quinta-feira, 5 de julho de 2007

Universitário brasileiro não lê




Pesquisa da CIEE aponta que 1 em cada 5 destes jovens não lê
Autora: Fernanda Aranda
Fonte: Jornal da Tarde, São Paulo, 25 de junho de 2007.
URL: http://www.estadao.com.br/revistafeminina/noticias/2007/jun/25/102.htm
SÃO PAULO - O papo é sério e o quadro é grave. Uma pesquisa do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) revelou que cerca de 20% dos universitários da Região Metropolitana de São Paulo não têm o hábito de ler. Isso significa que uma em cada cinco pessoas que freqüenta alguma faculdade, seja pública ou particular, vive afastada do mundo da leitura.
Foram entrevistados 1.104 jovens do ensino superior. Da parcela que afirmou ler de vez em quando, a Bíblia foi citada como o livro mais influente. No segundo lugar do ranking, a resposta foi típica de concurso de beleza. Como entre as candidatas à miss, O Pequeno Príncipe também está no topo da lista dos preferidos dos estudantes (saiba mais acima).
O resultado do pouco acesso à literatura espantou o próprio coordenador do estudo, Luiz Gonzaga Bertelli. “É um índice lamentável, considerando que o universo da pesquisa é constituído exclusivamente por quem já chegou à universidade”, afirma Bertelli. Para ele, o número de poucos leitores é reflexo da má qualidade do ensino.
A distância entre o livro e as faculdades é exemplificada pelo caso do estudante de Comércio Exterior Augusto de Andrade, 19 anos. Ele coçou a cabeça, olhou para cima, mas não conseguiu lembrar qual foi a última publicação que leu. Augusto até tentou justificar a falta de memória. “A ausência do livro na vida do jovem aparece bem antes. Na escola mesmo, somos muito pouco incentivados”, argumenta.
A adolescente Aila Martins Ferreira, 18 anos, que cursa Publicidade, tinha na ponta da língua a última obra lida: “Foi Intermitências da Morte, de José Saramago”, disse com orgulho. Apesar da resposta rápida, ela confessa que os livros não são seus companheiros constantes. “No bate-papo sobre qualquer assunto, nunca aparece a influência de algum livro”, diz.
De acordo com especialistas, a pouca proximidade com os livros já é cultivada quando o adolescente ingressa no ensino fundamental. “Quando chega à 5ª série, o livro é apresentado, pelos próprios professores, de uma maneira pouco sedutora. São usados apenas de maneira científica, o que afasta o gosto pela leitura”, afirma Neide Luzia Rezende, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). “Sabemos que, há 50 anos, o livro era a única ferramenta para adquirir conhecimento. Hoje em dia, há uma série de outras alternativas, mas nada substitui as publicações, uma forma consistente do saber”, completa.
As conseqüências para o jovem que deixa o livro de lado, segundo a mestre em Língua Portuguesa da PUC, Dileta Delmanto, é que ele não desenvolve um olhar crítico diante da sociedade - e isso vale para todo tipo de assunto, de política a futebol. “Mesmo a literatura de ficção é uma forma de pensar sobre a vida”, explica a especialista.
Para tentar reverter este quadro, a receita envolve vários ingredientes. Uma delas, apontada pela professora Dileta, é a ‘convergência entre as mídias’. “Quantos jovens não começaram a ler depois de assistir ao Sítio do Picapau Amarelo na televisão ou ao Senhor dos Anéis no cinema?”, questiona a profissional.
Fica, agora, um a expectativa para as gerações futuras. Será que os programas de TV e filmes de Hollywood são serão capazes de encurtar, ao menos um pouco, a distância entre os jovens e os livros?
Cultura universitária em números
680 mil é o total de pessoas que estão matriculadas em alguma faculdade da Região Metropolitana de São Paulo
1.104 universitários de instituições públicas e particulares participaram da pesquisa do CIEE
67% lêem jornal com freqüência. No final do curso, o índice passa para 76%
77% preferem as revistas, quando estão no início da graduação. No final, são 81% 96% utilizam a internet. Da parcela, 84% têm computador em casa e o restante usa na faculdade.
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Comentário:
Muita coisa precisa ser feito para melhorar e modernizar as bibliotecas universitárias no Brasil. Além do estudante, o professor universitário também precisa receber estímulos para ampliar o hábito de leitura.
Murilo Cunha

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