terça-feira, 23 de junho de 2009

Os dez tipos de usuários da tecnologia




Pesquisa estabelece dez tipos de usuários segundo sua relação com a tecnologia
Fonte: O Globo Online. Data: 22/06/2009.

RIO - A dona de casa e revisora Flô Figueiredo mal consegue chegar perto do computador em casa, ocupado quase o dia inteiro por uma de suas filhas - ou pelas duas, quando estão vendo vídeos no YouTube juntas. Mas, na verdade, ela nem liga. Acorda de manhã, lê com calma o jornal, e pode até ligar a TV, mas o computador permanece desligado quando está sozinha. Tem telefone celular, mas quase sempre está "off" ou sem carga. Como é sua relação com a vida conectada de hoje em dia? Faça este pequeno teste e descubra .
Já sua caçula vive de celular em punho, geralmente, com o fone no ouvido. Costuma estudar navegando na internet, olhando de soslaio a TV a cabo, teclando no MSN e falando no celular. Todas as saídas com os amigos são combinadas via instant messaging ou Orkut (o email, a essa altura, já ficou para trás). Vive pedindo para o pai um smartphone, e baixa incontáveis vídeos de animes japoneses.
Esses são os dois extremos de uma pesquisa conduzida e tabulada pelo Pew Internet & American Life Project entre 2007 e o começo deste ano, sobre tipos de usuários de tecnologia. A dona-de-casa seria classificada como o tipo Fora da Rede (Off the Network) e sua filha, como o arquétipo Colaboradores Digitais (Digital Collaborators), conectados até a medula. A entidade entrevistou mais de 3.500 pessoas nos Estados Unidos sobre seus hábitos ligados à tecnologia e classificou dez tipos diferentes, do mais antenado até o mais descolado da realidade digital. Entre as conclusões, ficou provado que a o acesso móvel à web é um ponto de inflexão na adoção de tecnologias. Mostramos aqui as características de cada tipo, com alguns exemplos brasileiros.
Colaboradores digitais
São aqueles usuários que mergulham fundo na tecnologia e na internet. Quase todos têm banda larga em casa, e mais de 90% têm PC, laptop e smartphone. Boa parte também possui tocadores de MP3, e quase todos não dispensam uma câmera digital. Já 70%, em média, contam com filmadoras e/ou gravadores de vídeo digitais. São usuários de internet com muita estrada - cerca de 12 anos na rede.
Um exemplo de colaborador digital é o músico multimídia Michael Arce, que com seu laptop conectado à internet, webcam, um sistema de som portátil de qualidade e o Skype, dá aulas online para alunos Brasil afora, com um método bem bolado e detalhado num vídeo no YouTube.
- A aula acontece em tempo real, não é um passo-a-passo pré-gravado - diz Michael, que periodicamente organiza workshops presenciais com seus estudantes. - Eu marco hora com o aluno e fico na frente do computador, interagindo com ele ao vivo.
Conectados ambivalentes
Esses são da turma que usa bem email, celular e outras tecnologias para se comunicar, mas têm autocrítica. Quando veem televisão ou ouvem música, geralmente o fazem do laptop ou do smartphone. Entretanto, ao contrário dos colaboradores digitais, eles não gostam de misturar muito essa faceta social com trabalho e se sentem incomodados quando solicitados nessa hora.
Ariadne Guimarães, jornalista e gerente de conteúdo de sites financeiros, tem alguns traços dos conectados ambivalentes (ambivalent networkers, na classificação original).
- Sou uma online convicta. Trabalho conectada o tempo todo e quando estou longe do note recorro ao IPhone. Mas não gosto da ideia de que alguma pessoa possa me incomodar durante as tarefas. Quando quero relaxar, trocar ideias... paro e recorro ao email.
Essa categoria de usuários é chamada de media movers (algo como "passadores de mídia"), mas são perfeitamente descritos aqui pelo nome do jogo infantil de passar uma informação adiante. É o que eles fazem: usam a tecnologia e a internet para buscar todo tipo de informação - notícias, produtos, dicas de saúde, assuntos de disciplinas variadas - e passam para outros internautas. Costumam ter páginas ou blogs próprios e participam de fóruns e listas de discussão, postando imagens com alguma regularidade.
A própria Ariadne tem um lado media mover, porque ama o conhecimento. Até através do IPhone.
- Graças ao Steve Jobs (fundador e CEO da Apple, criadora do IPhone) descobri que a vida longe da web era muito triste - brinca. - Afinal, é muito complicado carregar um exemplar da Enciclopédia Britânica como livro de bolso... Sou uma apaixonada pelo dado. Se ele vier rápido e preciso, melhor.
Hotspots ambulantes
São chamados roving nodes na pesquisa. É aquela gente cujo celular virou quase uma parte do corpo. Eles o usam não apenas para falar, mas para ver os emails, SMS e SMS. Chegam em casa e continuam online, dando uma olhada nas notícias ou comprando coisas. São tão antenados quanto os colaboradores digitais, mas preferem o smartphone ao computador e não pensam em criar blogs pessoais ou gerenciar perfis. São mais felizes que os conectados ambivalentes, pois amam quando seu celular toca.
Novatos móveis
Os mobile newbies, como são denominados no estudo do projeto Pew, são parecidos com a categoria anterior, só que muito mais ligados no celular em si que na internet, mesmo que tenham conexão em casa. Na verdade, o celular é sua porta de entrada para a tecnologia da informação, e de cada dez com celulares, só quatro usam a internet. Trata-se de usuários mais jovens, que estão chegando agora, daí a preferência pelos indefectíveis telefones. Até este ponto, a pesquisa americana detectou que 39% dos usuários eram motivados pela mobilidade na tecnologia. Os restantes são muito mais ligados aos computadores, com veremos.
Veteranos do PC
Nada de wireless demais para essa classe. Eles gostam mesmo é do bom e velho desktop, o que não quer dizer que não estejam online. Parecidos com os media movers, são entretanto entrincheirados em seus computadores pessoais, de onde leem notícias, pesquisam blogs, aprendem coisas e navegam de montão.
Professora do departamento de informática aplicada da Uni-Rio, Simone Bacellar Leal Ferreira, é uma veterana do desktop, embora também use celular.
- Para quem trabalha no meio acadêmico, a internet é uma maravilha. Existem muitas associações científicas que disponibilizam todos os trabalhos científicos, Um exemplo é a ACM (Association for Computing Machinery - http://www.acm.org) que publica artigos em sua biblioteca digital - explica. - Também costumo pesquisar mais sobre filmes a que acabei de assistir.
Navegantes sem estresse
Originalmente denominados drifting surfers, esses usuários são veteranos da internet - com geralmente mais de oito anos de experiência -, mas já aprenderam a domar os mares bravios do ciberespaço, não se deixando dominar. Embora sejam antenados e conectados, têm uma relação bem saudável com a tecnologia.
André Kischinevsky, diretor do Instituto de Formação Internet, é um desses navegantes boas-praças.
- Minha relação com a internet é ótima. Com o tempo, fomos descobrindo o que mais gostávamos de fazer juntos. O Orkut, por exemplo, concluímos que era só para as horas de trabalho, para tirar dúvidas de alunos. Para o lazer, preferimos bater papo com nossos amigos, pelo MSN ou Skype. Nossa relação é bem adulta, não temos crises de ciúme e podemos viver bem separados, por alguns dias - relata André, bem-humorado.
Sobrecarregados
Nestes tempos em que muito se trabalha e o tempo parece voar, é comum ouvir queixas sobre o gigantesco volume de informações que cai sobre nossas cabeças todos os dias. A categoria abarca 10% dos usuários ouvidos pelo Pew. Na maioria, são homens e já passaram dos 50 anos. Embora tenham celular e internet, apresentam dificuldade de lidar com a sobrecarga de informação e precisam de ajuda para fazer seus aparelhos funcionarem a contento.
Embora não reclame do "peso digital", Simone está bem ciente de como ele pode aumentar rapidamente.
- O email para mim é uma ferramenta de trabalho, e meus alunos tiram muitas dúvidas através dele. Às vezes, fico aflita, pois sei que, se passar muito tempo sem ver meus mails, terei muito trabalho acumulado.
Os indiferentes
São os usuários que não ligam para a tecnologia. Têm celular e internet, mas não os usam com frequência, nem para se informar, nem para incrementar o contato com os amigos e a família. Não acreditam que a tecnologia lhes oferece novos horizontes. Dez por cento dos adultos ouvidos também apresentaram esse perfil.
Os sem-rede
Para a turma hiperconectada, pode até ser difícil acreditar que essa categoria existe, mas é preciso lembrar o tamanho da exclusão digital: apenas um quinto da população mundial está conectada à internet. Quatorze por cento dos ouvidos no estudo não têm nem internet, nem telefone celular. Alguns até já tiveram, mas desistiram de utilizá-los.

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