 199 anos de acervo, originado da coleção que pertenceu à Família Real, e quase um século de obras preservadas na Cinelândia (Av. Rio Branco, 219, RJ), no edifício inaugurado em 1910. A Fundação Biblioteca Nacional, instituição vinculada ao Ministério da Cultura, organizou uma semana especial de eventos, em celebração ao aniversário da FBN e ao Dia do Livro, ambos comemorados em 29 de outubro.
Ainda neste dia 29, a Biblioteca lançou, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, uma edição de “O Livro de Horas de Dom Fernando”, publicação fac-símile de um manuscrito datado de 1378. Nesta sexta, dia 30, a Biblioteca promove o lançamento da obra “Impresso no Brasil - 1808 a 1930″, da editora Verso Brasil, organizada pelo historiador da arte, Rafael Cardoso.
Além da programação especial, a agenda da BN abriga três exposições simultâneas, exibindo acervos sobre Euclides da Cunha, Carmen Miranda e Revolta da Chibata. Todos os eventos são gratuitos.
Maiores informações: URL: www.bn.br

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Brasil: bibliotecas públicas para todos?


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Biblioteca para todos?
Fonte: CulturaeMercado. Data: 8/5/2009.
URL: http://www.culturaemercado.com.br/post/biblioteca-para-todos/comment-page-1/
MinC anunciou semana passada que o Brasil irá zerar o número de municípios brasileiro sem bibliotecas. Entrevistei o antropólogo Felipe Lindoso, especialista no assunto: “deve-se reconhecer, e dizer claramente, que o governo do Presidente Lula foi o que mais instalou bibliotecas públicas na história do país. Isso é altamente positivo e louvável, sem dúvida nenhuma. Só que o programa, como vimos, não apenas é medíocre na formatação e na sua execução, como também tem um caráter centralizador e autoritário”.
Leonardo Brant - O que representa para o país zerar os municípios sem biblioteca?
Felipe Lindoso - Do ponto de vista simbólico, é muito importante. Revela, sem dúvida, um esforço para eliminar algo que eu coloco como uma das vergonhas nacionais, isso de existir algum município que não tenha nem mesmo uma mísera biblioteca como equipamento cultural.
Mas, no caso, é importante considerar algumas outras coisas. Em primeiro lugar, o número de municípios “sem bibliotecas” é algo discutível. Não existe um sistema de informação dentro da Biblioteca Nacional ou do Ministério da Cultura que informe efetivamente sobre isso.
Em segundo lugar, o chamado Sistema Nacional de Bibliotecas é uma ficção, com algumas bibliotecárias lotadas no Rio de Janeiro, na Biblioteca Nacional, sem meios nem condições de efetivamente administrar um sistema. Deficiência que se repete nos estados, com as proverbiais honrosas exceções. As bibliotecas estaduais, que seriam as “cabeças” do sistema em cada unidade federativa, também não estão aparelhadas para saber o que acontece nos municípios. Até porque esse sistema não existe.
Em terceiro lugar, o levantamento dos municípios “sem bibliotecas” foi feito a partir dos dados do IBGE que constatavam a existência ou não – do ponto de vista formal – de biblioteca em cada município. Não existe nenhuma maneira do MinC saber quais bibliotecas efetivamente funcionam, e se estão pelo menos abertas ao público. Ou seja, existe um número indeterminado de municípios que, de fato, não possuem uma biblioteca aberta ao público e isso não está equacionado. Existem prefeitos que simplesmente não se importam com a questão da biblioteca pública, e entre os quase seis mil municípios provavelmente existem prefeitos que detestam a ideia de por livros ao alcance da população.
Por isso mesmo, anunciar que no dia 25 de junho o MinC vai “zerar” o número de municípios sem biblioteca é algo temerário. O Presidente Lula pode ser induzido a participar de uma cerimônia furada.
LB - O processo de implementação dessas novas bibliotecas atende às necessidades e interesses de cada região?
FL - Não. O processo foi totalmente centralizado na Biblioteca Nacional. A ideia original era que pelo menos 10% do acervo fosse “regionalizado” e nem isso foi feito. Os acervos foram totalmente definidos no Rio de Janeiro, por comissões de especialistas – competentes e com as melhores intenções, mas cheios da autossuficiência de quem sabe o que é “bom” para formar o “leitor crítico” que existe na cabeça deles. A ideia de que a biblioteca é um serviço público, que deve atender às necessidades dos leitores e, ao mesmo tempo, proporcionar os meios para ampliação do seu universo cultural, é um conceito estranho para os leiturólogos, como eu chamo. Na cabeça deles, livro bom é o que eles consideram assim, sem atentar para a diversidade de interesses, necessidades espirituais, emocionais e de conhecimento que possam ter os cidadãos espalhados por esse imenso país.
Ninguém se toca do ridículo que é mandar o mesmo acervo para Urucurituba, no Amazonas, Zédoca, no Maranhão, Ceres em Goiás, ou para os municípios do Pontal do Paranapanema ou do Vale do Ribeira em S. Paulo, ou da fronteira com o Uruguai no Rio Grande do Sul, etc.
LB - Quais os principais problemas das bibliotecas hoje no país?
FL - A lista é enorme, mas posso sintetizar no seguinte grupo de questões:
1) A quantidade de bibliotecas. Não se pode ter a ilusão de que “uma biblioteca por município” seja uma resposta adequada. É importante, como já disse, resolver esse problema básico. Mas o planejamento de uma cobertura adequada de bibliotecas pelo território nacional está longe de ser sequer pensado, muito menos colocado no papel e com meios de ser executado.
A quantidade de bibliotecas é uma razão entre o número de habitantes de uma determinada área, o tipo de cobertura dado pelas bibliotecas escolares – que aqui no Brasil, como essa esquizofrenia de separar educação da cultura, inclusive administrativamente, não é sequer computado quando se fala em bibliotecas públicas; a densidade populacional – que pode exigir unidades móveis ou postos avançados em regiões menos povoadas, mas nem por isso menos carentes – e a estruturação de tipos de bibliotecas públicas, com mais acervos e equipamentos que possam subsidiar as menores com a circulação de exemplares, programas de capacitação do pessoal e de formação de leitores. Só a partir dessas considerações, que nascem da análise da situação de cada município, seria possível definir a quantidade e o formato das bibliotecas necessárias.
2) A questão dos acervos. Que pode ser dividida em duas partes.
Primeira: a quantidade. O documento “The Public Library Services – IFLA UNESCO Guidelines for development”, que é o documento básico para a constituição de uma política pública para bibliotecas, publicado pela IFLA – International Federation of Librarians Association/UNESCO (Federação Internacional de Associações de Bibliotecários/UNESCO), de 1997, declara que “como regra geral uma coleção de livros deve ter entre 1,5 a 2,5 livros per capita. O estoque mínimo para o menor ponto de serviço não deve ser menor que 2.500 livros”. Ou seja, o acervo adquirido pela Biblioteca Nacional para o programa dos municípios (2.000 títulos) está abaixo até mesmo desse mínimo. A conta é simples: o conjunto das bibliotecas públicas brasileiras deveria ter, pelo menos, entre DUZENTOS E OITENTA E SEIS MILHÕES e QUATROCENTOS E SETENTA E SETE MILHÕES de exemplares. Na verdade deveria ser mais, considerando a densidade populacional de alguns municípios.
Ninguém sabe qual o acervo existente nas bibliotecas brasileiras. Mas pode ser afirmado, com toda certeza, que: a) está MUITO abaixo desse mínimo e; b) o estado das coleções, em termos de sua atualização, é péssimo.Qualquer programa que não pense pelo menos nesses termos é simplesmente medíocre. Parte, sim daquele “complexo de vira-latas” do qual falava Nelson Rodrigues e que, felizmente, está sendo superado em outras áreas. Mas não no que diz respeito às bibliotecas públicas.
Segunda: a qualidade. Apelo, mais uma vez, para o documento IFLA/UNESCO: “As bibliotecas públicas são serviços localmente baseados para o benefício da comunidade local e devem proporcionar informações para essa comunidade. Os serviços e coleções que proporcionam devem estar baseados nas necessidades locais, que devem ser avaliadas regularmente. Sem essa disciplina a biblioteca pública perderá o contato com aqueles aos quais deve servir e, como resultado, não serão usados em toda sua potencialidade”. Dessa diretiva decorre necessariamente que os acervos adquiridos por um poder central, sem considerar as necessidades locais e reais dos usuários, é simplesmente fruto de uma postura autoritária e elitista, na pior das hipóteses, ou simplesmente preguiçosa e imediatista.No caso brasileiro, para mim, é a combinação dos dois casos. Autoritária e imediatista porque acha que uma congregação de “sábios especialistas” pode dar conta da grande diversidade local. Aliás, os sábios especialistas na verdade não estão preocupados em atender a essas necessidades locais. Simplesmente partem de sua concepção do que sejam livros “bons”, “de qualidade” para definir o que vão comprar. E os leitores que se deem por felizes de ser o objeto dessa preocupação dos sábios e leiam o que os sábios querem, e não o que eventualmente eles mesmos queiram ler.
3) Sistemas de bibliotecas, cooperação e compartilhamento de recursos. Mais uma vez deve-se observar o que diz o documento da IFLA/UNESCO:
“Cada coleção de uma biblioteca é, em alguma medida, única. Nenhuma coleção pode conter todos os materiais que os membros de seu público requerem. As bibliotecas, portanto, podem aumentar significativamente seus serviços aos usuários proporcionando-lhes acesso às coleções de outras bibliotecas. As bibliotecas podem participar de esquemas de compartilhamento de recursos em qualquer nível, local, regional, nacional e internacional, que envolvam bibliotecas de um amplo raio de organização com recursos de informação. A biblioteca deve também deixar sua coleção disponível para empréstimo para outras bibliotecas através da participação em uma rede, por exemplo, com catálogo unificado ou numa rede local de provedores de informação, tais como as escolas, faculdades e universidades”.
Para os formuladores do documento IFLA/UNESCO, a organização de redes de bibliotecas é um componente da maior importância na formulação e execução de uma política de bibliotecas públicas. Os sistemas de informática, certamente, tornam essa tarefa muito mais fácil.
No programa de bibliotecas, a BN fornece um programa de informática, o Biblivre. O programa acompanha o kit enviado para cada uma das novas bibliotecas. No site do Biblivre estão listadas 705 bibliotecas – nem todas públicas, há desde escritórios de advocacia a colégios particulares e pessoas físicas – que instalaram (ou estão instalando) o programa. Obviamente nem todas as bibliotecas que receberam o Biblivre o instalaram. E das que instalaram, várias não o usam. Conheço vários casos, pessoalmente e por contatos com os responsáveis, de bibliotecas que se recusam a instalar o programa, por considerarem-no ineficaz.
E o melhor exemplo disso, certamente, é a própria Biblioteca Nacional, que não usa o programa. O MinC informa que entre 2004 e 2007 instalou 830 novas bibliotecas no programa “Livro Aberto”, que é o nome oficial do programa que irá “zerar” os municípios sem bibliotecas públicas. E que até este ano – já anunciaram a data, 25 de junho – terão sido entregues 1.173 kits desse programa.
Vale uma anedota. Em 2008 estive em Sergipe para estudar a possibilidade de um programa de bibliotecas públicas em todos o estado. Uma das cidades visitadas, Barra dos Coqueiros, fica em frente a Aracaju e tinha recebido um dos kits da BN. A encarregada, feliz da vida com os livros, as estantes, a TV de 29” e o computador. Mas… Ela não conseguia instalar o Biblivre, então em sua primeira versão. Mandou uma correspondência para a BN pedindo instruções. Resposta: que a prefeitura contratasse uma empresa de informática para instalar e configurar o programa.
É software livre da BN! Livre e gratuito, desde que a prefeitura contrate uma empresa de informática para fazer a instalação.
Já está na segunda versão, e pelo descritivo parece – em tese - ter melhorado muito. Só que, curiosamente, entrando nos poucos sites de bibliotecas listadas como usando o Biblivre, foi impossível fazer qualquer tipo de consulta de acervo. Aliás, o único acervo que consegui consultar foi o da Biblioteca da Universidade Católica de Goiás, listada como uma das que usa o Biblivre. Só que o software que dava acesso ao catálogo era o sistema archerLib, de uma empresa privada.
Em resumo, o programa não funciona a contento. Ou, melhor dito, é uma espécie de “faça-o-que-digo-mas-não-faça-o-que-faço”. Por um lado, pode funcionar muito bem para uma biblioteca isolada. Inclusive, pela descrição que existe no site, pode fazer consultas pelo protocolo Z39.5. Esse protocolo internacional permite consultas ao banco de dado de outras bibliotecas que abram o acesso, e assim compartilhar dados bibliográficos. As grandes bibliotecas do mundo abrem esse acesso, como é o caso da Library of Congress, dos EUA, a Bibliothèque Nationale da França, dezenas de importantes bibliotecas universitárias e bibliotecas nacionais de vários países. O protocolo Z39.5 é, assim, um inestimável instrumento de catalogação, pois permite importar os registros catalográficos já feitos por bibliotecários renomados, segundo as melhores técnicas. Ao bibliotecário local cabe, eventualmente, traduzir para o português e “pendurar” o seu exemplar, como diz o jargão, em seu próprio acervo.
Pois bem, a Biblioteca Nacional não disponibiliza acesso ao protocolo Z.39.5. E nenhuma das grandes bibliotecas universitárias brasileiras. O sistema da USP só permite o uso do Z39.5 dentro do seu próprio sistema. O único acesso de registros bibliográficos é o dado pelo Sistema Brasileiro de Registros Bibliográficos On-Line, um projeto privado do qual faço parte, juntamente com o Alexandria On-Line, um programa de gerenciamento de sistemas de biblioteca, e que permite o acesso gratuito ao banco de dados de livros catalogados. Ou seja, o bendito programa patrocinado pela BN prevê o uso de instrumentos que ela não permite usar. Como diria aquele personagem do programa cômico do Jô Soares, é “chose de loque!”
O Biblivre, mais do que isso, não permite a formação de sistemas de bibliotecas. Não gerencia o empréstimo interbibliotecas. Não forma um “catálogo cooperativo” que possa ser efetivamente usado pelos usuários. Em uma palavra, o programa MinC/Biblioteca Nacional não satisfaz também a esse requisito do documento IFLA/UNESCO.
LB - Estamos no caminho correto para solucionar esses problemas?
FL - Sim e não. Deve-se reconhecer, e dizer claramente, que o governo do Presidente Lula foi o que mais instalou bibliotecas públicas na história do país. Não se vê um esforço nesse sentido desde a época do antigo Instituto Nacional do Livro. Isso é altamente positivo e louvável, sem dúvida nenhuma.
Só que o programa, como vimos, não apenas é medíocre na formatação e na sua execução, como também tem um caráter centralizador e autoritário. Mas o que é pior, não prevê de fato nenhum sistema de avaliação, acompanhamento, capacitação. O que é feito deve-se à iniciativa de algumas bibliotecárias, algumas dirigentes de bibliotecas públicas estaduais ou sistemas municipais, que possuem uma visão abrangente e dinâmica das bibliotecas públicas e fazem o possível para se virar com o que o MinC proporciona.
O MinC está desaparelhado institucional e tecnicamente para efetivamente montar um Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas. A Biblioteca Nacional teima em manter na sua estrutura um pseudo sistema que não funciona, e se restringe a organizar alguns encontros e a repassar os livros que são publicados com projetos de incentivos fiscais, dos quais 10% da tiragem é enviada à BN como contrapartida, e a montar as listas dos sábios para a aquisição.
LB - Há uma relação direta entre a Lei Rouanet e as bibliotecas públicas? O que acontecerá com as bibliotecas com o fim da Lei?
FL - Já escrevi e me manifestei várias vezes que um dos grandes problemas da Lei de Incentivos Fiscais é o foco na produção de bens culturais, muito maior do que o que deveria existir na circulação e acesso desses bens culturais. A lei deveria ser muito mais indutiva para incentivar a circulação e o acesso do que é.
Quanto ao uso da Lei Rouanet para programas de biblioteca, nada melhor que a transcrição de pareceres da Biblioteca Nacional para projeto que apresentei para desenvolvimento de programas de bibliotecas.
Não vou alongar a história. Já tinha sido aprovado anteriormente, através da Associação Cultural Basílio da Gama, da qual sou presidente e que foi constituída para desenvolver esse tipo de programas - um projeto para desenvolvimento de sistemas de bibliotecas, usando um módulo de “banca-biblioteca” para instalar um ramal de biblioteca em local de difícil acesso. Com esse projeto foram instaladas bancas-bibliotecas nos municípios de Suzano, Hortolândia, São Caetano do Sul, São Bernardo e Osasco, em S. Paulo (com patrocínio da Petrobrás) e em Volta Redonda, no Rio de Janeiro (com o patrocínio da White Martins).
Mais que a simples instalação de uma banca-biblioteca, porém, o projeto induzia as prefeituras a começar a desenvolver seu sistema de bibliotecas municipais, com a implantação de um gerenciador de sistemas de bibliotecas, o Alexandria Online. Que, aliás, é o usado pela Prefeitura Municipal de São Paulo para seu sistema de bibliotecas, e permite consultas, via internet, de todo o acervo catalogado.
Como é fartamente sabido por quem lida com projetos culturais, o processo de aprovação no Ministério da Cultura leva meses. Por isso mesmo, as instituições que desenvolvem projetos mais genéricos procuram ter projetos aprovados de antemão para que, quando surge a oportunidade de conseguir um patrocinador, a ação seja viável. Assim sendo, apresentamos um projeto para deixar tudo pronto para que se buscasse patrocinadores e também se definisse o local (município) onde estas poderiam ser instaladas.
Pois bem, o projeto foi protocolado em novembro de 2006, em S. Paulo, na Delegacia do MinC.
Recebeu, inicialmente, um parecer favorável à sua execução e foi enviado à Brasília. Aí começou a via-crúcis. Sabe-se lá por que razão o parecer da técnica de S. Paulo foi desconsiderado e em fevereiro do ano seguinte (três meses depois de protocolado) foi enviado pelo coordenador do Pronac na BN, Sr. Ubaldo Santos Miranda para análise do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.
A via-crúcis começou a virar samba do crioulo-doido. Parecer assinado pela Sra. Ilce G. M. Cavalcanti, bibliotecária e Coordenadora-Geral do SNBP, do qual transcrevo os trechos relevantes:
“A proposta colocada é interessante, porém vai de encontro as ações desenvolvidas pelo SNBP/FBN (Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas/Fundação Biblioteca Nacional).
“O Programa Livro Aberto em uma de suas ações, contempla as Bibliotecas Públicas com a atualização dos acervos. Além do que, o SNBP/FBN realiza distribuição da doação de livros, de forma sistemática.
“Desta forma, verifica-se uma certa duplicidade de trabalho como também, de verba, Sugiro que seja realizada uma consulta ao SNBP?FBN, a fim de adequar e agregar esforços.
“Quanto ao Programa de Gerenciamento citado, informo que existem Programas gratuitos para atender as necessidades das Bibliotecas Públicas, não precisando ser adquirido através de compra.
“Faz-se necessário, a apresentação da relação de livros que vão ser adquiridos e, informar quais os critérios que foram adotados para a seleção.
“Na justificativa, seria interessante apontar a fonte de informação utilizada quando é mencionada a situação atual das Bibliotecas Públicas da região Sudeste”.
(A redação é transcrição do parecer redigido pela ilustríssima senhora bibliotecária. Ipsis literis, inclusive as vírgulas).
O projeto mencionava argumentos que não apenas tinham sido feitos para o anterior, que fora aprovado, como estavam expressos no meu livro O Brasil Pode ser um País de Leitores? Particularmente – e seguindo as recomendações da IFLA/UNESCO – o que explicava os critérios para a constituição do acervo. Dizia o projeto: “A constituição dos acervos das bibliotecas a serem implantadas deverá partir de listas elaboradas pelas bibliotecas municipais, ampliadas e complementadas por pesquisa de acervo disponível e com o apoio de eventuais listas de sugestões elaboradas pela FBN ou instituições similares. Um princípio deve nortear a constituição dos acervos: adequação ao público-alvo da biblioteca e às suas necessidades específicas.”
Ao saber – extra oficialmente – das restrições, aproveitei uma viagem ao Rio de Janeiro para conversar com o Sr. Santos Miranda.
O funcionário me declarou que era preciso saber que municípios receberiam as bibliotecas “para não coincidir com os que estavam recebendo o kit do Livro Aberto”, e que a lista de livros era imprescindível para saber “se eram de qualidade”.
Respondi, com a nonchalance possível, que os municípios eventualmente beneficiados seriam determinados pelo patrocinador, e que não entendia porque, se um prefeito fosse ágil o suficiente para conseguir uma biblioteca da BN e outra de um patrocinador, não entendia porque deveria ser punido, sem poder ter as duas. E informei também que o critério de acervo estava especificado e que, apoiado na Constituição Federal, eu não admitia censura: qualquer livro publicado no Brasil poderia integrar o acervo de uma biblioteca pública. Disse também que, ainda que apoiasse as iniciativas de software livre, observava que o Governo Federal frequentemente fazia licitações para adquirir os programas da Microsoft. Software livre não era dogma, muito menos quando exigia a intervenção de programadores externos para ser instalado.
E dei um exemplar do meu livro para o senhor Santos Miranda.
Para encurtar a história, em abril de 2008, a CNIC aprovou – sem aprovar – o projeto. Cortou do orçamento, discricionariamente, valores para aquisição do programa de gerenciamento, diminuiu o volume destinado a compra de acervos, não admitiu que fosse usado outro programa que não o já mencionado e analisado Biblivre, cortou a remuneração dos executores do projeto e condicionou tudo ao envio prévio da lista dos livros adquiridos “com o parecer de uma comissão de três membros, dos quais pelo menos um bibliotecário”.
Íamos recorrer, mas desistimos. Se a senhora Coordenadora-Geral do SNBP/FBN pede, ela mesmo, que o projeto seja analisado por ela mesma, entramos, como diria Stanislaw Ponte-Preta, no perigoso terreno da galhofa. Se a Fundação Biblioteca Nacional se outorga o direito de exercer a censura prévia de livros que entrarão no acerco de uma biblioteca pública, já estamos numa situação mais complicada: os ecos da ditadura, pelo visto, continuam ressoando no casarão da avenida Rio Branco. E com força.
Se o coordenador do Pronac na Biblioteca Nacional declara que não se justifica implantar mais de uma biblioteca em um município, finalmente temos a resposta para a pergunta: A PARTIR DO DIA 25 DE JUNHO, QUANDO FOR “INAUGURADA” A ÚLTIMA BIBLIOTECA DO PROGRAMA LIVRO ABERTO, NEM ADIANTA APRESENTAR OUTROS PROJETOS DE BIBLIOTECAS. A Fundação Biblioteca Nacional, ciosa e orgulhosa de sua façanha, dirá que são redundantes e, portanto, inúteis e lesivos ao interesse público.
É assim que raciocinam aqueles que “gerenciam” os programas de biblioteca do MinC. O que justifica qualificar esses programas como medíocres e autoritários, ainda que se possa dar todo o desconto das boas intenções que calçam essa particular via para o inferno.

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