terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Audiolivro no Brasil




Fonte: Época. Data: 2/12/2009.
Autora: Laura Lopes.
O mercado de audiolivros brasileiro cresceu. Confira o perfil de quem compra, quais as principais editoras do país e algumas sugestões para o Natal
O que prende mais a sua atenção: ler um livro ou escutá-lo? Os mais tradicionais diriam ler um livro. Mas um audiolivro também pode entreter muito, desde que seu conteúdo seja interessante e a narração, boa. Ela (a narração) está para o audiolivro assim como a edição ou a tradução estão para uma obra-prima da literatura.
O mercado brasileiro que se forma em torno dessa nova mídia quer aliar títulos famosos a vozes conhecidas. Entre os audiolivros mais vendidos, das poucas editoras especializadas que atuam no país, estão obras-primas e best-sellers, grande parte narrada por atores, personalidades ou os próprios autores, como Antônio Fagundes, Nelson Motta, Ana Maria Braga, Glória Kalil e Marília Pêra. Eles têm de se exercitar: não podem fazer nem uma leitura muito teatral, nem muito distante. Ela deve ser suficiente.
O audiolivro é um bom presente para o Natal: custa barato (cerca de R$ 25) e parece ser a aposta do mercado editorial para os próximos anos. "O principal fator que move esse consumidor é a falta de tempo", diz Sandra Silvério, diretora da Livro Falante. Ela vendeu uma editora de revistas em 2004 para investir tudo no novo mercado e hoje tem 20 títulos. Em sua visão, se ficar no trânsito é inevitável, dedique esse "tempo perdido" à necessidade e ao prazer de ler. "Uma boa história ou um assunto interessante pode entreter completamente um motorista que, sem uma distração, poderia ficar bastante angustiado num congestionamento", diz Sandra.
Há aqueles que adotaram o novo formato para usar em academias, no ônibus, na fila do banco, enquanto corre no parque ou na espera no aeroporto. Parece não importar muito o local: a portabilidade que o audiolivro oferece é muito maior que a de um livro. Pessoas com dificuldade de leitura, que usam óculos ou são idosas, também contam com essa alternativa.
Não se trata, aqui, apenas de audiolivros sobre temas religiosos (a Bíblia falada ou espíritas) ou infantis (quem se lembra das historinhas em fitas cassete das décadas de 70 e 80?), mas de títulos procurados por leitores assíduos ou estudantes. Poemas Completos de Alberto Caeiro, do heterônimo de Fernando Pessoa, é o audiolivro mais vendido da Livro Sonoro. Segundo o diretor da empresa, Luiz Carlos Gioia, a poesia é um gênero bem apreciado por esse tipo de consumidor. O fato do livro constar da lista de muitos vestibulares também aumenta sua procura. Dos 12 audiolivros publicados pela editora, seis são da Coleção Vestibular e têm liderado as vendas. Também são muito procurados os que abordam concursos, negócios, finanças e economia doméstica.
Se antigamente um audiolivro era caro – em fita cassete e, depois, na época em que o CD era caro – e geralmente impootado, hoje a tecnologia é muito mais barata. "Com a compressão de arquivos de áudio (em mp3, por exemplo) e a possibilidade de venda via download na internet, o custo para a venda de audiolivros caiu muito, e o Brasil pode deslanchar nesse sentido", diz Sandra, da Livro Falante. É no que aposta Marco Giroto, dono da Audiolivro, que vende 50 mil títulos por mês e abriu a primeira audiolivraria brasileira, em São Paulo. "Começamos com sete títulos e três anos depois temos 100. Entre vendas e faturamento, o crescimento foi de 150% ao ano", afirma o empresário, que tem a vontade de fundar a Associação de Editoras de Audiolivros em Língua Portuguesa, em que farão parte editoras do Brasil e Portugal, para que dados de mercado sejam apurados. Hoje, nem a Câmara Brasileira do Livro nem a Agência Brasileira do ISBN (da Fundação Biblioteca Nacional) possuem dados de quantos audiolivros são comercializados no país.
Nos Estados Unidos, onde esse mercado é maduro (bem como na Inglaterra e na Alemanha), o hábito de escutar livros é muito mais apurado que no Brasil. Uma pesquisa feita pela Audio Publishers Association (APA) em 2008 mostrou que 28% dos americanos haviam escutado audiolivros no ano anterior, em que o volume de vendas com o produto passou de US$ 1 bilhão. Esses leitores são consumidores assíduos de livros impressos: 92% disseram ter lido livros no mesmo período e um terço deles leu 16 ou mais títulos. "O audiolivro não vai concorrer com o livro impresso", diz Cristina Albuquerque, diretora de operações da Plugme, novo braço da Ediouro dedicado ao audiolivro e criado em setembro de 2008. Até o fim de 2009, terá lançado 50 títulos em CD e 70 para downloads. "Os americanos têm 50 mil títulos de audiolivro à disposição na Amazon e várias lojas especializadas, algumas delas até alugam pela web", afirma Cristina, que lança os audiolivros na internet antes de levá-los às livrarias.
Os números prometem no Brasil. De acordo com o estudo "Retratos da Leitura no Brasil", feito pelo Instituto Pró Livro no ano passado, 3% da população brasileira que lê (95, 6 milhões) aderiram ao audiolivro. Pode ser uma pequena porcentagem, mas representa 2,8 milhões de pessoas. É animador. "Pretendemos produzir um audiobook a cada 45 dias, mas com nível de excelência que agrade o ouvinte", afirma o diretor da Livro Sonoro. "Estamos inovando na produção do clássico O cortiço, de Aloísio Azevedo. Mais de 20 personagens interpretarão uma espécie de radionovela", diz Gioia. A produção consumirá oito meses e o lançamento está prometido para fevereiro.
Segundo Paulo Lago, diretor da editora Nossa Cultura, que tem 43 títulos, 2009 foi o ano de transição. “A visibilidade do produto aumentou nas livrarias, que hoje já destinam um espaço especial para esse formato. A entrada de outros grandes grupos editoriais brasileiros nesse segmento também ajudou na divulgação do formato”, afirma. Em dezembro, a editora lancará O Tigre Branco, do escritor indiano Aravind Adiga e que foi eleito o melhor audiolivro de 2009 nos Estados Unidos pela APA. É um caminho, também, para atrair a atenção de não-leitores para o hábito de ler.

4 Comentários:

Anónimo disse...

Pena que nao saiu nada comentando uma das maiores empresas de audiolivros e audiobooks do brasil, a www.universidadefalada.com.br que tem centenas de produtos para baixar .... os caras sao barbaros , muita cultura

Celular Espiao on 09 dezembro, 2009 disse...

Adorei o conteúdo do seu site. Aproveite e visite o meu site http://www.celularespiao.org Conheça este incrível celular batizado de Telefone Espião. A única maneira de você fazer uma escuta de celular. Funciona de modo discreto e grava todas as chamadas recebidas e efetuadas do celular alvo. Lista todas as chamadas com numero, dia, duração da ligação, e hora. Vendemos o celular em duas versões para sua escolha.

Anónimo disse...

Parabéns pela reportagem!
Os países citados como maduros na produção de audiolivros possuem précondições bastante favoráveis: hábito de leitura institucionalizado, em boa parcela da população, e média de idade elevada(pessoas com dificuldades visuais). Não obstante, o BR possui um potencial enorme, a ser desenvolvido no decorrer do tempo.
Outra questão, que tem que ser resolvida, para que as coisas emplaquem por aqui, é a do valor pago pelas produtoras de audiolivros para os narradores não conhecidos da mídia. Para as ditas "celebridades", paga-se cachês astronômicos; enquanto que para Locutores "desconhecidos" da mídia, e que, não obstante, possuem condições de executar trabalhos com elevado padrão de qualidade, para um mercado crescentemente exigente, uma mixaria que desestimula, por completo, o engajamento de Recursos Humanos com qualificação adequada a produções de bom nível. Resultado: em linhas mais gerais, quem se dispõe a gravar audiolivros, pelo que se paga por ai aos "desconhecidos", em geral ainda não possui condições de apresentar um desmpenho que transmita credibilidade ao texto. É algo que ter de ser resolvido pelas produtoras, tanto para que o nível dos trabalhos, num cenário mais abrangente, seja suficientemente elevado para o mercado crswcer consistentemente, quanto para que todos não fiquemos tão dependentes das "celebridades", e seus elevados custos, para emplacar um audiolivro.
Frederico Ferraz

Akemi disse...

Realmente os Audiolivros são muito bons, principalmente nos dias de hoje, onde tudo é tão corrido. Eu por exemplo, trabalho o dia inteiro e não tinha tempo pra ler. Agora, eu posso escutar livros magníficos enquanto faço academia ou volto do trabalho, porque o trânsito em SP, é um horror. Dá pra distrair e ao mesmo tempo, absorver cultura. Um site que eu indico é o www.audiolivro.net.br, além de ser barato, tem a opção de download e títulos famosos, como o Monge e o Executivo.

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