quarta-feira, 17 de março de 2010

Pesquisa brasileira em redes internacionais




Fonte: Revista de Pesquisa Fapesp, n. 169. Data: Março 2010.
URL: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=4072&bd=1&pg=1&lg=

Enquanto várias nações conseguiram ampliar sua produção científica
feita em colaboração internacional, os artigos de pesquisadores
brasileiros escritos em parceria com estrangeiros estacionaram na casa
dos 30% e vêm crescendo, em números absolutos, num ritmo menor do que
as colaborações internas, aquelas que resultam do trabalho conjunto de
cientistas da mesma nacionalidade. Essa evidência é um dos destaques
de uma tese de doutorado sobre as redes de colaboração científica do
país, defendida no ano passado por Samile Vanz, pesquisadora e
professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sob
orientação de Ida Stumpf.

Lea Velho, professora do Departamento de Política Científica e
Tecnológica da Unicamp, diz que é difícil avaliar o significado dos
30%. "Ainda não existe uma teoria clara capaz de interpretar dados
desse tipo", diz. Mas afirma que o patamar pode ser útil para refletir
sobre os motivos que levam o Brasil a não conseguir elevar esses
indicadores.

"Faltam estímulos para que a nossa comunidade científica se relacione
mais com o exterior", ela diz. "De um lado, deixamos de mandar alunos
de doutorado para o exterior, o que era uma fonte potencial de
colaborações no futuro, e passamos a privilegiar os doutorados
sanduíche e os pós-doutorados lá fora, que não geram vínculos tão
fortes.

De outro o financiamento que vem oferecendo oportunidades cada vez
maiores de bolsas e recursos para projetos aqui mesmo no Brasil. É bem
diferente do que acontece em outros países, onde a participação em
redes internacionais e a disputa por recursos são cruciais para que o
pesquisador possa seguir trabalhando". "As universidades europeias
chegam a contratar pessoas para formatar a apresentação dos projetos,
tal é a sua importância. Aqui no Brasil não há esse tipo de estímulo
para as parcerias."

2 Comentários:

João Pedro on 18 março, 2010 disse...

O mesmo acontece em Portugal onde apesar de bons exemplos, o cientista, o investigador e as instituições cientificas não aplicam e não valorizam o artigo cientifico em revistas internacionais pois muitas vezes as revistas nacionais de investigação nas inúmeras áreas são insuficientes e muitas vezes inexistentes.

Murilo Cunha on 18 março, 2010 disse...

É João Pedro, é preciso mudar as realidades dos nossos países!
Murilo Cunha

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