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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Dos enciclopedistas aos bibliotecários: o acervo digital dos EUA vem aí


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ENTREVISTA - ROBERT DARNTON

por LUCAS FERRAZ - FSP

RESUMO
Diretor do complexo de bibliotecas da Universidade Harvard [Robert Darnton] comenta o lançamento da Biblioteca Pública Digital dos EUA, em abri [de 2013], que vai pôr em rede o acervo em domínio público de dezenas de bibliotecas acadêmicas. Criado como antítese do Google Books, o projeto da DPLA é financiado por recursos privados.

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O iluminismo é o principal tema de estudo do historiador americano Robert Darnton, 73, autor de vários títulos sobre como a difusão do conhecimento alimentou revoluções no século 18. É de certa forma inspirado nos ideais dos enciclopedistas que Darnton comanda ele também uma revolução.

Como diretor do imenso complexo de bibliotecas da Universidade Harvard, ele encabeça a criação da DPLA (Digital Public Library of America, sigla para biblioteca pública digital americana), que a partir de abril [de 2013] vai reunir e compartilhar gratuitamente na internet o acervo e obras de milhares de bibliotecas e universidades do país.

A DPLA é a resposta de Darnton e da academia à violação de direitos autorais representada pelo Google Books, que lucra com os livros repassados para a rede.

"Vamos fazer diferente", diz Darnton, que vê a biblioteca digital como o seu projeto mais ambicioso, algo a ser feito "por séculos".

O debate em torno do livro na era das tecnologias digitais foi tema de "A Questão dos Livros", coletânea de textos que lançou no Brasil em 2010, pela Companhia das Letras. Pela mesma editora, lançou no ano passado "O Diabo na Água Benta", no qual aborda outro assunto importante em sua produção intelectual, o jornalismo - em especial, a imprensa clandestina que veiculava insultos e difamações mas também denúncias políticas de um e outro lado do canal da Mancha no século 18.

Irmão e filho de jornalistas, diz manter o encanto pelo ofício, que chegou a exercer nos anos 1960: foi repórter de polícia do "The New York Times" e teve como colega de editoria um dos maiores jornalistas americanos vivos, Gay Talese - de quem diz não ser muito fã.

Em seu escritório na Wadsworth House, no campus de Harvard, onde recebeu a Folha para esta entrevista, Darnton comentou algumas obras que retratam a história do jornalismo nos Estados Unidos. Seu pai, Byron Darnton, é citado em várias delas. Ao cobrir para o "New York Times" a Segunda Guerra Mundial (1939-45) no Pacífico, Byron foi atingido num bombardeio e tornou-se um dos primeiros jornalistas americanos mortos no conflito.

Folha - Como estão os preparativos para o lançamento da DPLA, que o sr. anunciou para abril?
Robert Darnton - Não queremos gerar falsas expectativas: de início não teremos todo o material digitalizado. Levará tempo. Teremos 2 milhões de livros liberados pelo domínio público. Vamos começar modestamente. Espero que cresça mais e mais. É um trabalho que deve ser feito por séculos.
O início envolve a digitalização de coleções especiais, principalmente as de Harvard. Temos uma enorme quantidade delas nas 73 bibliotecas da universidade, são mais de 18 milhões de volumes. Estamos escaneando livros, manuscritos e fotografias de diferentes assuntos.
Há acervos sobre mulheres, imigrações e obras sobre doenças epidêmicas, por exemplo; e há coleções históricas importantes, sobre a era medieval e sobre fotografia, com imagens da Lua e da escravidão, como fotos de escravos que nasceram na África e foram levados para os EUA.

Qual o maior problema que estão encontrando?
Montamos um escritório para discutir a questão legal e convidamos pessoas de diferentes instituições, de várias partes do país, que costumam enfrentar o mesmo tipo de problema: o óbvio, dinheiro, além de dúvidas relativas à tecnologia, à organização, ao conteúdo digitalizado e ao público que vai utilizar tudo isso. Mas a questão legal é a mais importante. Não podemos violar os direitos autorais.

A ideia é que a DPLA seja a antítese do Google Books?
Exatamente. O Google tenta fazer a mesma coisa, mas sob a lógica do lucro. O Google veio a Harvard para discutir a cópia de livros, quando eles começaram a digitalização. Eles também foram à NYPL (sigla em inglês da Biblioteca Pública de Nova York) e às universidades Stanford, do Michigan e da Califórnia.
Harvard disse que eles poderiam digitalizar alguns livros -aqueles em domínio público, não os protegidos por lei. Mas as demais universidades deram permissão para que copiassem o que quisessem, e eles começaram a fazer isso.
A Liga dos Autores e a Associação Americana de Editoras foram à Justiça contra a empresa. Após três anos de negociação secreta, fecharam um acordo com o Google, mas a Justiça de Nova York vetou, por entender que infringia a lei de direitos autorais.
Vamos fazer diferente, não vamos ganhar dinheiro, queremos apenas servir o público com livros abertos na internet.

Quantas bibliotecas e universidades americanas terão acervos digitalizados na DPLA?
Não tenho ainda um número certo, mas são milhares. Todas as bibliotecas abertas para pesquisa no país estarão envolvidas. Mas levará tempo: no início, serão todas as que já têm material digitalizado. Obviamente, todas que tiverem coleções anteriores a 1923 poderão participar.

A DPLA poderá usar livros publicados após 1923, se autores e editoras concordarem com a abertura das obras na internet, gratuitamente?
Sim, temos um programa para tentar convencê-los a ceder obras para a base da DPLA. Muitos livros deixam de ser lidos após alguns meses no mercado; eles morrem. Autores, claro, querem leitores. A maioria das obras não tem valor financeiro cinco ou seis anos depois da publicação, e os proprietários dos direitos podem ficar felizes ao ver seus livros disponíveis.

O fato de que as universidades e instituições envolvidas no projeto da DPLA tenham visões diferentes sobre o futuro do livro e sobre como usar a internet não é um problema?
É um problema potencial. Mas há coisas sendo feitas. Há uma coalizão de fundações, que vão nos prover dinheiro, e há as bibliotecas e universidades, que vão disponibilizar os acervos.
Estamos concebendo uma estrutura tecnológica que permita harmonizar todas as coleções digitais em um mesmo sistema. Superada essa questão, será o momento de reunir livros e coleções, por exemplo, do Alabama e da Dakota do Norte numa mesma base. É muito trabalho.
O site já está funcionando experimentalmente, mas ainda não há nada aberto ao público. No dia 18 de abril [de 2013] vamos lançá-lo com uma cerimônia na Biblioteca Pública de Boston.

O governo norte-americano não apoia a DPLA?
Não, é um projeto completamente independente do governo, gerido por fundações privadas. Não há envolvimento público.
A principal política, mesmo nas universidades privadas como Harvard, é abrir as bibliotecas para compartilhar conhecimento intelectual ao redor dos Estados Unidos e do mundo.
É difícil para as pessoas da Europa ou da América Latina compreenderem, porque muita gente fora dos EUA, para tocar esse tipo de projeto, depende do governo. Mas este é um país em que não devemos ter fé no governo ou no Congresso para prover um bom serviço gratuito ao público.
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Templo do livro, modelo em xeque (bibliotecas e e-books)


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Divulgado no Blog Pesquisa Mundi, de Rodney Eloy em 25/02/13


A atual fase da era digital, marcada pela expansão do mercado de e-books, vem acentuando o debate sobre o destino das bibliotecas tradicionais - e o seu incontornável impacto na formação de leitores

Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo

Bibliotecários do Reino Unido ficaram em polvorosa com uma recente declaração do escritor inglês Terry Deary. Autor de obras infantis e juvenis, publicadas inclusive no Brasil, ele disse: "As bibliotecas tiveram seu momento. Elas são uma ideia vitoriana e estamos na era digital. Ou mudam e se adaptam ou deverão ser fechadas. Muito da chiadeira atual é sentimentalismo". A realidade de seu país em crise, onde as bibliotecas sofrem com corte de verba e encerramento de atividades e brigam com editoras pela questão do empréstimo de e-books, é bem diferente da brasileira.
Márcio Fernandes/AE
Frequentadores da Biblioteca de São Paulo
leem no papel e na tela de um e-reader
Aqui, a briga é para zerar o déficit de bibliotecas. De acordo com o Censo Nacional de Bibliotecas Municipais, de 2010, 20% das cidades não contam sequer com uma sala de leitura. O dado é ainda mais preocupante nas escolas públicas. O Censo Escolar mostrou que 72,5% ficam devendo esse espaço para seus alunos - existe uma lei que determina que até 2020 essa questão seja resolvida. Outro desafio é a conquista de novos leitores. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 75% dos brasileiros jamais pisaram numa biblioteca. O mesmo levantamento mostrou que 20% dos entrevistados frequentariam uma, se houvesse livros novos. Mas nada convenceria 33% a fazer isso.

"A biblioteca não é um organismo à parte na constituição de uma sociedade: a biblioteca é reflexo dela e responde a ela. Por isso é que temos tão poucas bibliotecas no Brasil", comenta Maria Antonieta Cunha, especialista no assunto e desde 2012 à frente da Diretoria do Livro, Leitura e Literatura, órgão subordinado à Fundação Biblioteca Nacional. Mas o Brasil é, claro, um país grande e desigual, e também no que diz respeito ao acesso a livros vive, simultaneamente, passado, presente e futuro. Enquanto uns correm para resolver essas questões básicas e urgentes, outros veem o momento em que será possível emprestar um livro digital de uma biblioteca e lê-lo no e-reader, tablet ou celular.


Isso ainda está distante das bibliotecas de obras gerais - algumas oferecerem livros em domínio público para download, mas isso é simples. É, porém, realidade para estudantes da FMU (SP), Universidade de Passo Fundo (RS) e Cândido Mendes (RJ), entre outras, que usam o serviço da Minha Biblioteca, uma plataforma criada por editoras concorrentes, mas que se uniram para desbravar esse mundo novo.


Participam do consórcio quatro das cinco maiores do segmento CTP (Científico, Técnico e Profissional): Saraiva, Atlas, Grupo A e Grupo Gen. São 4 mil títulos e 2 modelos de negócios. No primeiro, a instituição de ensino paga à Minha Biblioteca um valor mensal por aluno para que eles possam ler, quando quiserem e ao mesmo tempo, todos os títulos do acervo. No segundo, disponível a partir de abril, a universidade escolhe quais títulos e quantos exemplares deseja adquirir. Se optar por cinco exemplares de determinado e-book, por exemplo, apenas cinco alunos poderão emprestá-lo simultaneamente, tal qual acontece com o livro físico.


Quando foi criada, há 18 meses, a Minha Biblioteca já tinha concorrente: a Biblioteca Virtual Universitária, do grupo Pearson que agora conta com a parceria da Artmed, Manole, Contexto, IBPEX, Papirus, Casa do Psicólogo, Ática e Scipione. Lá, são 1.400 títulos. A Companhia das Letras, que pertence ao grupo Pearson, também está no projeto. Mas não oferece seus títulos, e sim obras em domínio público.


O impasse é que, fechando com a Minha Biblioteca ou com a Biblioteca Virtual Universitária, seus estudantes só terão acesso aos livros das editoras participantes, restringindo o uso de uma bibliografia completa e diversificada. Ideal seria que as instituições tivessem as próprias plataformas e unificassem os catálogos das editoras. Mas elas se ocupam hoje de preparar seus e-books para difundir a produção de pesquisadores e alunos. Quem quiser lê-los, basta fazer o download e já ganha o arquivo. Ou seja, uma operação um pouco diversa do empréstimo de um livro. O modelo é incipiente, mas os números da editora Unesp são animadores. Desde março de 2010, quando criou o selo digital Cultura Acadêmica, já publicou 137 títulos exclusivamente em formato digital e registrou mais de 299 mil downloads. Enquanto isso, nos Estados Unidos, Robert Darnton, diretor da Biblioteca de Harvard, e sua equipe acertam os últimos detalhes da inauguração, em abril, da gigante Biblioteca Pública Digital Americana.


De volta ao Brasil, há ainda universidades e escolas que dão tablets aos alunos - caso da Estácio de Sá. A parceria para conteúdo é da Pasta do Professor, projeto criado pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos para coibir as cópias, e que tem a adesão de várias editoras.


A questão da remuneração é apontada por editores como um dos principais entraves para que o empréstimo de e-book para o público em geral tenha seu início no Brasil. Este é um problema que ainda não foi resolvido nos Estados Unidos e Reino Unido. Quando muito usado, o livro físico é substituído por um novo, comprado da editora. A duração de um e-book é indefinida. Por isso, os preços do produto são mais altos. Um lançamento em e-book pode custar às bibliotecas de US$ 65 a US$ 85, pelo menos quatro vezes mais do que as livrarias vendem ao consumidor.


O imbróglio é acompanhado por casas brasileiras de fora do segmento CTP, e editoras - como a Companhia das Letras, Intrínseca, Leya e as que integram a Distribuidora de Livros Digitais (DLD), entre as quais Record e Objetiva - ainda não se mobilizam pela causa. "Não temos planos imediatos para oferecer serviços de empréstimo, mas sabemos que é uma questão de tempo", diz Roberto Feith, presidente da Objetiva e do conselho da DLD. Ele conta, porém, que a distribuidora já levantou modelos operacionais e financeiros de negócio desenvolvido pelas principais editoras globais. "Existem modelos bastante diferentes entre si, mas ainda não há um consenso ou modelo predominante. Vamos observar essa evolução para, eventualmente, escolher a melhor solução para nosso mercado", diz. Ao seu lado nessa investigação está a Pasta do Professor.


Editoras assistem e esperam, e livrarias se agilizam. "Não podemos falar muito agora, mas certamente está no radar da Cultura oferecer serviços desse porte com a Koko. Estamos estudando", adianta Rodrigo Castro, diretor comercial da Livraria Cultura. É um projeto "para o ano", e deve incluir o aluguel da obra toda ou de capítulos. Com essa iniciativa, a Cultura dá um passo para o futuro ao mesmo tempo em que retorna às suas origens - foi emprestando livros que Eva Herz começou o negócio da família. A Saraiva, que tem o know-how do aluguel de filmes pela internet, também estuda o caso.


Enquanto isso não se realiza, a Nuvem de Livros, criada pela Gol Mobile em 2011, segue como a única biblioteca virtual para leitores que querem acompanhar as novidades literárias. O problema é que ela se restringe a clientes da Vivo ou de alguns outros parceiros da empresa. Para ter acesso a cerca de 7 mil conteúdos - livros representam 80% do acervo -, o assinante paga em média R$ 4,99 por mês. Hoje, são 400 mil usuários, mas Roberto Bahiense, diretor de Relações Institucionais, acredita que até o fim do semestre a biblioteca terá 1 milhão de associados. Até lá, a rede de ensino de duas cidades brasileiras terá aderido ao projeto e dará senhas a seus alunos.


Quem também se beneficia de bibliotecas virtuais são as pessoas com deficiência, já que apenas 9% das bibliotecas do País têm livros acessíveis a elas. "Nossas quase mil teleaulas já estão em libras e o próximo passo é adotar o formato Daisy para livros", conta o diretor da Nuvem de Livros. ???Adotado pelo MEC, o Daisy é um modelo internacional em que o livro vem em CD com duas funcionalidades principais: a visualização em diferentes tamanhos e a narração do texto. "A popularização do e-book beneficia pessoas cegas e com baixa visão", comenta Susi Maluf, gerente-geral da Fundação Dorina Nowill.


Outro futuro


Nem só de tecnologia é feita a biblioteca do futuro. Uma grande discussão sobre seu papel e a função do bibliotecário e dos mediadores de leitura ganha espaço no Brasil, que emprestou da Colômbia o modelo de biblioteca parque, espaço comunitário de convivência em torno do livro. A pioneira no País é a de Manguinhos, aberta em 2010. Depois vieram a de Niterói e a da Rocinha, que estava agitada na sexta-feira véspera de carnaval: crianças corriam cantando pelos cinco andares do prédio, faziam fila para usar a internet, se esparramavam nos sofás para ver um filme. Enquanto isso, José Cleyton, de 15 anos, tímido, chegava para devolver os cinco livros que tinha emprestado e para escolher mais alguns. Ele é leitor novo - descobriu o mundo da literatura há seis meses, quando a biblioteca foi inaugurada e foi conferir a novidade com o irmão.


Apesar da insistência da mãe para que lesse mais e dos conselhos de um professor, que dizia que a leitura tornava as pessoas mais inteligentes, Cleyton, assim como muitos garotos de sua idade, achava chato ler. "Quando vi esse monte de livro pela primeira vez, fiquei muito impressionado. É tudo muito bonito. Se não fosse isso, ia ficar em casa e nunca ia saber que ler era tão bom", diz o garoto que vai descobrindo, a seu tempo, os títulos nas coloridas prateleiras. "Primeiro olho a capa para ver se o livro tem personalidade. Aí começo a ler o texto e o livro me personaliza", conta, encantado. Suas preferências? "Gosto de ler comédia e ação".


A falta de familiaridade de Cleyton com termos literários causaria estranheza a bibliotecários tradicionalistas, mas dá pistas de quem é - ou de quem poderia ser - a nova geração de frequentadores de biblioteca. Reflete também a filosofia do espaço que ele frequenta. "Nossas bibliotecas têm o livro como ponto de referência de conhecimento. Nelas, os usuários têm a possibilidade de ler um roteiro, participar de uma oficina de narrativas cênicas e de assistir ao filme. O desenvolvimento cultural fica mais fácil assim", explica Vera Saboya, superintendente da Leitura e do Conhecimento da Secretaria de Cultura do Estado do Rio. O modelo continua dando cria. Será inaugurada ainda este ano um outro exemplar no Morro do Alemão. E já está quase pronta a reforma da Biblioteca Pública do Estado, que reabre logo mais com essa nova filosofia. A ideia é ter ainda bibliotecas parque nas principais regiões fluminenses.


Construída onde antes era o presídio do Carandiru, a moderna Biblioteca de São Paulo completou esta semana três anos e já pensa em ampliar seus espaços para ter, por exemplo, mais salas de cursos. Lá, os visitantes podem usar os e-readers da instituição, mas a oferta de e-books é restrita à obras de domínio público. "Os e-readers não têm tanta procura como imaginávamos", conta Adriana Cybele Ferrari, coordenadora da Unidade de Bibliotecas e Leitura da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. "Muitos associam o futuro das bibliotecas com o livro eletrônico, mas o futuro é elas acontecerem de verdade como espaços de pessoas, de difusão, de reunião, de conhecimento", avalia. 



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A publicação no formato digital não é uma opção, é uma questão de sobrevivência


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Fonte: Blog Tipos Digitais
Data: 6/1/2011.
URL: http://www.tiposdigitais.com/2011/01/a-publica%C3%A7%C3%A3o-no-formato-digital-n%C3%A3o-%C3%A9-uma-op%C3%A7%C3%A3o.html

No ano passado, publiquei o post Por que eu não acredito em Papai Noel, Saci Pererê e DRM. Alguns dias depois, recebi um telefonema de alguém ligado ao mercado brasileiro de e-books. A pessoa estava bastante frustrada com meu texto, pois achava que ele serviria como desincentivo para que editores entrassem no mundo digital e publicassem seus livros em formato eletrônico. Embora não tenha concordado com a crítica como um todo, percebi que eu não havia deixado claro minha posição sobre a publicação ou não de e-books, mas apenas mostrara que o DRM é absolutamente ineficaz. O resultado é este post que escrevo agora.

Aviso aos editores: a revolução digital chegou e seu catálogo estará disponível em breve em formato digital. Quer vocês queiram ou não.

É isto mesmo. Em 2010, o faturamento de e-books correspondeu a 9% do faturamento das grandes editoras americanas. Em 2008, foi 1% e em 2009, 3%. O crescimento tem sido exponencial. Em alguns poucos anos, haverá uma grande demanda por livros no formato digital, e onde há demanda, há oferta. Se os editores não fornecerem seus livros em formato eletrônico, alguém vai. Por mais que se combata a pirataria, será impossível evitar que algum adolescente na Lapônia ou em São José do Rio Preto digitalize um livro indisponível e o torne acessível na internet.

Os editores que, para evitar a pirataria, optem em não publicar no formato digital estarão apenas incentivando a pirataria. Parece paradoxal, mas é fácil explicar. Qualquer leitor honesto que busque a versão digital de um livro em uma e-bookstore se sentirá legitimado a procurar uma cópia pirata caso não encontre a edição oficial disponível. “Eu até compraria o original, mas não encontrei”, dirão eles. É claro que não basta que o livro esteja disponível. Ele terá de ter um preço justo e o processo de compra e download tem de ser absolutamente simples. Por isso que o próprio DRM pode, além de não evitar a pirataria, incentivá-la.

Do lado do pirata, seja ele motivado por ganância financeira ou por um sentimento de Robin Hood, com certeza ele se sentirá mais inclinado a copiar e disponibilizar obras que não podem ser compradas ou que sejam vendidas a um preço inadequado do que livros facilmente encontráveis em e-bookstores. Afinal, haverá mais demanda para os “livros difíceis”. Mas, de maneira geral, pirata ou leitor honesto se sentirão moralmente justificados em copiar um livro não disponível.

“Mas se eu não digitalizar meu livro, será muito mais difícil copiá-lo”, dirão alguns editores. Verdade. Mas não será difícil o suficiente. Pesquisadores da Universidade de Tóquio já desenvolveram um protótipo de scanner que permite digitalizar 200 páginas por minuto apenas passando rapidamente as folhas de um livro. Em um futuro não muito longínquo, teremos celulares capazes de fazer isto e livreiros preocupados não apenas com ladrões de livros, mas ladrões de conteúdo em suas lojas.

Concluindo, a pirataria é de fato uma ameaça. DRM é uma solução no mínimo ingênua para o problema. O desafio está em como minimizar o efeito da pirataria e usá-la para monetizar o conteúdo. E quem não entrar no mercado de livros digitais já perdeu a priori a luta contra a pirataria e por um lugar ao sol no futuro digital da indústria editorial.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2010 - o ano dos ebooks!


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A tecnologia está a revolucionar o comportamento informacional, desde os hábitos de leitura até à interacção multi-canal da informação, proporcionando uma reengenharia do comportamento info-comunicacional. Calma... pois ainda estamos no início! :-)


A jornalista Isabel Coutinho escolhe os melhores livros do ano. No papel ou no ebook.

Realização: Joana Bourgard

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Por que eu não acredito em Papai Noel, Saci Pererê e DRM


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Autor: Carlo Carrenho.

Fonte: http://www.tiposdigitais.com/2010/11/por-que-eu-n%C3%A3o-acredito-em-papai-noel-saci-perer%C3%AA-e-drm.html

A utilização ou não de DRM (Digital Rights Management) em e-books é uma questão bastante polêmica. A maior parte dos editores defende o uso da trava anti-cópia, receosos de que a pirataria tome conta. Outros defendem o consumidor honesto e acham que ele não deve ser penalizado para evitar a ação dos pilantras virtuais. Muitas vezes, a discussão ganha ares filosóficos, com referências a conteúdo livre, open platform e até um ranço socialista.

Olhando o lado do editor, ele se encontra diante de uma escolha de Sofia com três opções:

1. Utilizar DRM, ganhando certa proteção em relação à pirataria, mas prejudicando vendas ao oferecer um produto pouco amigável e flexível.

2. Publicar e-books sem nenhuma trava, agradando e facilitando a vida do público (que ainda é um pouco avesso ao conceito do livro digital), mas correndo o risco da pirataria.

3. Aceitar um modelo proprietário e restritivo, como o da Amazon, com um DRM discreto que não prejudica o consumidor, uma vez que não envolve a complexidade da utilização em vários devices diferentes.

Como se vê, trata-se de uma escolha cruel.

Minha abordagem à questão é bastante prática. Como não existe um DRM eficaz, acho que o mesmo não deve ser utilizado. Qualquer DRM é facilmente quebrado, seja por softwares profissionais seja por adolescentes com uma mínima intimidade com um computador. Sendo esta a realidade, para que punir o consumidor honesto? Na prática, hoje, o DRM serve apenas para irritar o cliente, pois o pirata vai copiar de qualquer jeito.

Eu, por exemplo, prefiro ler no Kindle, mas os livros digitais que adquiri nas e-bookstores da Saraiva, Cultura e Sony, que utilizam o DRM da Adobe Editions, não podem ser abertos no e-reader da Amazon por dois motivos. Primeiro, porque o Kindle não lê o formato ePub destas lojas. Segundo, porque os arquivos possuem DRM. Como eu queria ler meus livros no Kindle e também porque queria testar a segurança do DRM da Adobe, me propus o desafio de converter meus ePubs para o formato mobi da Amazon.

O primeiro desafio, converter de ePub para Mobi, era muito simples. Bastou eu usar o software Calibre, gratuito, que serve para criar e-books. O software até já transfere os e+books para dentro do Kindle sem necessidade de transferir arquivos manualmente. Mas e o DRM? Era preciso retirar a trava, uma vez que o Calibre não converte arquivos DRMizados.

Menos de meia hora no Google me revelaram duas soluções. A primeira é o software ePub DRM Removal, que custa US$ 29,90, e possui uma versão para testes gratuita. É fácil demais, o software funciona perfeitamente e não exige nenhum conhecimento técnico. A segunda opção, gratuita, é mais complexa e exige um pouco de conhecimento de informática. Trata-se de um software chamado Python. Para efetuar a desDRMização, é necessário instalar dois programas e copiar alguns arquivos da Internet, mas o link acima permite que todos os arquivo sejam baixados em um pacote com instruções.

Testei os dois processos e estou lendo meus livros perfeitamente no Kindle. Até assusta. Vale lembrar que não é crime nem contravenção destravar e-books. Crime é distribuí-los ou copiá-los.

Concluindo, o DRM não faz sentido. Seu custo é alto demais e sua eficiência não resiste à meia hora de Google de um dinossauro da informática de 38 anos como eu. O mercado editorial terá de achar soluções mais criativas para sobreviver e evitar a pirataria.

sábado, 30 de outubro de 2010

Senado francês vota a lei do preço fixo para e-books


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Fonte: Publishing Perspectives. Data: 27/10/2010.

Autoria: Olivia Snaije.

A França está procurando formas de proteger suas pequenas livrarias e editoras de gigantes como a Amazon, a Apple e o Google, e na noite desta terça-feira (26), o Senado aprovou, por unanimidade, a proposta de lei que fixa os preços dos e-books. Até agora, os e-books não estavam incluídos na famosa Lei Lang, que proíbe a venda de livros com mais de 5% de desconto no preço de capa. O ministro da Cultura e da Comunicação, Fréderic Mitterrand, expressou sua satisfação com a votação, embora o Actualité, um blog sobre o mercado editorial, tenha chamado isso de “catástrofe”, citando protecionismo e também o fato de que bibliotecas não poderão oferecer e-books assim que eles forem lançados devido a um dos artigos da proposta de lei.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Restam 5 anos de vida para o livro em suporte papel...


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CNN - As e-book readers and tablets become more common, author Nicholas Negroponte says [VIDEO]  that the physical book will be gone in five years.

Está de acordo? Será que conseguimos deixar o papel no que concerne aos livros? 

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Google e Kobo mostram as garras


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Autor: Carlo Carrenho.

Fonte: PublishNew. Data: 05/10/2010.

A Feira de Frankfurt só começa amanhã, mas nesta terça-feira (5) vários profissionais do livro já se encontravam à beira do rio Main para participar do Tools of Change Frankfurt (TOC), evento organizado pela O’Reilly em parceria com a própria Feira de Frankfurt. A agenda era monotemática: o futuro digital do livro. As palestras gerais do início da manhã foram bastante conceituais e filosóficas. Mas conforme o dia se desenrolava, algumas abordagens mais práticas foram apresentadas pelos palestrantes na área de conferência do Hotel Marriott.

Google

Um destes palestrantes foi Abraham Murray, da Google. Em sua conferência “Books in the Cloud - Google’s Perspective”, ele apresentou um panorama do que a empresa californiana já desenvolveu dentro da indústria editorial, mas o enfoque não podia deixar de ser o programa Google Editions. Segundo Murray, o programa será lançado ainda este ano nos EUA, oferecendo um catálogo de 400 mil títulos à venda. Para justificar a operação Murray apresentou dados do International Digital Publishing Forum que apontam que os e-books terão uma fatia de 10% do mercado americano no fim de 2010.

O Google Editions prevê parcerias com o varejo de livros, de forma que o consumidor poderá comprar os e-books em uma livraria virtual, ainda que o controle tecnológico e os arquivos digitais em si sejam controlados pela Google. “Qualquer varejista deveria ser capaz de vender e-books que funcionem em qualquer leitor”, afirmou Murray defendendo a filosofia da Google. “Nossa plataforma é aberta e pode suportar qualquer leitor digital”, continuou, “mas os livros da Google Editions não estarão disponíveis para Kindle em seu lançamento”. Ainda que discreta, a mensagem nas entrelinhas era que a Amazon não parecia disposta a trabalhar com o Google Editions.

O Google Editions trabalhará com a plataforma da Adobe Digital Editions para a implementação do polêmico DRM (Digital Rights Control). Murray ainda aproveitou para ressaltar a segurança do projeto googliano: “No projeto Google Books nós desenvolvemos profundos conhecimento e capacidade para evitar hackers e ter um alto padrão de segurança.”

Em um primeiro momento alguns recursos não estarão disponíveis, mas estão na agenda da Google para o futuro. Entre eles estão uma plataforma de mídia social, capacidade de se fazer anotações e leitura offline em telefones e na web (no início, apenas e-readers permitirão a leitura offline ao baixarem os livros no formato ePub).

Nos EUA, a Google irá operar com modelo agência, que permite aos editores determinar o preço de venda. Em relação a outros mercados, Murray afirmou que “a Google pretende satisfazer as necessidades de cada mercado”. Quanto à divisão de receitas, Murray informou que “nos EUA, os editores ficarão com mais de 50% da margem”. A impressão por demanda não faz parte dos planos da Google para o projeto Google Editions.

Entre os brasileiros que acompanharam a palestra da Google, estava Karine Pansa, da editora Girassol, e candidata à presidência da Câmara Brasileira do Livro nas próximas eleições da associação. “O Google Editions estará disponível em vários devices; isto é positivo porque você precisa ir ao encontro do que o consumidor quer. Se o consumidor tem vários acessos, é preciso alcançá-los aonde estiverem”, afirmou a editora. A questão da segurança, no entanto, a preocupa. “Não tenho certeza se a segurança que o Google anuncia é verdadeira, mas se for é algo muito bom.”

Kobo

Outra palestra que chamou a atenção por seu caráter mais prático foi a proferida por Michael Tamblyn, vice-presidente da Kobo, uma e-bookstore canadense. Com o lema de “Toda sua vida de leitura sempre com você”, a Kobo possui aplicativos para praticamente todas as plataformas de smartphones, para iPad, para a web e até um e-reader próprio.

Depois de apresentar alguns números interessantes como “nossos clientes compram dois livros por mês em média enquanto os clientes de livrarias físicas compram metade disso” e outros curiosos “domingo é o dia da semana que mais vendemos online”, Tamblyn passou a discutir quais atributos um varejista de e-books tem que ter para sobreviver.

Para o canadense, há cinco qualidades fundamentais para o sucesso de uma loja de livros digitais:

1) Mentoria: “É preciso guiar o leitor neste novo mundo digital. Dar toda a assessoria necessária neste momento de transição.”

2) Internacionalização: “Para sobreviver, o varejista de e-books terá de atuar globalmente.”

3) Capacidade de custódia: “O varejista tem de ser o guardião da biblioteca dos leitores. Terá de oferecer um serviço de custódia.”

4) Curadoria: “As livrarias de e-books terão de oferecer ao seu cliente uma curadoria sobre o conteúdo.

5) Conectividade: “É fundamental que a loja de e-books permita que os usuários se conectem.

No aspecto internacional, Tanblyn observou que 5% das vendas da Kobo já são para países de língua não-inglesa e que em um dia típico vendem para mais de 150 países. Outras estatísticas da Kobo mostram que 90% dos leitores possuem apenas um device, mas que a parcela dos 10% restantes está crescendo. Outro número interessante é que metade dos compradores de e-books da Kobo lê em celulares ou tablets.

De forma geral, chama a atenção o tamanho do catálogo digital de empresas como a Kobo, com quase 2 milhões de títulos, e a Google, que já começa com 400 mil livros. Enquanto isso, nenhuma loja de e-books nacional tem mais de 2 mil livros digitais em português. Isto também chamou a atenção de Karine Pansa. “Sinto-me empurrada para fazer algo o mais rápido possível. Empresas como Google e Kobo vão chegar e não podemos ficar parados. Essa é a conclusão que chego aqui no TOC Frankfurt.”

Karine também observou a velocidade das mudanças. “Está tudo muito rápido. Ano passado, por exemplo, nessa mesma data, a gente não tinha o iPad. Hoje todo mundo já está com um aqui em Frankfurt.” Sobre o Brasil, Karine acredita que possamos nos tornar competitivos rapidamente. “Talvez no ano que vem, quando estivermos aqui novamente, já sejamos competitivos. Isso se aceitarmos esse empurrão e fizermos a nossa parte. Já estou vendo as editoras no Brasil se movimentando. Essa quantidade de brasileiros aqui demonstra esse interesse e preocupação com o mercado.”

sábado, 28 de agosto de 2010

Livro digital é desconhecido por 67% dos brasileiros


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Fonte: Agência Estado. Data: 18/08/2010 .
O e-book - aparelho para leitura de livros em formato digital - ainda é desconhecido por 67% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada hoje pela GfK, empresa de pesquisa de mercado. O levantamento, realizado em maio com 1 mil pessoas maiores de 18 anos em 12 regiões metropolitanas, mostrou que o e-book é menos conhecido por pessoas das classes C e D (76%), habitantes da Região Nordeste (74%), mulheres (72%) e indivíduos com idades entre 45 e 55 anos (72%). Entre a parcela que conhece ou já ouviu falar dos livros digitais, 36% são jovens entre 18 e 24 anos, e 41% são entrevistados das regiões Norte e Centro-Oeste. A maior parte dos participantes da pesquisa, 71%, não acredita que sua chegada ao mercado seja uma ameaça ao livro tradicional.
"Ainda não está claro para as pessoas o que é o e-book, principalmente para aquelas que não têm acesso aos meios de comunicação como revistas e jornais", disse David Rodrigues, diretor de Desenvolvimento de Negócios da GfK. "Essa pesquisa indica que, do ponto de vista do marketing, as campanhas precisam atuar no primeiro passo: tornar conhecidos os leitores eletrônicos", avaliou. Segundo Rodrigues, porém, a pesquisa da GfK não foi encomendada por nenhum cliente específico. "Ela é destinada ao mercado e a quem trabalha com inovação", disse.
No Brasil, os leitores de livros digitais disponíveis no mercado são o Kindle, o iRiver, o Cool-er e o Alfa, vendidos por preços a partir de R$ 800. O iPad, da Apple, tem previsão de chegar até o final do ano. Segundo estimativa da Distribuidora de Livros Digitais (DLD), grupo que reúne sete editoras brasileiras, cerca de 6,3 milhões de livros devem estar disponíveis em formato digital no Brasil nos próximos anos.
Intenção de compra
Entre as pessoas que afirmam conhecer o livro digital, 56% pretendem adquirir o aparelho se o preço for acessível. Segundo o levantamento, a intenção de compra do livro eletrônico é praticamente igual entre homens e mulheres, com 56% e 55% respectivamente, e é grande também para os entrevistados entre 25 e 34 anos, 67%.
A Região Nordeste é a mais receptiva à compra do e-book (70%), diferente da Região Sul, que aparece na pesquisa como a menos propensa à aquisição da ferramenta de leitura eletrônica (61%). Já a análise socioeconômica mostra que as classes C e D têm intenção de compra superior a das classes A e B, com 58% contra 54%. "Nessas classes, há carência de informação. As pessoas estão buscando conhecimento e educação. Elas estão ansiosas para entrar nas universidades, no mercado e romper a barreira tradicional", afirma Rodrigues.

sábado, 14 de agosto de 2010

Livro eletrônico ganha espaço na bienal


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Autora: Priscila Jordão.
Fonte: Info Online. Data: 12/08/2010.

A Bienal do Livro, que acontece a cada dois anos em São Paulo, nunca foi tão tecnológica. Neste ano, além de livros de papel, marcam presença no evento os livros digitais, também conhecidos como e-readers. E eles estão chamando a atenção dos visitantes.

Não à toa. O e-reader tem sido bastante destacado pelos corredores da Bienal. No estande especial da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, o público pode conferir e ler obras em cerca de 50 aparelhos, entre Kindles, iPads, Readers da Sony e o aparelho nacional da livraria Gato Sabido, que estão em exibição. O estande é equipado com Wi-Fi e permite o download de livros gratuitos.

Com a iniciativa, o órgão público quer divulgar o e-reader como plataforma de leitura para o consumidor. Além disso, apresentar aos leitores os seus livros que já estão no formato digital (cerca de 180 e todos gratuitos).

Grandes livrarias, como a Saraiva, também aproveitam a ocasião para divulgar seus livros digitais. No endereço www.livrariasaraiva.com.br/livros-digitais, a livraria disponibiliza, por preços menores que os dos livros impressos, títulos como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, e Caim, de José Saramago.

"Mas para comprar, o usuário baixa um aplicativo no site da Saraiva e, por ele, acessa o servidor da livraria e efetua o download", diz André Ferraz, analista de produtos digitais da Saraiva.Os livros são baixados para o computador, mas estão em formato protegido, de modo que só podem ser lidos no aplicativo da Saraiva. Porém, podem ser compartilhados com até seis plataformas, como smartphones e leitores eletrônicos.

A plataforma da Saraiva, explica Ferraz, terá divulgação em massa somente quando houver também um aplicativo para iPad, o que deve acontecer em breve. "Nossa aposta é em plataformas móveis. Por isso, estamos aguardando a finalização do aplicativo para fazer um anúncio grande ao mercado", afirma Ferraz.

Outros expositores do evento, como o Submarino, também montaram estandes dedicados especialmente ao universo digital. Na Bienal, a empresa fez o anúncio de uma parceria com a Gato Sabido, cujo site ficará hospedado dentro do Submarino.


"O Submarino não vendia e-readers e precisava entrar nesse ramo. Por isso firmou a parceria conosco", afirma Luciana Legey, sócia da Gato Sabido. A livraria trouxe cerca de 48 e-readers para o evento, que estão sendo expostos em vários estandes de editoras, inclusive de livros infantis.

Já as editoras menores, apesar de não terem suas próprias lojas de livros digitais, aproveitam para lançar seus títulos já em versões eletrônicas. A Giz Editorial, por exemplo, vende o livro digital Causos de uma vida empreendedora por 5 reais a menos que o impresso na livraria do leitor eletrônico Gato Sabido.

Portugal: Novos leitores eletrônicos Kindle esgotados


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Fonte: Diário Digital/Lusa. Data: 03/08/2010.

Os novos aparelhos de leitura de livros eletrónicos Kindle, lançados na semana passada, esgotaram-se hoje, tendo a Amazon, que os distribui, explicado que “devido à forte procura” será necessário esperar cerca de um mês para adquirir um.

“As encomendas feitas hoje deverão ser expedidas a 04 de setembro ou antes”, pode ler-se na página da internet Amazon.com.

O aviso é válido para as duas versões do Kindle clássico – o modelo mais barato, ligado às redes de internet sem fios wifi, por 139 dólares (105 euros), e a versão ligada às redes telefónicas 3G e wi-fi, por 189 dólares (143 euros) – e para ambas as cores do aparelho (branco ou cinzento).

A última vez que o Kindle esteve em rutura de stock foi na semana passada, imediatamente antes da apresentação das novas versões do leitor eletrónico, mais sofisticadas do que a geração anterior.

A versão maior do Kindle, a DX, da qual foi lançada uma atualização no início deste mês, está ainda disponível por 379 dólares (286 euros).

A Amazon nunca divulgou números das vendas do Kindle, tendo-se limitado a classificá-lo como o objeto mais vendido no seu site desde há dois anos.

O gigante da distribuição na internet indicou antes do lançamento das novas versões que o crescimento das vendas do aparelho triplicou desde que o preço foi reduzido, de 259 para 189 dólares (de 195 para 143 euros), em junho.

O Kindle, cuja primeira geração surgiu em 2007, enfrenta uma concorrência crescente, nomeadamente dos leitores de livros eletrónicos da japonesa Sony e da editora Barnes & Noble, bem como do leitor multimédia da Apple, o iPad, que combina as funções de um aparelho de leitura e de um mini-computador.

A Apple também tem tido dificuldades em responder à procura do iPad, cujos prazos de entrega são de cerca de duas semanas.

EUA: Editora decide publicar só livro digital


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Autor: Jeffrey A. Trachtenberg.
Fonte: The Wall Street Journal. Data: 10/08/2010.

Num momento em que os livros digitais continuam a ganhar mercado, uma das mais antigas editoras americanas de livros de bolso decidiu abandonar a publicação impressa tradicional e colocar à venda seus títulos somente no formato digital ou via impressão sob encomenda.

A Dorchester Publishing, uma editora de livros e revistas de capital fechado, informou que está fazendo a mudança depois que as vendas unitárias de livros caíram 25% no ano passado, em parte devido ao declínio das encomendas de algumas de suas contas de varejo mais importantes, entre as quais Walmart Stores . Uma porta-voz do Walmart não quis comentar.

"Não foi uma decisão demorada, porque vínhamos realizando o esforço, mas sem obter os resultados", disse o diretor-presidente da Dorchester, John Prebich.

Os livros eletrônicos estão ganhando popularidade entre os leitores. Mike Shatzkin, diretor-presidente da Idea Logical Co., uma consultoria editorial, prevê que os livros digitais serão 20% a 25% das vendas unitárias até o fim de 2012. A Amazon.com estima que suas vendas de e-livros para o Kindle possam superar as vendas dos livros impressos no formato brochura tradicional em 9 a 12 meses.

A decisão de partir para o digital pode ser um sinal do que está por vir para outras editoras pequenas que enfrentam queda nas vendas na área impressa tradicional. A decisão da Dorchester vai provavelmente resultar em economias significativas num momento em que a empresa espera que suas vendas digitais dobrem em 2011.

A Dorchester, que publica livros de bolso desde 1971, lança de 25 a 30 novos títulos por mês, aproximadamente 65% dos quais são obras românticas.Os fãs de obras românticas em particular já abraçaram os e-books, em parte porque os leitores podem ler as obras em público sem ter de revelar a capa. Além disso, o tamanho da letra é facilmente ajustável nos e-readers, o que torna os títulos publicados no formato de bolso mais fáceis de ler para clientes mais velhos.

Prebich estimou que 83% dos livros publicados pela Dorchester são vendidos nos Estados Unidos a um preço de tabela de US$ 7,99. Um livro brochura no formato convencional geralmente tem o preço em torno de US$ 14,95.

A troca da Dorchester pelo e-book entra em vigor hoje. A editora planeja colocar à venda novos títulos no sistema de impressão sob encomenda por meio de varejistas ainda este ano. A Ingram Publisher Services, uma divisão da empresa de capital fechado Ingram Industries, informou que vai enviar as encomendas aos varejistas conforme necessário. A notícia da decisão da Dorchester foi revelada primeiro pela "Publishers Weekly", uma publicação do setor editorial.

Prebich admitiu que alguns autores podem ficar tristes por ver seus títulos somente para venda como e-book ou via impressão sob encomenda, mas disse que até agora a resposta tem "sido receptiva ao que estamos fazendo."

A Hard Case Crime, um selo da empresa de capital fechado Winterfall LLC, disse que poderá buscar uma maneira de transferir seus livros de mistério da Dorchester para outra editora.

"Tem sido uma boa parceria, mas se eles não vão mais publicar livros de bolso, teremos que decidir o que fazer", disse Charles Ardai, dono da Hard Case Crime. "Acredito no formato de bolso, mas compreendo o mercado."

A Randon House, subsidiária da alemã Bertelsmann e a maior editora americana de livros, disse que continua a apostar no mercado de livros de bolso. Um dos escritores americanos de mistério de maior sucesso, o falecido John D. MacDonald, é vendido pela Random House só no formato de bolso.

"Ainda é uma alternativa viável, popular e mais barata do que os outros formatos de leitura", disse Stuart Applebaum, porta-voz da Random House. "E também tem um público fiel. Será que essa fidelidade será para sempre num mercado em transformação?"

sábado, 24 de julho de 2010

Quem (não) tem medo do Google?


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Fonte: Revista Panorama, n. 50.
Data: 20/07/2010.
Gigante insaciável, o Google cresceu em ritmo alucinante nestes 11 anos de web. Nasceu como site de busca, e em dois anos atingiu 1 bilhão de páginas indexadas. Globalizou-se no ano seguinte, para depois implantar sua ferramenta de compras (Frogle). Em 2003, incorporou o Pyra Labs, inventor do serviço Blogger. Em 2004, introduziu o GMail. No ano seguinte, inventou o GoogleMaps. Pagou US$ 1,65 bilhão pelo YouTube, em 2006. Criou a fotografia ao nível da rua com o StreetView, em 2007. Ano passado, saiu com o primeiro aplicativo para iPhone e lançou o Knol, sua versão de Wikipedia.
O Google vive na berlinda, é certo, mas a maior de todas elas está mexendo com sua imagem. Não se fala em outro assunto no meio. Na recente Feira de Frankfurt, o Google dominou as conversas, mais até do que o leitor eletrônico Kindle, da Amazon, ao anunciar que irá vender livros, sim, a partir do ano que vem.
Uma mudança e tanto, para a empresa que, há cinco anos, iniciou a aventura de digitalizar todos os livros do mundo, para, segundo sustentou à época, democratizar o acesso ao conhecimento. A retórica dobrou universidades respeitáveis como Harvard, Michigan e Stanford, e bibliotecas de prestígio como a do Congresso, em Washington, e a Public Library, de Nova York. Seus respectivos acervos digitais estão no Google Books.
Contudo, desde o começo, o Google também recebeu contestações de todas as partes do mundo. Duas entidades locais, a Authors Guild e a Association of American Publishers, deram a partida. Autores e editoras não admitiam o que entendiam ser uma apropriação de direitos pelo Google e foram à Corte Federal de Nova York.
Ano passado, as partes se entenderam. O Google ofereceu US$ 125 milhões, a título de “eventuais ofensas de direitos (autorais, sobretudo), instalou um fundo que chamou de ‘Book Rights Registry’, pelo qual os autores teriam participação em publicidade on line. Acordo aceito e firmado em outubro, mas o processo, iniciado em 2005, seguiu tramitando.
Meses depois, novos protagonistas entraram em cena, transformando a briga, que era de cachorro grande, em confronto de titãs. Uniram-se Microsoft, Yahoo e Amazon (dona do leitor eletrônico Kindle), para acusar o adversário de violar leis de defesa da concorrência. Criaram a Open Book Alliance, para demonstrar absoluta rejeição às ações do Google. A base do arrazoado é esta: novas tecnologias, que chegam prometendo benefícios incontáveis, ofuscam o distanciamento da Justiça que, desse modo, não conseguiria acomodar os muitos interesses públicos em jogo. E pleiteou a proibição pura e simples.
Em março passado, um importante órgão do Governo, a Federal Trade Commission (FTC), advertiu o Google, por carta, sobre garantias à privacidade do Google Books, ‘limitando os usos secundários de dados colhidos, incluindo usos que poderiam ser contrários a expectativas razoáveis dos consumidores’. O presidente da FTC, Jon Leibowitz, garantiu que seguirá pressionando de todas as formas. “A iniciativa desperta sérios desafios quanto à privacidade, em razão do vasto volume de informações que seriam recolhidas”, explicou.
Em setembro, foi a vez do Departamento de Justiça, com status de ministério, dar seu palpite, pela revisão do acordo. Motivos: ameaça à livre concorrência e possibilidade de controlar preços.
Duas associações da mesma categoria – Associação de Bibliotecas da América e Associação de Bibliotecas de Pesquisa – reivindicaram a intervenção dos órgãos federais que investigam práticas de truste. Enxergam inclusive ameaça de monopólio. “O Google, que já digitalizou milhões de obras, terá capacidade ilimitada para definir preços. Se o serviço se tornar uma necessidade para as bibliotecas, estas enfrentarão o monopólio indesejável”, disseram as entidades em comunicado.
Outro petardo foi disparado do outro lado do mar. Exatamente da Comunidade Europeia, que passou a investigar, a pedido do governo da Alemanha, o impacto do Google Book Search. O pleito germânico sustenta ser “irreconciliável com os princípios da legislação europeia sobre copyright”. Debruça-se, longamente, sobre os prejuízos que a digitalização, feita por um grupo, teria sobre a diversidade cultural da União Europeia e na concentração da propriedade intelectual dos meios de comunicação.
A essa altura, o governo francês lançou o projeto de uma ‘Europeana’, espécie de biblioteca virtual do Velho Continente.
A direção do Google ensaiou um gesto diplomático. Reuniu-se com representantes da Comunidade Europeia e comprometeu-se a retirar, do estoque, todos os títulos que ainda estejam expostos. Mais: que seus advogados irão negociar diretamente com os editores locais e autores formas de acordo para que os 3 milhões de títulos – foi a estimativa preliminar – voltem à vitrine virtual.
A Justiça francesa, em setembro, abriu processo contra a Google France (e, por extensão, a Google Inc.), no tribunal de grande instância de Paris. A queixa-crime, por ‘falsificação’, foi apresentada pelo grupo editorial La Martinière. “Não é mais possível suportar a arrogância que faz com que se apropriem de seus livros e os digitalizem sem que você seja consultado”, afirmou Hervé de La Martinière, presidente da empresa, na audiência de abertura.
Outras editoras francesas se dispõem a negociar com o Google, segundo informaram, “desde que sejam asseguradas bases jurídicas sólidas”, um futuro acordo. O ponto central, como sempre, é o direito autoral.
Se, de fato, o Google Book Search retirou os 3 milhões questionados pelos europeus, nem por isso deixa de contar com um acervo fabuloso. Calcula-se que o total até agora digitalizado oscile entre 7 e 10 milhões de obras. Quando iniciou o processo, e as universidades abriram suas bibliotecas, o ritmo foi moroso, não passou de 10 mil volumes copiados. Daí para a frente, no entanto, o ritmo evoluiu de maneira vertiginosa. Da mesma forma, seu Departamento Jurídico trabalha em plantão permanente, inclusive sábados e domingos, diante da iminência de novas querelas. Pelos cálculos feitos pelos especialistas, o Google tem um tesouro fatiado em três terços.
O primeiro inclui obras que caíram em domínio público, sendo de livre utilização. O segundo pertence a autores conhecidos e que têm editores que representam seus interesses. O terceiro, e esse seria o complicador, envolve autores e/ou editores que não foram localizados, mas cujos direitos autorais continuam em vigor.
Pelo acordo celebrado em 2008 com a Authors Guild e a Association of American Publishers, ficou definido que, se o autor não foi encontrado nem se apresentou no prazo estipulado, o qual se esgotou em setembro, o Google nada deve a ele.
O argumento do fato consumado satisfez os envolvidos, mas esse é o ponto nevrálgico dos processos, especialmente o da Corte Federal de Nova York, no qual o Governo dos Estados Unidos tem todo interesse e empenho.
No meio do tiroteio, o juiz Denny Chin preferiu a cautela. Na semana da audiência decisiva, em inícios de outubro, emitiu comunicado em que adiava os trâmites. Aparentemente, o magistrado ficou convencido de que, com o próprio Governo dos Estados Unidos tomando posição veemente contra o Google, o processo assumiu proporções inimagináveis.
“Sob as circunstâncias, escreveu na nota de adiamento, não faz sentido haver uma audiência para determinar se o atual acordo é justo ou razoável, uma vez que parece que o acordo não será o que vai entrar em vigor”.
O Google, na defensiva, alega que toda a sociedade sairá ganhando.
“O acordo (com escritores e editores) pode abrir o acesso a milhões de livros nos Estados Unidos, ao mesmo tempo dando a autores e editores uma nova forma de distribuir seu trabalho”.
Será preciso, antes, combinar com o Departamento de Justiça. Obter sua aprovação para que o Google Editions abra o balcão. Tom Turvey, diretor da área, explica que a empresa oferecerá o produto para venda, mas esta será realizada por parceiros do varejo. Quando anunciou o projeto em Frankfurt, Turvey garantiu que os preços dos livros serão fixados pelas editoras, que receberão 2/3 das vendas. Em uma primeira etapa, em 2010, serão oferecidos 400 mil títulos, segundo Turvey, todos com copyrights firmados.
A Amazon, maior vendedora on line de livros, não entrou nessa guerra por nada.
O Brasil parece distante desse conflito. Bem, nem tanto assim. São mais de 100 editoras que fecharam acordo com o Google Book, a começar pela Editora Senac São Paulo, que topou a digitalização há mais de três anos (veja entrevista com Marcus Vinicius Barili Alves). A Ediouro, das grandes, foi igualmente pioneira, seguida por Cia. das Letras, Zahar. E as adesões continuam sinal de que nossas editoras encararam o desafio.
“A gente vai ter de aprender a conviver com todo esse movimento”, afirma Susanna Florissi, diretora da SBS, especializada em livros de idiomas e, mais recentemente, no segmento CTP (livros científicos, técnicos e profissionais). “Acho que muito do conhecimento vai passar a ser livre. Precisamos conseguir administrar tudo isso, ganhar alguma coisa com isso. Esse é o desafio. Mas não tem como fugir dele, do conhecimento compartilhado”.
A executiva toca em um outro problema complexo, o da pirataria. Além dessa, a fotocópia de xerox, disseminada nas universidades.
“Tenho perguntado a muitos alunos, ‘quantos livros você usou na faculdade’? Eles respondem: ‘Nenhum’. O costume é xerocopiar um capítulo do livro tal, e assim por diante, tudo tirado da internet e pagando apenas o copiador da máquina.”
Quem defende o Google Book usa também os sites piratas espalhados pela web, esses, sim, praticamente incontroláveis. Scribd, RapidShare, MediaFire são alguns desses, oferecendo inclusive e-books. E, no sentido oposto, a tarefa dos piratas ficou facilitada porque podem copiar arquivos digitais diretamente.
O Google Book pode ser a melhor saída?

Em alta, mercado de e-books ganha mais 2 modelos no Brasil


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Autor: Gustavo Petró.
Fonte: Portal G1. Data: 21/07/2010.
Em vez de geladeiras modernas, fogões tecnológicos e liquidificadores, o grande destaque da feira Eletrolar Show 2010, que acontece até sexta-feira (23) na cidade de São Paulo, são leitores digitais. No evento, dois aparelhos com focos distintos que chegarão ao mercado brasileiro no segundo semestre foram apresentados ao público, o Alfa, da Positivo Informática, e o E-Reader, da Pandigital.
O mercado de livros digitais está em alta. A americana Amazon, líder do setor, anunciou nesta semana que há três meses a venda de e-books tem superado a de livros comuns em capa dura. No total, ainda se vende mais livro no formato impresso que em arquivos digitais, mas a criadora do Kindle acredita que isso deve mudar em breve.
De olho nesse quinhão, a Positivo traz ao Brasil o Alfa, com características bastante similares às do Kindle. O aparelho tem tela com a tecnologia do chamado papel eletrônico (e-ink), que imita a impressão do livro tradicional. Essa tela não emite luz, e tende a ser mais confortável para ler do que um monitor de computador.
Como diferencial, o e-reader brasileiro apresenta tecnologia touchscreen, que facilita muito a navegação entre as páginas e o acesso das publicações, e uma entrada para cartões SD, que pode ampliar o espaço de armazenamento do Alfa de 1 GB (espaço interno, que permite guardar até 1.500 livros) para até 32 GB. Ele tem 240 gramas de peso e 8,9 mm de espessura.
A Positivo afirma que o Alfa, que chega às lojas em agosto e que ainda não tem preço oficial, possui uma bateria que dura 20 dias ou 10 mil páginas lidas. O aparelho ainda lê os formatos ePub, iPDF com DRM-Adobe, PDF HTML eTXT.
Por não apresentar um teclado como o seu concorrente estrangeiro, o Alfa consegue ser pequeno e leve, o que o torna um leitor digital confortável para longas leituras. A sensação é de a tela, de 6 polegadas, apresenta contraste maior que a do que o Kindle, pelo menos na comparação com o modelo Kindle 2, permitindo uma melhor leitura. Alguns botões localizados na parte inferior da tela auxiliam a navegação entre os menus, permitindo mudar de página ou retornar à tela principal.
Embora a Positivo ainda não tenha divulgado parcerias de conteúdo com o Alfa com editoras brasileiras ou estrangeiras, o e-reader já vem com o Dicionário Aurélio integrado. Ao ler qualquer publicação, o usuário pode tocar em uma palavra e procurar o seu significado facilmente.
A falta de conexão Wi-Fi ou 3G, via rede celular, contudo, pode ser um ponto negativo para o público que está acostumado a não usar fios para baixar livros. Para comprar os arquivos, é necessário usar um computador, para só aí transferir o livro para o aparelho.
Android
O E-Reader Pandigital, conhecido nos Estados Unidos como Pandigital Novel, deve chegar ao Brasil em outubro pela Tecnoworld. O aparelho vai no caminho oposto do Alfa, da Positivo: em vez de e-ink, uma tela tradicional de cristal líquido, colorida. O sistema operacional Android, do Google, permite que o Pandigital seja utilizado não apenas para ler livros, mas também para rodar aplicativos e acessar a internet.
Ele já vem com acesso à livraria virtual da Barnes & Noble, dando ao usuário acesso a todas as publicações disponíveis. O preço sugerido pela empresa é de R$ 850.
Disponível na cor branca, o tablet possui tela sensível ao toque, de 7 polegadas. Ele tem conexões Wi-Fi e 3G, acesso a e-mail, calendário, jogos, reprodutor de músicas, fotos e vídeos e dicionário embutido. Além disso, ele navega na internet e tem acesso às redes sociais.
Leve e menor que o iPad, seu concorrente direto, o E-Reader ainda possui 1 GB de armazenamento interno, podendo se expandido para até 32 GB por meio da entrada de cartões SD. Haverá dicionário em português, embora na demonstração apenas a versão em inglês estivesse disponível.
Para a leitura de livros, um diferencial é poder inverter as cores da página, deixando o fundo preto e as letras brancas. É um recurso que traz conforto ao ler em ambientes iluminados, um dos pontos fracos das telas de LCD.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fim do livro? Umberto Eco e Jean-Claude Carrière garantem que não


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Autora: Carina Lessa.
Fonte: Jornal do Brasil. Data: 29/06/2010.
Não contem com o fim do livro trata de uma conversa entre Umberto Eco e Jean-Claude Carrière, intermediada pelo jornalista Jean-Philippe de Tonnac. O que parece ser, a princípio, uma discussão em torno do fatídico tema sobre o futuro do livro impresso, com a chegada do suporte eletrônico e-book, revela-se um saboroso diálogo sobre a história do livro desde o papiro.
Se para muitos o ebook é festejado e para outros o futuro do livro é cada vez mais motivo de insônia, para Eco e Carrière, ambos os pontos são neutralizados já no segundo dos 15 capítulos. Se carregar livros em um pequeno aparelho portátil e eletrônico protege-os do pesadelo de O nome da rosa – volumes consumidos pelo fogo – também devemos aceitar que não há “nada mais efêmero do que os suportes duráveis”, como afirma Carrière. Ou ainda, segundo Eco, “em todo caso, se a memória visual e sonora do século 20 se apaga durante um blecaute, ou de outra maneira qualquer, sempre nos restará o livro”.
Excesso de consumo
A efemeridade dos suportes duráveis explica-se pelo fato de a cada instante surgirem novos suportes ou aparelhos a exigir um novo tipo de conhecimento para bem utilizá-lo. A ansiedade de produção, indiscutivelmente, vem atender ao excesso de consumo da sociedade contemporânea. Do disquete ao i-Pod, mal temos tempo de assimilar as técnicas de um, surge outro produto que deve ser apreendido com agilidade, antes de a tecnologia dar um novo passo.
Mesmo na moda, para os agora chamados fashionistas, é necessário criar um modelito de dois em dois meses. Em função disso, os autores questionam os limites entre passado e futuro. O presente já não existe. “Estamos sempre buscando nos preparar para o futuro”, diz Eco. Que também reclama do fato de a maioria das teses tratarem de questões contemporâneas: “Recebo uma profusão de teses dedicadas à minha obra. É uma loucura! Mas como fazer uma tese sobre um sujeito que ainda está vivo?”
A sabedoria e elegância das palavras dos bibliófilos sugerem ainda, mais do que um simples problema de suporte para a escrita, uma inquietação diante da atual condição do presente que não se sustenta com a ansiedade pós-moderna de dar conta do futuro. O que na literatura parece, inevitavelmente, mais grave do que construir estudos sobre autores vivos é a publicação constante de trabalhos que tendem a imortalizar escritores que mal lançaram o primeiro romance ou livro de contos. Se não há “nada mais efêmero do que os suportes duráveis”, grande parte dos romances contemporâneos é de autores tão efêmeros quanto a tecnologia que deve atender às necessidades de consumo. Surgem e desaparecem para dar luz a uma nova celebridade.
Erros humanos
De certa forma, a tentativa de dar conta do futuro da literatura – quem ficará? – corre o sério risco de fazer parte das histórias e/ou anedotas mencionadas por Eco e Carrière ao lembrarem da relação carinhosa que cultivam com o elogio da burrice. Claro, com a ressalva bem humorada de Eco, que dedicou uma parte de sua coleção a livros raros sobre os erros humanos, pois respeita o fato de terem sido produzidos na tentativa de se estabelecer uma verdade.
De acordo com Carrière, “Flaubert disse que a burrice é querer concluir. O imbecil pode chegar por si mesmo a soluções peremptórias, definitivas”. Conhecemos, na maior parte da produção de conhecimento, a história da inteligência, mas não devemos negligenciar o que a burrice tem a nos oferecer. Um aspecto curioso de Não contem com o fim do livro é a recorrência da palavra história. Se no universo contemporâneo a palavra de ordem parece ser o futuro e a inovação, aqui a linha mestra perpassa um passado (mesmo do erro) que de maneira nenhuma deve ser negado. A história prevalece e ao presente cabe respeitá-la. “Às vezes é útil relativizar nossas pretensas proezas técnicas”, declara Jean-Claude ao lembrar que os livros de Victor Hugo chegavam mais rapidamente a outros países do que os best- -sellers nos dias de hoje.
O amor aos incunábulos parece ser a fenda possível e insuperável. Colecionadores de obras antigas e raras, os autores elevam o livro a um status que não pode ser alcançado. Se cabe aos leitores avaliar os limites da inovação, este diálogo amoroso – entre dois bibliófilos, grandes nomes da intelectualidade – oferece de graça e sutilmente argumentos perfeitos que percorrem 5 mil anos de história.
Referência:
Eco, Umberto; Carrière, Jean-Claude. Não contem com o fim do livro. Rio de Janeiro: Editora Record. 272 páginas. R$ 39,90

Nos EUA, bibliotecas se rendem à internet


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Autor: Geoffrey A. Fowler.
Fonte original: The Wall Street Journal.
Fonte em português: Valor Econômico. Data: 29/06/2010.

Mais leitores nos Estados Unidos podem em breve se ver livres da multa por atraso na devolução. Bibliotecas do país estão expandindo a oferta de livros eletrônicos com edições fora de catálogo que expiram na data de vencimento. Isso é parte de um esforço maior das bibliotecas para se adaptar à era da internet.
A partir de hoje, um grupo de bibliotecas encabeçado pelo Internet Archive, uma organização sem fins lucrativos, vai se unir para permitir que as pessoas tomem emprestadas pela internet cópias digitalizadas de seu acervo impresso.
As bibliotecas participantes, entre elas a Biblioteca Pública de Boston, o Internet Archive e o Laboratório de Biologia Marinha, vão oferecer 1 milhão de livros em domínio público e também algumas centenas de obras que ainda têm direito autoral, mas estão esgotadas e não podem ser obtidas comercialmente.
Para ler os livros digitais, as pessoas podem baixá-los gratuitamente no computador ou nos aparelhos para e-books. O software usado torna o livro impossível de ler após expirar o prazo de empréstimo.
Dois terços das bibliotecas americanas ofereceram empréstimos de e-books em 2009, segundo uma pesquisa da Associação Americana de Bibliotecas. Mas a grande maioria dos títulos eram contemporâneos, como o mais novo livro do escritor de terror Stephen King, por exemplo.
O projeto do Internet Archive, chamado Openlibrary.org, envolve milhares de livros que ocupam a maioria das prateleiras de bibliotecas públicas - na maioria, obras publicadas nos últimos 90 anos. Mas o projeto também pode suscitar críticas porque a lei de direito autoral ainda não é clara em relação aos livros digitais. O Google , que tem sua própria iniciativa de digitalização de livros, está paralisado num atoleiro judicial com escritores e editores por causa do projeto.
"Sabemos que nossos usuários hoje iniciam suas pesquisas por informação on-line", disse Thomas Blake, gerente de projetos digitais da Biblioteca Pública de Boston, que está cedendo ao projeto alguns livros de genealogia de seu acervo que ainda têm direito autoral. "Em vez de ficarmos sentados esperando que as pessoas voltem a frequentar a biblioteca, queremos ir até nossos leitores onde eles estiverem."
Muitas bibliotecas criaram acervos digitais comprando cópias de e-books de empresas como a Overdrive . O site Openlibrary.org passará a catalogar 70 mil títulos do total de livros oferecidos pela Overdrive, juntamente com os links para obtê-los em bibliotecas locais.
Mas a iniciativa de digitalização do Internet Archive tem como objetivo expandir as bibliotecas digitais muito além do tipo de e-books contemporâneos oferecidos pela Overdrive. Sediada em San Francisco, a biblioteca sem fins lucrativos começou a escanear livros mais antigos em seus 20 centros de digitalização espalhados pelo mundo. Até agora, essas cópias serviam para expandir o acesso a obras em domínio público, ou criar meios digitais para que deficientes visuais pudessem ler livros com direito autoral.
"Estamos tentando criar uma biblioteca integrada digital com tudo que estiver disponível em qualquer lugar, onde você pode ir e encontrar não apenas informações sobre livros, mas encontrar os próprios livros e pegar um emprestado", disse Brewster Kahle, fundador e bibliotecário digital do Internet Archive.
Com seu mais novo projeto, a ONG está testando a ideia de também oferecer às massas livros digitais com direito autoral. Só uma pessoa de cada vez poderá tomar emprestada, durante duas semanas, a cópia digital de um livro com direito autoral. Enquanto a edição digital estiver circulando, não será permitido levar para casa a cópia física do livro devido a restrições de direito autoral. O acervo disponível inicialmente inclui manuais e livros técnicos, compêndios sobre a vida marinha e textos em espanhol da Universidade Francisco Marroquin, da Guatemala.

O projeto pode enfrentar processos de escritores e editores. Paul Aiken, diretor executivo da associação de escritores Authors Guild - que abriu um processo contra o projeto de digitalização de livros do Google - não estava disponível para comentar o projeto do Internet Archive.

"Estamos apenas tentando fazer o que as bibliotecas sempre fizeram", disse Kahle, do Internet Archive. Ele disse que há planos de expandir o projeto e gostaria de encontrar outras bibliotecas interessadas em participar. Ele disse que o esforço de oferecer livros com direito autoral será restrito apenas a obras que não estão mais à venda.

Ter que pedir permissão do detentor do direito autoral para escanear um livro é oneroso, disse Blake. "Se você tem uma cópia física de algo, deveria poder emprestá-la. Não achamos que vamos prejudicar o valor de mercado desses itens."

Stewart Brand, autor do livro "The Media Lab", de 1988, uma das obras escaneadas que ficarão disponíveis para empréstimos - disse não se incomodar que seu livro fique disponível desse jeito. Kahle pediu sua permissão, disse Brand, e ele a deu porque acha que digitalizar livros tem o potencial de melhorar o conhecimento da humanidade.

"Sei que as bibliotecas são um dos mais importantes pilares da civilização, e quase sempre os bibliotecários querem é que o devem receber", disse Brand.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tecnologia ameaça livros


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Fonte: Reuters Brasil. Data: 23/06/2010.
Os livros correm o risco de serem "arrastados pela enxurrada" das novas tecnologias e do audiovisual e devem levar a pior na briga pela atenção das crianças, disse o dramaturgo britânico Tom Stoppard.

Stoppard, autor de peças como "Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos" e "The Real Thing", e que ao longo dos anos também já escreveu roteiros para televisão, cinema e rádio, alertou ainda para a priorização das ciências exatas, em detrimento do estudo das ciências humanas.

"Não há mais tanta demanda pela escrita como quando eu tinha idade para ser aluno, ou mesmo a idade de seus professores", disse Stoppard segundo jornais locais.

Para o autor, as crianças vivem em um mundo dominado pela tecnologia, onde a imagem em movimento é mais importante que o impresso.

"Acho que isso é em detrimento ... não quero que o impresso seja arrastado pela enxurrada desse jeito".

Durante evento de caridade do Príncipe de Gales, o dramaturgo discursou a um público de professores, buscando encorajá-los a pensar sobre o que e como devem ensinar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Livraria amplia catálogo de e-books em português


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Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 16/06/2010.
Autor: Fabio Victor.

Até o fim do mês, a Livraria Cultura terá à venda em sua página na internet cerca de cem novos títulos de livros eletrônicos em português de autores como Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Luis Fernando Verissimo, James Hunter e Javier Moro.

O acréscimo é resultado de um contrato assinado anteontem entre a livraria paulistana e sete editoras. Cinco delas integram a recém-criada DLD (Distribuidora de Livros Digitais): Record, Objetiva, Rocco, Sextante e Planeta. As outras são Moderna e Salamandra.

O catálogo de e-books da Cultura tem mais de 1.200 títulos estrangeiros, mas só 700 em português. É um reflexo do nascente mercado nacional, que tem na dificuldade de conversão de formato e na renegociação dos contratos de direitos autorais os seus principais entraves.

Os títulos custam cerca de 30% menos que os de papel.

Os editores admitem que há um longo caminho a percorrer -a própria plataforma de operações da DLD, que entre outras coisas controlará o número de e-books vendidos, só funcionará em dezembro. Até lá, a empresa usará tecnologia da Cultura.

"A sensação que tenho é que estamos fazendo como naquela história do [Assis] Chateaubriand: ele resolveu montar uma emissora de TV com os equipamentos mais modernos, mas, quando perguntaram onde aquelas imagens iriam passar, ele se deu conta de que não havia TVs no país e comprou três aparelhos", diz Marcos Pereira, da Sextante.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Livro eletrônico


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Livro interativo limita capacidade de imaginação
Autora: Marina Lang.
Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 3/06/2010.

Um livro que fala, canta, tem ilustrações animadas e tecnologia 3D. Há dez anos essas características seriam fantasia de filmes de ficção. Mas, daqui a outros dez, elas devem vigorar --e com a força total de um mercado em expansão. O livro digital multimídia --que compila outros atrativos além da leitura trivial, como dublagem e animações-- mal começou a ser desenvolvido na rota do mercado e, mesmo assim, já foi alvo de críticas pela possível subtração da capacidade imagética dos leitores. A opinião é compartilhada por Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, um dos maiores eventos mundiais voltados ao segmento, que ocorre anualmente na Alemanha. Em entrevista à Folha, Boos fala da limitação que o e-livro multimídia traz à imaginação do leitor. Mas acrescenta: "para livros profissionais ou de não-ficção, isso pode ser uma tremenda vantagem".

FOLHA - Pesquisas recentes mostram que o leitor não quer pagar por conteúdo on-line, e que até deixaria de ler algumas publicações, caso elas optassem por esse caminho. O que o senhor pensa a respeito disso?

JUERGEN BOOS - A cultura do gratuito que existe on-line se tornou um problema existencial para pessoas e instituições que vivem da produção e exploração da propriedade intelectual. Consideramos nossa responsabilidade transmitir o valor real da propriedade intelectual para os usuários, para que também haja uma disposição de pagar por conteúdo on-line em um futuro próximo. Em qualquer caso, é necessário chegar a uma solução o mais rápido possível, em que tanto provedores de conteúdo quanto usuários possam coexistir. Isto significa que editoras vão ter que experimentar mais e mais modelos com novo pagamento no futuro --por exemplo, pay-per-view, publicidade ou conteúdo exclusivo.

FOLHA - Dentro dessa perspectiva, qual o futuro dos direitos autorais no mercado editorial?

BOOS - Editoras do mundo todo estão perdendo bilhões de dólares em vendas devido à pirataria --e a maior prioridade é o controle deste problema, encontrando uma solução que seja adequada para editores e fornecedores de conteúdos. A proteção de conteúdo é sempre central, independentemente do meio ou a forma em que ele é transmitido.

FOLHA - O senhor acha que o modelo Creative Commons oferece um tipo de vantagem financeira para a indústria editorial?

BOOS - O Creative Commons é uma abordagem interessante, na minha opinião. No passado, autores concediam seus direitos à editora --e ela tentava explorar toda a gama de direitos. Hoje, o autor concede os direitos de edição da cópia de seu livro para a editora de livros tradicionais, os direitos de um audiobook a uma editora de audiolivros, os direitos de e-books para a Amazon ou outra plataforma. Em outras palavras, o negócio de direitos está se tornando cada vez mais fragmentado. Em geral, o negócio está produzindo mão-de-obra com mais intensidade, e as partes envolvidas devem conversar entre si com mais frequência. Não faz muito sentido a concessão de direitos de uso diferentes para diferentes conteúdos. Mas os editores, sem dúvida, vão colher menos benefícios financeiros a partir deste modelo; no lugar disso, os autores vão ganhar vantagem.

FOLHA - O que o senhor pensa sobre o iPad? O que ele representa para o mercado editorial?

BOOS - O iPad é um dispositivo fascinante. O que eu acho problemático, no entanto, é o fato de que se trata de um sistema fechado, que não permite a troca com outros sistemas. Assim, estou certo que muitos mais dispositivos aparecerão no mercado nos próximos meses, que serão comparáveis ao [sistema do] iPad em termos das suas funções de multimídia, e que vão criar concorrência. Em princípio, não existem limites para esse desenvolvimento, e estou realmente ansioso para ver quais os produtos que vão surgir nos próximos meses.

FOLHA - O senhor acredita no conceito dos livros multimídia que incorporam animação, gráficos, narração e interatividade?

BOOS - O e-book ainda está nas fases iniciais de desenvolvimento, e oferece inúmeras possibilidades. A integração de fotos, animações e outros elementos interativos será certamente um aspecto que fará com que esta mídia seja particularmente atrativa no futuro.

FOLHA - Dentro desse conceito, o senhor crê que os leitores possam perder sua capacidade de criar suas próprias imagens e construção narrativa na leitura de livros multimídia?

BOOS - Quando eu leio um romance, a minha imaginação embarca em uma jornada. Eu imagino como um personagem deve se parecer, a figura definida do personagem e que tipo de voz que ele ou ela possa ter. Eu fico total e completamente imerso na história. O e-book multimídia impõe limites para minha imaginação, desde o início, porque eu sou abastecido com imagens precisas. Por outro lado, para livros profissionais ou de não-ficção, isso pode ser uma tremenda vantagem. Mas espero sinceramente que a nossa capacidade de explorar o poder de nossa imaginação, como um resultado [da leitura], não se perca por completo.

FOLHA - Com dispositivos digitais, o custo do livro reduz drasticamente. Sob esta ótica, qual a perspectiva para o mercado editorial?

BOOS - Não ocorre, necessariamente, a situação de que a produção de um e-book é substancialmente mais barata do que um livro impresso. Sim, o processo de impressão não faz parte da equação, mas o processo de produção de um e-book é mais complexo, pois ele deve ser preparado de forma completamente diferente. Acima disso, na Alemanha existe o problema adicional do preço fixo do livro [a regulamentação alemã exige que todos os livros, digitais ou não, sejam vendidos sob mesmo preço; descontos são ilegais no país]. Exatamente como os preços dos e-books devem ser determinados já é objeto de intenso debate na indústria.

FOLHA - Existe a possibilidade de ocorrer a supressão do livro impresso?

BOOS - Quando o audiobook chegou no mercado, as pessoas também pensaram inicialmente que eles iriam substituir os produtos impressos --mas eles se revelaram complementares. Estou convencido de que o livro impresso não morrerá, mas que o livro eletrônico vai se tornar um componente adicional e substancial da nossa socialização por meios de comunicação --como foram antes o rádio, a TV e a internet.

FOLHA - Qual o panorama atual das vendas de livros eletrônicos?

BOOS - Um estudo recente sobre os e-readers prevê que haverá cerca de 50 modelos no mercado em 2010. Com base em estimativas conservadoras, o número de leitores eletrônicos vendidos na Alemanha, em meados de 2011, será em torno de 170 mil. E cerca de 65 mil livros eletrônicos foram vendidos nos primeiros seis meses de 2009 na Alemanha. Os números são simples. A partir deles, podemos deduzir que a demanda do cliente sobre a informação está aumentando, mas a vontade de comprar ainda é pequena. No entanto, tudo pode mudar em breve. Com relação ao Brasil, infelizmente, não há dados disponíveis no mercado. Será muito interessante observar o desenvolvimento desse mercado aí.

FOLHA - O que o senhor pensa a respeito da criação de um formato padrão para arquivos de e-book?

BOOS - Os usuários não querem sistemas fechados --caso eles tenham boas alternativas. Por isso acho que um formato padrão e-book será estabelecido a longo prazo --como foi o caso da indústria da música com o formato MP3, por exemplo. Qual será esse formato é algo que ainda está sendo visto.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

E-book no Brasil


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Fonte: Portal Imprensa. Data: 2/06/2010.
As cinco maiores editoras de livros do Brasil criaram uma plataforma para distribuição de e-books (livros digitais). A Distribuidora de Livros Digitais (DLD) une a Editora Objetiva, o Grupo Editorial Record, a Editora Sextante, a Intrínseca e a Rocco, e começa a competir com outras empresas que oferecem vários títulos em forma digital, como a Amazon.com.

Segundo o jornal O Globo, a integração da Objetiva e da Editora Record a DLD foi anunciada na última terça-feira (1º/ 6). O grupo pretende impedir a cópia ilegal de obras e fazer com que as editoras tenham acesso em tempo real a dados sobre faturamento, estatísticas comerciais e liquidação de direitos autorais.

Com a chegada de aparelhos de leitura, como o Kindle e o iPad, o mercado editorial brasileiro está se transformando para ingressar no mundo digital. A DLD atuará, apenas, na distribuição de e-books para livrarias on-line e empresas de conteúdo digital. O grupo irá oferecer seus serviços a outras editoras interessadas no novo negócio.

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