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terça-feira, 13 de julho de 2010

USP digitaliza livros antigos sobre a África


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Fonte: Agência FAPESP.
Data: 11/07/2010.

O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP) começou a disponibilizar na internet livros e documentos raros sobre a África produzidos do século 16 ao 19.

O projeto Brasil África, que tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, já construiu a base de dados sobre os documentos para facilitar a pesquisa detalhada das referências e começa a digitalizar imagens.

De acordo com a Márcia Moisés Ribeiro, pesquisadora do IEB e coordenadora do projeto, o objetivo é permitir o acesso a livros e documentos raros sobre o continente africano.

“O IEB possui uma das mais importantes bibliotecas de livros raros de São Paulo. A ideia foi construir um banco de dados para reunir informações sobre esses documentos e obras que, em seguida, serão digitalizados e disponibilizados”, disse à Agência FAPESP.

Márcia atualmente desenvolve o projeto de pesquisa “Medicina e escravidão nas dimensões do universo colonial: a América portuguesa e o Caribe francês no século 18”, que será concluído no fim do ano.

O site já conta com informações detalhadas sobre cada documento selecionado. “Há dados sobre autor, obra, data e local da publicação. A base de dados traz também um breve resumo de cada documento indicado”, explicou.

É possível encontrar documentos que envolvem as mais diversas áreas sobre o continente, como história, geografia, medicina, religião e temas relacionados ao tráfico de escravos.

“São livros raros de viagem, de medicina, sobre a fauna e flora, além da história e das religiões africanas. Sobre a escravidão, há assuntos relacionados ao comércio e tráfico negreiro, como condições da travessia desses escravos, entre outros temas”, disse Márcia.

O processo de digitalização dos documentos da base de dados foi iniciado em maio e a previsão é que até o fim deste ano todas as obras estejam disponíveis no site.

A pesquisadora estima a existência de cerca de 600 documentos e livros raros sobre a África nas várias coleções do IEB. “Até agora trabalhamos apenas com os documentos da biblioteca do IEB, que tem cerca de 300 documentos que já estão no banco de dados, mas ainda não disponíveis na versão digital, que será disponibilizada em julho. A próxima etapa será a documentação do arquivo, no qual se encontram os manuscritos”, destaca.

Nos manuscritos há diversas correspondências entre governantes da África e governadores das capitanias brasileiras. “É uma documentação rica, sobretudo porque muitos são documentos únicos”, disse Márcia.

Divulgar e preservar

De acordo com a historiadora, a ideia surgiu a partir de sua própria pesquisa. “Trabalho com história da medicina e escravidão no período colonial e, ao ter contato com o material no IEB, percebi que o instituto guardava documentos e livros importantes para historiadores”, contou.

Grande parte dos temas envolvendo o continente africano, segundo ela, era estudada principalmente pela relação com a escravidão. “Mas, nas últimas décadas, outros temas relacionados à África têm despertado interesse de pesquisadores. A história do continente, por exemplo, só passou a ser obrigatória como disciplina há cerca de dez anos, nos programas das universidades. Mas ainda é restrita, quando comparada com a história da América, por exemplo”, destacou.

Márcia salienta que, ao ampliar o acesso a textos e imagens raras – com possibilidades de impressão –, será possível estimular os estudos de forma geral sobre o continente.

“Além de democratizar o acesso pela internet, a digitalização é uma forma de preservar as obras raras, evitando o manuseio excessivo e desgaste”, disse.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Na África, respostas por telefone 'substituem' uso da internet


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Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 26/10/2009.
Autor: Ronald Nixon.
O autor do telefonema estava frustrado. Uma nova peste estava corroendo seu recém-plantado cafezal, e ele queria saber o que fazer. Tyssa Muhima tomou notas e prometeu ligar de volta em dez minutos com a resposta. Todos os dias, Muhima e duas outras jovens num pequeno call center dos arredores da capital ugandense, Campala, respondem a cerca de 40 perguntas desse tipo. Elas são as telefonistas do Question Box ("caixa de perguntas"), um serviço telefônico gratuito e sem fins lucrativos destinado a levar informação a moradores de áreas remotas, sem acesso a computadores.
A premissa é de que muitas barreiras impedem a maior parte do mundo em desenvolvimento de se beneficiar da riqueza de conhecimento disponível através de mecanismos de busca da internet, disse Rose Shuman, criadora do serviço. Isso pode ser um entrave ao desenvolvimento econômico. "Então, pensei: por que não levar a informação a eles de uma forma que seja mais conveniente e útil?", disse Shuman, que vive em Santa Monica, na Califórnia.
Em duas comunidades rurais de Uganda, as pessoas podem recorrer a 40 agentes do Question Box que têm celulares. Esses agentes ligam para o call center e fazem as perguntas ou põem a ligação no viva-voz para que o próprio morador pergunte. As telefonistas então procuram a resposta num banco de dados e passam ao agente, que a transmite ao morador. Os agentes são recompensados com créditos de celular. O serviço é um esforço conjunto da ONG Open Mind, fundada por Shuman, e da Fundação Grameen, mais conhecida por seu trabalho com microcrédito.
Ele recebeu apoio financeiro da Fundação Bill e Melinda Gates. O serviço Question Box foi introduzido inicialmente há dois anos, em aldeias remotas da Índia, e chegou em abril a Uganda. A versão ugandense se beneficia da explosiva popularidade dos celulares na África. O uso dos celulares mais do que triplicou nos últimos anos, e hoje quase 300 milhões de africanos têm esses aparelhos. Se antes as aldeias rurais eram isoladas dos centros urbanos, hoje os celulares representam uma linha vital, oferecendo acesso a bancos, notícias e oportunidades de negócios. Esse é um grande avanço tecnológico, mas, para a maioria dos africanos, a internet ainda é custosa e lenta demais.
O Question Box foi concebido como uma forma de superar o gasto e a escassez das conexões à internet. No futuro, o Question Box permitirá que agricultores e outros usem o serviço por seus próprios celulares ou por mensagem de texto. Em junho, o Google lançou um esforço semelhante em Uganda, também envolvendo a Fundação Grameen, que permite às pessoas encontrarem informações em temas como saúde e agricultura via mensagem de texto.
Nathan Eagle, pesquisador do Instituto Santa Fe, do Novo México (EUA), que tem estudado os celulares e o desenvolvimento na África, disse que, embora serviços como esses possam ser úteis, eles precisam responder às necessidades dos usuários. "Não podemos nos sentar nos nossos escritórios nos EUA e decidir o que é útil para as pessoas e o que é significativo nas suas vidas", disse Eagle, que também dirige uma empresa ligada à telefonia celular no Quênia. "Os serviços só agregam valor se forem abertos."
Shuman disse que o Question Box é principalmente uma ferramenta para o desenvolvimento econômico. O setor agrícola de Uganda emprega mais de 80% da mão de obra do país, e receber informação rápida sobre os preços dos produtos ou as técnicas de plantio mais atuais é crucial. "Dessa maneira, estamos ajudando os agricultores a tomarem decisões sobre o que vender, o que plantar e como melhor cuidar das suas lavouras", disse Shuman. "Trata-se de dar às comunidades a capacidade de se ajudarem." Nem todas as questões que aparecem são voltadas para os negócios. Algumas são sobre esportes -"Qual time de futebol é melhor, Manchester United ou Barcelona?"- ou dados históricos. Na Índia, os moradores podem usar o Question Box por meio de uma caixa de verdade -metálica, com microfone acionado por um botão. Eles fazem a pergunta, e o telefonista em uma cidade distante procura a resposta imediatamente na internet ou então pede alguns minutos antes de ligar de volta. "Muita dessa informação nem está disponível na internet", disse Jon Gosier, executivo-chefe de tecnologia da Question Box.
"O verdadeiro valor desse banco de dados é que ele contém uma riqueza de informações que só diz respeito às áreas locais." Gosier disse que a maior parte das comunidades rurais de Uganda é tão remota que não compensa para os provedores oferecer-lhes serviços de internet. "Mesmo nos próximos dez anos, não acho que você verá áreas como essas sendo conectadas. Por isso o Question Box continuará sendo uma ferramenta importante para levar às pessoas dessas áreas a informação de que elas precisam."

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Associações de bibliotecários na África


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MESA REDONDA

“O PAPEL DAS ASSOCIAÇÕES DE BIBLIOTECÁRIOS E PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO NA VALORIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA PROFISSÃO EM ÁFRICA”.


Realizou-se no dia 12 de Fevereiro de 2009, em Luanda, no Anfiteatro do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Engenharia da UAN, a Mesa Redonda sob o lema “O Papel das Associações de Bibliotecários e Profissionais da Informação na Valorização e Desenvolvimento da Profissão em África”.

A mesa Redonda foi organizada pela Biblioteca Nacional de Angola, em parceria com a universidade Agostinho Neto e apoios do Ministério da Cultura da República de Angola, da Embaixada dos Estados Unidos de América em Angola e o apoio institucional da Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA).

Neste evento, cuja sessão de abertura foi presidida por Sua Excelência Senhor Vice-Ministro da Cultura da República de Angola, Dr. Luís Kandjimbo, em representação de sua Excelência Senhora Ministra da Cultura, participaram membros do Comité Permanente da Secção África da IFLA, dos seguintes países: Maria José Ramos (Angola), Alim Garga (Camarões), Aíssa Issak (Moçambique), Ellen Namhila (Namíbia), James Daniel (Nigéria), Victoria Okojie (Nigéria) e Naomi Haasbroek (África do Sul); da Gestora Regional da IFLA para África, da Sra. Carol Brey-Casiano, Membro da Associação de Bibliotecários Americanos e Presidente desta associação entre 2004-2005, além de responsáveis, técnicos e profissionais de unidades de informação angolanas.

Durante a mesa redonda foram apresentadas as seguintes comunicações:

“The Role of The LIS Associations in the Development of the Profession in Africa”, por James Daniel- Presidente da Associação de Bibliotecários da África Ocidental (WALA);

“IFLA Africa Seccion”, por Lindile Nhlapo- Gestora Regional da Federação Internacional de Associações de Bibliotecários e Instituições (IFLA) para África;

“La Asociación Bibliotecaria: Ayuda para nuestra profesión”, por Carol Brey-Casiano - Presidente 2004-2005 da Associação de Bibliotecários Americanos (ALA);

Associações de Bibliotecários e Profissionais de Informação nos PALOP: Porquê e Para Quê?, por Aíssa Mithá Issak – Bibliotecária da Universidade Politécnica de Maputo, Moçambique;

“A Criação da D.A.B.A., sua existência e as causas do seu desmembramento”, por Alexandra Aparício, Directora Geral do Arquivo Histórico de Angola e Membro da D.A.B.A.

Tendo os participantes, após os debates, chegado, entre outras as seguintes conclusões e recomentações:
As associações de bibliotecários e profissionais da informação:

1. São organismos essenciais para proporcionar o desenvolvimento, promover e melhorar os serviços informativos da biblioteca e da profissão;

2. São espaços para encontros, troca de informações e experiências e para concertação de acções para enfrentar os desafios profissionais de forma colectiva;

3. Podem ter nas suas agendas questões como:

- Definição de carreiras profissionais,
- Acreditação de cursos,
- Reconhecimento de qualificações académicas e,
- Outros aspectos ligados à valorização e desenvolvimento profissional.

4. Devem garantir entre outras:

- o desenvolvimento de uma rede de profissionais,
- a capacitação profissional,
- o apoio organizacional para os bibliotecários e profissionais de informação,
- o desenvolvimento de um conjunto de normas, guias e outros instrumentos orientadores para o exercício da profissão.

5. Devem funcionar sob os princípios da democracia, da ética e do respeito mútuo;


6. Dependem exclusivamente dos seus membros e da sua vontade de as tornar eficientes para serem bem sucedidas.

Os participantes a mesa redonda reafirmaram a importância das associações de bibliotecários e profissionais da informação para promoção e desenvolvimento da profissão em África e recomendaram o seguinte:

Melhoria da comunicação e o intercâmbio entre os profissionais angolanos, africanos e de outras partes do mundo;

Adesão dos bibliotecários e profissionais da informação angolanos e dos PALOP a IFLA e maior envolvimento destes nas actividades da federação;

Criação urgente de associações de bibliotecários e profissionais da informação nos PALOP, visando o desenvolvimento de organismos fortes e com voz colectiva para o desenvolvimento da profissão e defesa dos interesses da classe nestes países;

A revitalização da DABA, tendo sido criada uma comissão constituída por onze elementos que deverá reunir nos próximos 30 dias com vista a dinamizar o processo da reactivação da mesma.

Os membros do Comité Permanente da Secção África da IFLA, saudaram o Governo Angolano pelo apoio aos profissionais da Informação e pelo acolhimento da sua Reunião Anual de 2009, em Luanda.

A Sessão de encerramento foi presidida pelo Magnífico Reitor da UAN e contou com a presença de directores do Ministério da Cultura da República de Angola.


BIBLIOTECA NACIONAL DE ANGOLA, em Luanda, aos 13 de Fevereiro de 2009.

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