sábado, 14 de novembro de 2009

Primeiro livro brasileiro no Kindle




Agir inaugura literatura digital no Brasil com 1º livro lançado no papel e no Kindle
Fonte: IDG Now. Data: 11/11/2009.
Autor: Guilherme Felitti .
Rubem Fonseca será 1º escritor a ter um novo livro – o romance “O Seminarista” - disponível tanto em papel nas prateleiras como no Kindle e no iPhone.
Além da prosa seca e violenta passada em centros urbanos e a tradicional reclusão, Rubem Fonseca também há de ser lembrado por outra faceta: a de entusiasta de tecnologia.
O escritor mineiro, ganhador do Prêmio Luis de Camões de literatura em língua portuguesa em 2003, será o primeiro brasileiro a lançar uma obra digital simultaneamente à sua versão em papel.
"O Seminarista", vigésimo sétimo livro de um catálogo que conta ainda com obras como "Agosto", "O Cobrador" e "Lúcia McCartney", ganhará edição eletrônica para o leitor Kindle, da Amazon, e aplicativo para iPhone e iPod touch em, no máximo, duas semanas.
O lançamento da obra, cuja versão em papel chegou às livrarias brasileiras no sábado (7/11), marca a mudança de Fonseca da Companhia das Letras para a editora Agir, pertencente ao grupo Ediouro, que também reeditará gradualmente o catálogo do escritor mineiro.
As datas em que as versões digital e analógica do livro estarão disponíveis só não coincidiram pelos processos de aprovação que tanto Amazon como Apple exigem para a publicação de livros digitais ou aplicativos, segundo o diretor de tecnologia e mídias digitais da Ediouro, Newton Neto.
"As datas são um pouco imprecisas pelo pioneirismo. A tendência é que, a partir dos próximos lançamentos, na última semana de novembro, tenhamos maior regularidade de datas", afirma Neto, citando que a versão para iPhone deve ser lançada nesta semana e do Kindle, na próxima.
O aplicativo para iPhone ou iPod touch custará 9,99 dólares, enquanto a versão para Kindle custará 19,99 reais. Já a versão tradicional de "O Seminarista", com 184 páginas, sai por 36,90 reais em livrarias.
Além de "O Seminarista", a Agir lança simultaneamente a versão para Kindle do livro "Deu no blogão", do dramaturgo Aguinaldo Silva.
Até o final do mês, as 12 edições da coleção BlogBooks, em que blogs de projeção foram transformados em livros após votação popular, também estarão disponíveis para Kindle.
Segundo Neto, a Ediouro planeja que todos os lançamentos de versões digitais sejam simultâneos às edições em papel a partir de dezembro, o que faz com que a editora trace a ousada projeção de ter 10% do seu faturamento proveniente de livros digitais.
Neto, porém, faz a ressalva: o número deverá incluir também a impressão sob demanda pela Singular, serviço em que a Ediouro atualmente vende seus próprios livros e que pretende transformar em uma plataforma de agregação de literatura digital.
"Eventualmente, um ou outro não (será lançado simultaneamente no digital) pela falta de apelo: um livro cheio de imagens e gráficos não é muito amigável com e-readers", explica.
Comemorando com Fonseca
A escolha por Rubem Fonseca não foi arbitrária. "Ele é um cara que embarcou nesta onda digital há algum tempo", afirma Neto para justificar a escolha do autor para inaugurar os lançamentos simultâneos no mercado literário brasileiro.
Em fevereiro, Fonseca publicou artigo no Portal Literal em que destrincha o gadget e, após demonstrar sua fascinação pelo armazenamento digital de obras, opina, "aqui entre nós", que "esse Kindle me parece fogo de palha".
Fogo de palha ou não, o lançamento de "O Seminarista" não apenas transformou Fonseca no primeiro a ter um novo livro disponível tanto nas prateleiras como na internet, como também o tirou da sua tradicional reclusão.
Para divulgar o livro, Fonseca leu trechos do novo romance e do conto "A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro" para que a Ediouro compilasse arquivos e os publicasse no YouTube ou no site de divulgação de "O Seminarista", em raro registro da voz do escritor mineiro.
Pioneirismo na poesia
O novo livro não é o primeiro brasileiro a estar disponível para o Kindle em português.
Desde o começo de novembro, a editora carioca Ibis Libris oferece para download no leitor da Amazon dois livros: "Gozo de Ulysses", de Noga Sklar, e "Marco Pólo & A Princesa Azul", de Thereza Cristina, em edição bilíngüe.
É a própria Thereza, fundadora da editora, quem relata que a edição bilíngüe do seu livro não se trata de um capricho editorial, mas sim uma exigência da Amazon: para publishers fora dos Estados Unidos, a gigante de e-commerce exigiu livros que tivessem conteúdo em inglês.
Caso a responsável pela obra tenha endereço residencial e conta bancária nos Estados Unidos, é permitida a venda de conteúdo totalmente traduzido para outra língua que não o inglês.
A justificativa, explica ela, é a falta de acordo da Amazon com entidades que coletam taxas referentes ao direito autoral dos livros. "Ainda não abriram venda de livros para o mundo, já que depende de uma questão burocrática. A própria pressão do mercado vai impor" a resolução do problema, acredita Thereza.
A Agir não teve o mesmo problema e é o próprio Newton quem explica o entrevero.
"Sei o que aconteceu: qualquer um pode publicar um livro (para Kindle na Amazon), desde que tenha endereço e um número de seguro social nos Estados Unidos. Publishers internacionais precisam negociar diretamente com um representante da Amazon", conta.
Como a Ediouro já tinha contato com a Amazon por parceiras por impressão sob demanda de obras em português, o contato entre a editora e a gigante de comércio eletrônico acabou facilitado, explica o executivo.
Até o final do ano, a Ibis Libris prevê o lançamento de mais quatro obras para Kindle, todas com poesias disponíveis tanto em inglês como em português.

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